domingo, 8 de junho de 2008

Excessos estúpidos

Será a morte a maior de nossas tragédias!?! Não creio. Outro dia estava na cozinha de minha casa, e na geladeira buscava a quase vazia lata de leite-condensado. Tirei-a da geladeira. Peguei o abridor de latas, e qual não é a minha surpresa - uma formiga.

Na minha "humanidade", tentei salvar a formiga menos esperta da possível morte. E, infelizmente, não tive êxito - mas não proporcionei o velório. Lavei a colher, economicamente raspei a lata, deixando "micro resto" para ser consumido posteriormente. Lata na geladeira. Ainda mais vazia.

No dia seguinte, deixei de lado a minha "pão-durice" e resolvi ver se a lata podia me propiciar algo. A felicidade perdida. E deixar que a natureza, o lixeiro e a lata tivessem o seu destino. Qual não é a minha surpresa: no fundo da lata, uma formiga que não eu havia percebido, morta, afogada pela imensa gota condensada - a outra soube se esconder na esperteza de quem poderia ficar com todo o doce para ela, aproveitando sozinha aquela montanha de açúcar, que para mim era só um resto.

Muitos foram os pensamentos que me vieram a partir dessas duas cenas que tiveram a morte como fim comum. Ambas ambicionaram mais do que poderiam usufruir. Uma morreu no resgate imposto pela generosidade, e a outra da morte inevitável - os excessos que matam as pessoas, os animais, os bichos são os mesmos. E todos somos suscetíveis a esses pecados da gula, do ter e consumir muito mais do que as necessidades, e ser egoístas em querer só para nós, e ser desumano em não estender as mãos.

O homem é o bicho que faz isso conscientemente. Tem a razão como linha mestra, e a imperdoável atitude que o poder do excesso lhe confere - até a inveja dos outros. E se esquece, estúpido, de que é acima de tudo, mortal.

Nenhum comentário: