Onde passam as agulhas
estreitam passos decididos
espreitam os caminhos do mundo
retiram a esperança dos filhos
Migrantes nordestinos em jumentos
Imigrantes do Brasil embora vão
Os ricos não terão mais aqueles
Filhos da servidão
Todos os que buscaram fortuna
Tiraram sangue de pedra,
deixaram morrendo suores, lágrimas
escravos da vida que resta
Como a fome é possível diante de tanta fartura
Os grãos divididos, pais sentindo amargura
Tristeza inconsolável em ver o corpo definhar
E o alimento morrer no campo, sem ao menos poder tocar
As injustiças da desigualdade pouco importam
Situações que ocorrem ao lado,
O egoísmo é o mal do século, riqueza é o objeto
E a mesquinharia será o pó no jazigo eterno
e todos serão iguais
corroídos pelos mesmos
vermes
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
A marca da estação
A marca do cansaço é escura,
o sol castiga na labuta, pele alva,
que persegue sonhos infantis
crente na natureza, da escolha pela destreza
A pele queima, transforma e reage,
maltrata crianças em tenra idade
judia do velho avô - maldade
entregue aleatoriamente aos seres
Hoje, o retrato da beleza são as marcas
Cada dia, uma nova batalha perdida
e esta gente sofrida, deságua
As lágrimas e o suor cristal - a flor
Assim, seguem-se primaveras
O verão persegue com o fogo
E cada estação produz o engano,
Crer no eventual, essencial - servos
Agora, todos estão deitados solitariamente
Conjugam estrelas dispostas tementes
E o astro-rei aborda novamente
É dia, venha trabalhar - seus filhos precisa alimentar
o sol castiga na labuta, pele alva,
que persegue sonhos infantis
crente na natureza, da escolha pela destreza
A pele queima, transforma e reage,
maltrata crianças em tenra idade
judia do velho avô - maldade
entregue aleatoriamente aos seres
Hoje, o retrato da beleza são as marcas
Cada dia, uma nova batalha perdida
e esta gente sofrida, deságua
As lágrimas e o suor cristal - a flor
Assim, seguem-se primaveras
O verão persegue com o fogo
E cada estação produz o engano,
Crer no eventual, essencial - servos
Agora, todos estão deitados solitariamente
Conjugam estrelas dispostas tementes
E o astro-rei aborda novamente
É dia, venha trabalhar - seus filhos precisa alimentar
domingo, 27 de janeiro de 2008
Construção
Alicerce vêem os olhos
Longe forma de futuro
Blocos, paredes erguidas
Onde havia o submundo
Pessoas bestializadas
Não compreendem o momento
Lágrimas vertidas em sal
No sol do céu em tormento
Fulguraste a chama intensa
Agruras do movimento
Em cima, tocando as nuvens
O louco perderá a razão....
deixando-a ao esquecimento
Forte sopro do céu
Perdera o que não queria
Na construção, inerte
Esquecera que, no alicerce metafórico,
Fora a alma de vida
Relevando aos deuses, sua mísera existência
A uma mera passagem de dia
"Não ganhando o que buscara
Enterrado foi no lamento
Triste para os que ficaram
Sentindo o seu sofrimento"
Longe forma de futuro
Blocos, paredes erguidas
Onde havia o submundo
Pessoas bestializadas
Não compreendem o momento
Lágrimas vertidas em sal
No sol do céu em tormento
Fulguraste a chama intensa
Agruras do movimento
Em cima, tocando as nuvens
O louco perderá a razão....
deixando-a ao esquecimento
Forte sopro do céu
Perdera o que não queria
Na construção, inerte
Esquecera que, no alicerce metafórico,
Fora a alma de vida
Relevando aos deuses, sua mísera existência
A uma mera passagem de dia
"Não ganhando o que buscara
Enterrado foi no lamento
Triste para os que ficaram
Sentindo o seu sofrimento"
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Além da incerteza
Preso. Andava impacientemente pelo espaço - finito, mas disponível. Sentia as mãos atadas, acorrentadas. O cérebro turvo não sabia mais direcionar as ações.... ações, estas mesmas transformaram-lhe em um ser frágil - buscou sair do ostracismo que lhe parecia aplicável. Quanto mais agia, mais preso se sentia, ou melhor, menos livre realmente era. Estava preso, não mais em convicções, sua vida era a incerteza.
Qual será a prisão maior do que esta!!! A incerteza é a poda a árvore saudável. É a retirada do que teríamos pela incapacidade de nos livrarmos das amarras. Mas, que amarras!!! A psicológica, a física, a vida - o complô que teimamos em ver dentro e fora de nós. O mundo age contra; as pessoas se afastam, o emprego não chega, o amor não vinga, e só lhe resta o quarto.
Neste pequeno recinto, com portas, janelas e possibilidades - não teve a força para abrir a janela. Teve olhos, e não soube ver. Pernas, e não soube buscar. Coração, sem amar. E mente, que na tola racionalidade, não enxergou outras formas de se encontrar. A janela aberta oferecia a possibilidade de se "inventar" as asas. A porta, sendo aberta, deixava todos os caminhos do mundo - direções, coordenadas, mapas, ruas - livres.
De toda a pequenez humana, errava. Não por lutar na inerente convicção. Ou pela "verdade". Mas, pela falta de coragem que o mantinha cego, surdo, mudo... para o mundo, para todos, para ele. Sua voz calava quando devia gritar... e chorava quando devia ser forte. Ter a força de escolher um caminho e segui-lo. Parece fácil. Mas é quase impossível.
Qual será a prisão maior do que esta!!! A incerteza é a poda a árvore saudável. É a retirada do que teríamos pela incapacidade de nos livrarmos das amarras. Mas, que amarras!!! A psicológica, a física, a vida - o complô que teimamos em ver dentro e fora de nós. O mundo age contra; as pessoas se afastam, o emprego não chega, o amor não vinga, e só lhe resta o quarto.
Neste pequeno recinto, com portas, janelas e possibilidades - não teve a força para abrir a janela. Teve olhos, e não soube ver. Pernas, e não soube buscar. Coração, sem amar. E mente, que na tola racionalidade, não enxergou outras formas de se encontrar. A janela aberta oferecia a possibilidade de se "inventar" as asas. A porta, sendo aberta, deixava todos os caminhos do mundo - direções, coordenadas, mapas, ruas - livres.
De toda a pequenez humana, errava. Não por lutar na inerente convicção. Ou pela "verdade". Mas, pela falta de coragem que o mantinha cego, surdo, mudo... para o mundo, para todos, para ele. Sua voz calava quando devia gritar... e chorava quando devia ser forte. Ter a força de escolher um caminho e segui-lo. Parece fácil. Mas é quase impossível.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Corpus et anima
Extremos paraísos. Sobre a terra as relações simbióticas da vida - a combustão e sua reversão - o gás voltando a ser oxigênio, duplo, porém único e essencialmente inalado (poucos se preocupam com o nitrogênio), o mérito da insanidade está poluido.
Sob a terra, vitaminas, fantasias, reinos.... a lagoa azul reflete o céu, e os corpos em putrefação refletem a nossa futura realidade - comida para vermes, a nossa vaidade. Todos enxergam isso, enxergam as básicas verdades - irrestritas as possibilidades - e impossibilitados estamos na pressa.
Qual será o santo remédio da alma!!! O corpo segue sua herança. Patologias exclusivas, terapia absoluta, diagnóstico resoluto... sem salvação. No inferno de Dante, divina comédia, nos perdemos em opções - primárias decisões, insignificantes resultados - novamente imobilizados.
Imobilizados na crença coletiva. Sem existir acima da magia, fantasia... já robotizados na generalização massacrante da sociedade ultra-moderna. A vida planejada para ser igual. E a coerção do fracasso àqueles que pensem o contrário - o vencedor é "são", é igual, e é superior - estranhamente superior aos que não "são" tão "iguais" a ele.
Quais são os pecados dos diferentes!!! Acreditar ou deixar de ser. Vencer as forças ou ser consumido. Se tornar igual para poder viver e não, ser um ermitão pelas sombras que o desprezo e "inveja oculta" causam - e as lágrimas de pólos opostos de uma mesma realidade, ocidentalizada por algumas teorias de verdades manipuladas absolutas.
Guerra fria. Essa é a mais efetiva. Frieza de olhos reprovadores que congelam a alma - ilha isolada aos sentimentos "humanos" - o mundo existe mas a solidão não o confirma. Diferenças nos referenciais. E a não aceitação de que a verdade não é una, o composto resultante é o que nos mostra a vida em cada uma das épocas, eras.
Sou ignorante. Sou nulo nas capacidades. Mas possuo uma das únicas possibilidades restritas - a liberdade parcial. Sou ser, e não vivo. Sou humano, e não sinto - mas minto para poder ser aceito, e nesta falsidade que até um ignorante vê errada, encontro uma das minhas poucas verdades - a de não ser livre aos olhos alheios. Que o mundo nos mude, assim seja.
Sob a terra, vitaminas, fantasias, reinos.... a lagoa azul reflete o céu, e os corpos em putrefação refletem a nossa futura realidade - comida para vermes, a nossa vaidade. Todos enxergam isso, enxergam as básicas verdades - irrestritas as possibilidades - e impossibilitados estamos na pressa.
Qual será o santo remédio da alma!!! O corpo segue sua herança. Patologias exclusivas, terapia absoluta, diagnóstico resoluto... sem salvação. No inferno de Dante, divina comédia, nos perdemos em opções - primárias decisões, insignificantes resultados - novamente imobilizados.
Imobilizados na crença coletiva. Sem existir acima da magia, fantasia... já robotizados na generalização massacrante da sociedade ultra-moderna. A vida planejada para ser igual. E a coerção do fracasso àqueles que pensem o contrário - o vencedor é "são", é igual, e é superior - estranhamente superior aos que não "são" tão "iguais" a ele.
Quais são os pecados dos diferentes!!! Acreditar ou deixar de ser. Vencer as forças ou ser consumido. Se tornar igual para poder viver e não, ser um ermitão pelas sombras que o desprezo e "inveja oculta" causam - e as lágrimas de pólos opostos de uma mesma realidade, ocidentalizada por algumas teorias de verdades manipuladas absolutas.
Guerra fria. Essa é a mais efetiva. Frieza de olhos reprovadores que congelam a alma - ilha isolada aos sentimentos "humanos" - o mundo existe mas a solidão não o confirma. Diferenças nos referenciais. E a não aceitação de que a verdade não é una, o composto resultante é o que nos mostra a vida em cada uma das épocas, eras.
Sou ignorante. Sou nulo nas capacidades. Mas possuo uma das únicas possibilidades restritas - a liberdade parcial. Sou ser, e não vivo. Sou humano, e não sinto - mas minto para poder ser aceito, e nesta falsidade que até um ignorante vê errada, encontro uma das minhas poucas verdades - a de não ser livre aos olhos alheios. Que o mundo nos mude, assim seja.
sábado, 19 de janeiro de 2008
Tempos modernos, meu inferno (texto)
Acordo pela manhã. Quer dizer, o relógio-despertador faz este trabalho contra a lei da "minha" natureza. Maldita invenção que não respeita. Grita no meu ouvido, feliz: "Acorda, é hora da sua tortura!!!". De forma sonora, até melodiosa....para ele!!!. Uma verdadeira orquestra de.....BIP, TRIM. Seja qual for o barulho. Levanto da cama.
Ainda contra a lei da "natureza", me preparo para o ritual da vida moderna. Terno, gravata,.....blá, blá, blá..... e pior, o dia promete ser um calor de derreter o cérebro!!! Mas tenho que usar, como o figurino manda...... mais tortura. Tudo isso, 3 horas antes do trabalho começar...... penso no trânsito, em trabalhar no extremo oposto da cidade.... Modernidade.
Começo o dia refletindo sobre o poder do relógio. Hoje, em especial, estou inspirado. Afinal, o relógio me controla o dia inteiro. Acorde. É hora do almoço (sempre cronometradas 1 hora). Retorne ao trabalho. É hora de ir embora.....A cada hora do dia em que tenho o desprazer de encontrá-lo nunca me diz as horas, sempre diz: "Ainda falta muito tempo". Com ele nunca ganho, estou sempre perdendo. Seja o sono, ou o descanso. Como na hora de ir para casa...... Deveria ser uma hora feliz, mas não é!!!. A única em que o relógio poderia me favorecer, porém nunca sabemos a que hora iremos chegar em casa. Mais trânsito, congestionamento. Pessoas reclamando, buzinando. Nervosismo.
Já não bastava iniciar o dia e também tenho que terminá-lo desta forma. Neste momento me lembrei de Charles Darwin. Da teoria da evolução. E cheguei a conclusão de que existem uns macacos que ainda não evoluíram dirigindo pela cidade de São Paulo. E ainda foi um bom dia, pelo menos não fui assaltado. Assalto: não é uma criação moderna, mas também está na moda. O assaltante chega e fala: Passa tudo!!!. Rápido!!!. Ao redor, as pessoas fingem que não vêem. E nestes segundos, apressados, tirando o relógio e entregando-lhe a carteira, ainda tenho que ouvir: "Dr. não sou vagabundo não, estou desempregado". Quase um pedido de desculpa. Tudo bem!!! Mas, por que não vai roubar um rico. Porque sempre o mais pobre se ferra. Vai roubar o prefeito!!!.
Há quem diga que a nossa "salvação", a santa Televisão, aumente a onda de violência, propagando o consumismo indiscriminadamente, criando desejos nem sempre realizáveis.....concordo plenamente!!. A nossa televisão. Quem diria!!! Parecia tão inofensiva.....fonte de lazer. Mas, no mundo da propaganda ou do Ibope, a sociedade vem em último lugar......dinheiro, dinheiro, dinheiro...HA, HA, HA!!!
Para tentar descansar, ligo a televisão: Mortes nos filmes, mortes nos telejornais, mortes nas novelas. Saco, não quero ver isto!!! Será isto lazer.....Meu Deus!!! E eu com isso!!! Mas, ao contrário de meus pais, nasci com uma televisão na cara......Como seria o mundo sem ela!!! Mudo de canal... Igreja.....Igreja.... Novelas.... Programa culinário....Até canal mostrando peixe. Odeio peixe. Que m........!!!! Trabalhei o dia inteiro para ter que ver isto no final. Fora as Igrejas high-tech....tecnologia ano 2000, em busca de dominação. Manipulação. Que passam a ser tão normal.....sem consciência. Cujo slogan deveria ser: "Reflexão induzida sem sair de casa".
Tudo pelo sagrado direito do lazer. "LAZER!!!" Busquei mais uma resposta no velho dicionário: sm. Tempo disponível; descanso, folga. Está anacrônico. Já para o lixo!!!. Descansar, relaxar....humm!!!. O único tempo livre que temos e que poderíamos aproveitar fazendo atividades prazeirosas. Mas, sempre muitas pessoas, muitas. Fila para o cinema, para o teatro, para comer. Pagamos para pegar fila. O resto é tão rápido!!!.
Sossego, meu desejo.......barulho, a realidade. Os nervos a flor da pele. E mais uma criação do mundo moderno......Stress!!! Ou melhor estresse. Palavra estrangeira, chique....para definir uma sensação tão mundial. Globalizada. Quase impossível ficar longe dela. O meu estresse é o meu melhor amigo. Sempre está comigo. Até já se naturalizou.
Ainda tentando usufruir os sagrados segundos de descanso. Resolvo ficar em casa. Tomo meu banho......frio!!! A resistência queimou. Mas, tudo bem, quem sabe não tinha uma "razão de ser". Ponho uma roupa confortável, e tento ser simpático às novas tecnologias. Não sou resistente. Presenteio meu computador com chips, aumento sua memória......mas, na hora em que mais preciso, o ingrato me deixa na mão. Mas até tento curtir o tempo livre com ele. Numa viagem ao mundo virtual. Clico o ícone da Internet. Tento conexão uma, duas, três vezes....em poucos minutos já estou esmurrando o computador. Fico uma hora tentando acessar a Internet. Consigo entrar......ufa!!! Após uma hora de "lazer", finalmente consegui. Vou começar a navegar, já feliz e.... cai a linha!!! Nem preciso dizer que baixei o nível. Neste instante, o telefone toca, provavelmente o culpado pela minha "queda" e...... não é para mim. Nunca é. Era minha "duplamente" maldita sogra.
Resolvo ler uma revista, é mais fácil. O único esforço é virar as páginas. Tento me acalmar. Neste instante, um verdadeiro complô tecnológico me ataca: a máquina de lavar roupa, louça, aspirador de pó, avião..... se associam, e, todos ao mesmo tempo, resolvem me deixar louco. Não consigo ouvir nem o meu pensamento. Até que tento. Droga......além de tudo, moro perto de um aeroporto!!!. Seja por terra ou ar, sempre há barulho. Não me acostumei ainda. E nem posso me queixar com a "dona-da-casa", é o único momento livre dela e ainda o despende pondo ordem nas coisas. Não é o que possamos dizer de atividade prazeirosa. Mas, tô explodindo!!!
Nestes momentos, de absoluta fúria, se manifestam meus mecanismos de auto-defesa. Contra infarto, derrame, nervosismo: Minhas amadas manias!!!. Como a mente humana é poderosa, criativa, cheia de dualidades e incompreensões!!!. E para extravasar o meu ódio, nada melhor do que homenagear os "culpados". Assim, toda as vezes que meu carro quebra, maldito Otto Benz, Ford....mesmo sendo da GM. Quando falta a luz bem na hora da fórmula 1....maldito Thomas Edison!!!. Ou quando meu celular não funciona....maldito Graham Bell!!!. Encho a boca e, MAAALDITO!!!! Ai, ai......que relaxante!!!
Invenções. Poderiam ser uma benção para a sociedade. Trazem praticidade, encurtam as distâncias, buscam alternativas para proporcionar um mundo mais confortável. Mas, quantos lados da moeda afinal existem??? Maldita impessoalidade e solidão. Maldito manual de instrução. Sociedade individualista. Me sinto tão preso, separado, solitário. Na grande metrópole, não encontro espaço. Tantos carros. Tantas pessoas. E uma distância infinita entre nós. Como isto pode ser possível??? Não sei explicar.
Também era tão bom quando não se criavam as necessidades mercadológicas. Que não tem nada de lógicas. Colecionei durante 30 anos, com um cuidado extremo, meus inestimáveis discos de vinil. Mas, cadê a antiga vitrola!!!. Não existem mais. Não tenho como ouvi-los. Hoje, meus filhos brincam de "disquinho".... jogando prá lá.... e prá cá. Buaaaá!!! Coleção estimada. Obsoleta. E até meu novo computador que comprei há somente 3 anos não presta para nada. Morte precoce.
Antes fosse somente as máquinas a se tornarem obsoletas. Nós, seres humanos, também estamos neste processo. Tudo tão rápido. Com tanta pressa. Num ritmo exagerado!!!. "Deus, pare o mundo que quero descer". As pessoas estudam, estudam, estudam...sabem, sabem...... mesmo sem funcionalidade empresarial. E não conseguem emprego. Este é o progresso, que nos obriga a saber cada vez mais, e que nos "utiliza" cada vez menos.....Desemprego. Para quê!!! Em breve, porteiro terá pós-graduação. Somente para apertar um portão. Se não extinguirem mais está profissão.
Deito a cabeça no travesseiro. Acabou o meu dia. Mais uma segunda-feira vencida. Ou será que fui vencido??? Sei lá. Neste meu dia-a-dia, contei a minha história. Inalterável até a sexta.....só variando os problemas, que ajudam a quebrar a monotonia. Monotonia do escritório. Telefone. Barulho. Reuniões estéreis. Burocracia. Que nem mesmo Weber iria imaginar. Monotonia da vida. Até que......fim-de-semana.
O homem selvagem volta a floresta. Enfim, vou a chácara. Mas, seguindo as leis do "progresso". Estrada lotada. Pessoas nervosas carregadas pela famosa palavra internacional criada pelo conforto moderno. Com a pressa de poderem ser "animais".
Perto da natureza, também me sinto mais primitivo, e não sinto falta do que deixei na modernidade. Nostálgico, vivo o passado. E aproveito a sensação que perdurou por milhares de anos e morreu nestes últimos. Me encontro com meu deus, com o espaço, e com a calma que antes existia. Aproveito cada segundo.
Revigorado volto para casa no domingo a tarde. Aproveito o restante do meu domingo para narrar meus pensamentos, tento, novamente, me tornar amigo do computador, chego.....ligo-o carinhosamente.....deixo a inspiração se aproximar......começo digitá-las......a história flui....... e a máquina. Pau outra vez!!!
Ainda contra a lei da "natureza", me preparo para o ritual da vida moderna. Terno, gravata,.....blá, blá, blá..... e pior, o dia promete ser um calor de derreter o cérebro!!! Mas tenho que usar, como o figurino manda...... mais tortura. Tudo isso, 3 horas antes do trabalho começar...... penso no trânsito, em trabalhar no extremo oposto da cidade.... Modernidade.
Começo o dia refletindo sobre o poder do relógio. Hoje, em especial, estou inspirado. Afinal, o relógio me controla o dia inteiro. Acorde. É hora do almoço (sempre cronometradas 1 hora). Retorne ao trabalho. É hora de ir embora.....A cada hora do dia em que tenho o desprazer de encontrá-lo nunca me diz as horas, sempre diz: "Ainda falta muito tempo". Com ele nunca ganho, estou sempre perdendo. Seja o sono, ou o descanso. Como na hora de ir para casa...... Deveria ser uma hora feliz, mas não é!!!. A única em que o relógio poderia me favorecer, porém nunca sabemos a que hora iremos chegar em casa. Mais trânsito, congestionamento. Pessoas reclamando, buzinando. Nervosismo.
Já não bastava iniciar o dia e também tenho que terminá-lo desta forma. Neste momento me lembrei de Charles Darwin. Da teoria da evolução. E cheguei a conclusão de que existem uns macacos que ainda não evoluíram dirigindo pela cidade de São Paulo. E ainda foi um bom dia, pelo menos não fui assaltado. Assalto: não é uma criação moderna, mas também está na moda. O assaltante chega e fala: Passa tudo!!!. Rápido!!!. Ao redor, as pessoas fingem que não vêem. E nestes segundos, apressados, tirando o relógio e entregando-lhe a carteira, ainda tenho que ouvir: "Dr. não sou vagabundo não, estou desempregado". Quase um pedido de desculpa. Tudo bem!!! Mas, por que não vai roubar um rico. Porque sempre o mais pobre se ferra. Vai roubar o prefeito!!!.
Há quem diga que a nossa "salvação", a santa Televisão, aumente a onda de violência, propagando o consumismo indiscriminadamente, criando desejos nem sempre realizáveis.....concordo plenamente!!. A nossa televisão. Quem diria!!! Parecia tão inofensiva.....fonte de lazer. Mas, no mundo da propaganda ou do Ibope, a sociedade vem em último lugar......dinheiro, dinheiro, dinheiro...HA, HA, HA!!!
Para tentar descansar, ligo a televisão: Mortes nos filmes, mortes nos telejornais, mortes nas novelas. Saco, não quero ver isto!!! Será isto lazer.....Meu Deus!!! E eu com isso!!! Mas, ao contrário de meus pais, nasci com uma televisão na cara......Como seria o mundo sem ela!!! Mudo de canal... Igreja.....Igreja.... Novelas.... Programa culinário....Até canal mostrando peixe. Odeio peixe. Que m........!!!! Trabalhei o dia inteiro para ter que ver isto no final. Fora as Igrejas high-tech....tecnologia ano 2000, em busca de dominação. Manipulação. Que passam a ser tão normal.....sem consciência. Cujo slogan deveria ser: "Reflexão induzida sem sair de casa".
Tudo pelo sagrado direito do lazer. "LAZER!!!" Busquei mais uma resposta no velho dicionário: sm. Tempo disponível; descanso, folga. Está anacrônico. Já para o lixo!!!. Descansar, relaxar....humm!!!. O único tempo livre que temos e que poderíamos aproveitar fazendo atividades prazeirosas. Mas, sempre muitas pessoas, muitas. Fila para o cinema, para o teatro, para comer. Pagamos para pegar fila. O resto é tão rápido!!!.
Sossego, meu desejo.......barulho, a realidade. Os nervos a flor da pele. E mais uma criação do mundo moderno......Stress!!! Ou melhor estresse. Palavra estrangeira, chique....para definir uma sensação tão mundial. Globalizada. Quase impossível ficar longe dela. O meu estresse é o meu melhor amigo. Sempre está comigo. Até já se naturalizou.
Ainda tentando usufruir os sagrados segundos de descanso. Resolvo ficar em casa. Tomo meu banho......frio!!! A resistência queimou. Mas, tudo bem, quem sabe não tinha uma "razão de ser". Ponho uma roupa confortável, e tento ser simpático às novas tecnologias. Não sou resistente. Presenteio meu computador com chips, aumento sua memória......mas, na hora em que mais preciso, o ingrato me deixa na mão. Mas até tento curtir o tempo livre com ele. Numa viagem ao mundo virtual. Clico o ícone da Internet. Tento conexão uma, duas, três vezes....em poucos minutos já estou esmurrando o computador. Fico uma hora tentando acessar a Internet. Consigo entrar......ufa!!! Após uma hora de "lazer", finalmente consegui. Vou começar a navegar, já feliz e.... cai a linha!!! Nem preciso dizer que baixei o nível. Neste instante, o telefone toca, provavelmente o culpado pela minha "queda" e...... não é para mim. Nunca é. Era minha "duplamente" maldita sogra.
Resolvo ler uma revista, é mais fácil. O único esforço é virar as páginas. Tento me acalmar. Neste instante, um verdadeiro complô tecnológico me ataca: a máquina de lavar roupa, louça, aspirador de pó, avião..... se associam, e, todos ao mesmo tempo, resolvem me deixar louco. Não consigo ouvir nem o meu pensamento. Até que tento. Droga......além de tudo, moro perto de um aeroporto!!!. Seja por terra ou ar, sempre há barulho. Não me acostumei ainda. E nem posso me queixar com a "dona-da-casa", é o único momento livre dela e ainda o despende pondo ordem nas coisas. Não é o que possamos dizer de atividade prazeirosa. Mas, tô explodindo!!!
Nestes momentos, de absoluta fúria, se manifestam meus mecanismos de auto-defesa. Contra infarto, derrame, nervosismo: Minhas amadas manias!!!. Como a mente humana é poderosa, criativa, cheia de dualidades e incompreensões!!!. E para extravasar o meu ódio, nada melhor do que homenagear os "culpados". Assim, toda as vezes que meu carro quebra, maldito Otto Benz, Ford....mesmo sendo da GM. Quando falta a luz bem na hora da fórmula 1....maldito Thomas Edison!!!. Ou quando meu celular não funciona....maldito Graham Bell!!!. Encho a boca e, MAAALDITO!!!! Ai, ai......que relaxante!!!
Invenções. Poderiam ser uma benção para a sociedade. Trazem praticidade, encurtam as distâncias, buscam alternativas para proporcionar um mundo mais confortável. Mas, quantos lados da moeda afinal existem??? Maldita impessoalidade e solidão. Maldito manual de instrução. Sociedade individualista. Me sinto tão preso, separado, solitário. Na grande metrópole, não encontro espaço. Tantos carros. Tantas pessoas. E uma distância infinita entre nós. Como isto pode ser possível??? Não sei explicar.
Também era tão bom quando não se criavam as necessidades mercadológicas. Que não tem nada de lógicas. Colecionei durante 30 anos, com um cuidado extremo, meus inestimáveis discos de vinil. Mas, cadê a antiga vitrola!!!. Não existem mais. Não tenho como ouvi-los. Hoje, meus filhos brincam de "disquinho".... jogando prá lá.... e prá cá. Buaaaá!!! Coleção estimada. Obsoleta. E até meu novo computador que comprei há somente 3 anos não presta para nada. Morte precoce.
Antes fosse somente as máquinas a se tornarem obsoletas. Nós, seres humanos, também estamos neste processo. Tudo tão rápido. Com tanta pressa. Num ritmo exagerado!!!. "Deus, pare o mundo que quero descer". As pessoas estudam, estudam, estudam...sabem, sabem...... mesmo sem funcionalidade empresarial. E não conseguem emprego. Este é o progresso, que nos obriga a saber cada vez mais, e que nos "utiliza" cada vez menos.....Desemprego. Para quê!!! Em breve, porteiro terá pós-graduação. Somente para apertar um portão. Se não extinguirem mais está profissão.
Deito a cabeça no travesseiro. Acabou o meu dia. Mais uma segunda-feira vencida. Ou será que fui vencido??? Sei lá. Neste meu dia-a-dia, contei a minha história. Inalterável até a sexta.....só variando os problemas, que ajudam a quebrar a monotonia. Monotonia do escritório. Telefone. Barulho. Reuniões estéreis. Burocracia. Que nem mesmo Weber iria imaginar. Monotonia da vida. Até que......fim-de-semana.
O homem selvagem volta a floresta. Enfim, vou a chácara. Mas, seguindo as leis do "progresso". Estrada lotada. Pessoas nervosas carregadas pela famosa palavra internacional criada pelo conforto moderno. Com a pressa de poderem ser "animais".
Perto da natureza, também me sinto mais primitivo, e não sinto falta do que deixei na modernidade. Nostálgico, vivo o passado. E aproveito a sensação que perdurou por milhares de anos e morreu nestes últimos. Me encontro com meu deus, com o espaço, e com a calma que antes existia. Aproveito cada segundo.
Revigorado volto para casa no domingo a tarde. Aproveito o restante do meu domingo para narrar meus pensamentos, tento, novamente, me tornar amigo do computador, chego.....ligo-o carinhosamente.....deixo a inspiração se aproximar......começo digitá-las......a história flui....... e a máquina. Pau outra vez!!!
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
A busca
Náufrago de suas tristezas
Deslizei por cada uma de suas lágrimas
Sensível, toquei sua face
Acariciei sua pele, chorando pelos seus olhos
Náufrago de seu coração
Toquei com amor nas lembranças do nosso passado
Sorri com a sua felicidade, e triste fiquei com cada decepção
Em disparada, com o seu coração, percorri cada centímetro
Seu corpo, meu corpo
Náufrago de seu amor
Flutuando no futuro, sei que este não tarda
Fomos e seremos, um em comunhão
Buscando a outra parte com os resquícios da paixão
Náufrago estamos
Abandonados, até nos reencontrarmos
E nos unirmos pelas mãos
Deslizei por cada uma de suas lágrimas
Sensível, toquei sua face
Acariciei sua pele, chorando pelos seus olhos
Náufrago de seu coração
Toquei com amor nas lembranças do nosso passado
Sorri com a sua felicidade, e triste fiquei com cada decepção
Em disparada, com o seu coração, percorri cada centímetro
Seu corpo, meu corpo
Náufrago de seu amor
Flutuando no futuro, sei que este não tarda
Fomos e seremos, um em comunhão
Buscando a outra parte com os resquícios da paixão
Náufrago estamos
Abandonados, até nos reencontrarmos
E nos unirmos pelas mãos
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Lua e sol
Nos ínfimos martírios
Encontrei o meu destino
E no orvalho, que o sol da meia-noite
Transforma em lágrima
Tive nos olhos da alma amada
Meu momento de redenção
No fogo que aquece a terra
E gera a vida
Fiz da lua, a alma escolhida
Antítese de lamentação
Noite e sol separam caminhos
Onde as trevas encontram passagem
Mas encaro esta viagem
Para ser o seu destino
Sorrir na noite e ser sol
Encontrei o meu destino
E no orvalho, que o sol da meia-noite
Transforma em lágrima
Tive nos olhos da alma amada
Meu momento de redenção
No fogo que aquece a terra
E gera a vida
Fiz da lua, a alma escolhida
Antítese de lamentação
Noite e sol separam caminhos
Onde as trevas encontram passagem
Mas encaro esta viagem
Para ser o seu destino
Sorrir na noite e ser sol
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Homem-Lixo
Sou a escória do mundo. O perdido sem valor, largado ao tempo em via de degradação. Quando vim ao mundo, escolhi ser vencedor - e o carma foi inverso. Sinto o sabor da derrota no fel amargo que escorre. Os atos passados, de diversas vidas, foram julgados e carrego a cruz penosamente... lento e perseverante.... olho a ladeira, a montanha, o espaço que nos separa.
Quase todos os dias, perco. As horas e os minutos apressados vão - na "certeza" da esperança. O choro é contido, a raiva neutralizada e a fome dissipada, mas o tempo passa e o futuro não chega. Sou limítrofe ou o mundo alça compreensões e vivência intangíveis ao cérebro indulgente. Não sou humilde, não nego. Reconheço os erros e pecados, mas nada... nada alivia a minha dor. Estou só, por isso reclamo. Situação não plantada e colhida - conseqüência do mal que nos impõe o soberano, o que é mais humano, nada divino, nos sonhos doloridos carregados pelo destino.
Sou pobre pois não enxergo alternativas. E metódico nas regras, me despeço. Mudo de vida para que ela me mude.... se deixar de ser cruel, serei capaz. E antes essas palavras fossem crise de adolescência, reflexões incertas, hormônios presentes... essa luz que não enxergo é mais clara que os sentimentos livres, ainda que presos - na cega obscuridade enferma. A esperança é um brado forte, um grito de dor, uma lágrima escorrendo, pois só existe esperança onde há vida....
Quase todos os dias, perco. As horas e os minutos apressados vão - na "certeza" da esperança. O choro é contido, a raiva neutralizada e a fome dissipada, mas o tempo passa e o futuro não chega. Sou limítrofe ou o mundo alça compreensões e vivência intangíveis ao cérebro indulgente. Não sou humilde, não nego. Reconheço os erros e pecados, mas nada... nada alivia a minha dor. Estou só, por isso reclamo. Situação não plantada e colhida - conseqüência do mal que nos impõe o soberano, o que é mais humano, nada divino, nos sonhos doloridos carregados pelo destino.
Sou pobre pois não enxergo alternativas. E metódico nas regras, me despeço. Mudo de vida para que ela me mude.... se deixar de ser cruel, serei capaz. E antes essas palavras fossem crise de adolescência, reflexões incertas, hormônios presentes... essa luz que não enxergo é mais clara que os sentimentos livres, ainda que presos - na cega obscuridade enferma. A esperança é um brado forte, um grito de dor, uma lágrima escorrendo, pois só existe esperança onde há vida....
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Voar, Horizontes
Se pudesse voar, buscar novos horizontes
Sem cair e machucar minha alma
Faria como os pássaros que migram para um rumo certo
Com seus amigos, família.....em busca de proteção.
Se pudesse voar, buscar novos horizontes
Tocaria as nuvens, alcançaria o céu
Bebendo água límpida
Antes que esta tocasse o chão.
Se pudesse voar, buscar novos horizontes
Viajaria longas distâncias, conheceria o mundo
E cada lugar que as asas alcançassem
Seriam um templo de aprendizado e contemplação.
Se pudesse voar, buscar novos horizontes
Enxergaria o mundo de cima
Buscaria a lua, as estrelas....o cosmos
Encontrando-me mais perto de Deus
e da salvação.
Sem cair e machucar minha alma
Faria como os pássaros que migram para um rumo certo
Com seus amigos, família.....em busca de proteção.
Se pudesse voar, buscar novos horizontes
Tocaria as nuvens, alcançaria o céu
Bebendo água límpida
Antes que esta tocasse o chão.
Se pudesse voar, buscar novos horizontes
Viajaria longas distâncias, conheceria o mundo
E cada lugar que as asas alcançassem
Seriam um templo de aprendizado e contemplação.
Se pudesse voar, buscar novos horizontes
Enxergaria o mundo de cima
Buscaria a lua, as estrelas....o cosmos
Encontrando-me mais perto de Deus
e da salvação.
domingo, 13 de janeiro de 2008
Desejos
Desejo o amanhã com um sorriso
Não buscando a pressa, selvageria
Das torres de pedras, mar de asfalto
Colinas concretas dos nossos dias
Desejo o sorriso de um amanhã
No bucolismo, simbolismo
Que o "original" invadido
Ocultou o verde do lirismo
Desejo
A realidade na paz
A harmonia na esperança
Sendo imortal numa criança
Com a capacidade de sonhar
Não buscando a pressa, selvageria
Das torres de pedras, mar de asfalto
Colinas concretas dos nossos dias
Desejo o sorriso de um amanhã
No bucolismo, simbolismo
Que o "original" invadido
Ocultou o verde do lirismo
Desejo
A realidade na paz
A harmonia na esperança
Sendo imortal numa criança
Com a capacidade de sonhar
sábado, 12 de janeiro de 2008
Heresias citadas
Libertaria comunhão
rezam homens de boa fé
andando na contramão
andando de marcha ré
Cativos das heresias citadas
Crêem, prende-se ao feto
Onde nasce concepções "verdadeiras"
Que não morrem nem por decreto
Se as preces alcançam os céus
Porque preso estamos de fato?
Morais, regras, costumes... e o resto
A vida é um hiato
Isolados, não vemos Deus
Em harmonia, ele é um retrato
Imagens nos deixam presos
As parábolas do passado
E agora, José
As verdades fugiram das verdades
A mente não mais mente, é vida
Desatina inconsequência seguida
Talvez a liberdade seja um fardo
E as prisões, eventuais mentiras
Estaremos cegos ao mundo
Ou o mundo ilude os egos
Acreditei, vivi, chorei
Cadê você, liberdade?
Os preceitos largados fizeram
Morrer na luz do dia - e as verdades,
quem sabe?
rezam homens de boa fé
andando na contramão
andando de marcha ré
Cativos das heresias citadas
Crêem, prende-se ao feto
Onde nasce concepções "verdadeiras"
Que não morrem nem por decreto
Se as preces alcançam os céus
Porque preso estamos de fato?
Morais, regras, costumes... e o resto
A vida é um hiato
Isolados, não vemos Deus
Em harmonia, ele é um retrato
Imagens nos deixam presos
As parábolas do passado
E agora, José
As verdades fugiram das verdades
A mente não mais mente, é vida
Desatina inconsequência seguida
Talvez a liberdade seja um fardo
E as prisões, eventuais mentiras
Estaremos cegos ao mundo
Ou o mundo ilude os egos
Acreditei, vivi, chorei
Cadê você, liberdade?
Os preceitos largados fizeram
Morrer na luz do dia - e as verdades,
quem sabe?
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Solidão Suficiente
Éramos noite e alma
Dos fogos, a luz brindava
Eterna passagem vazia
Que o coração desempedido
Tecia sem chorar
Éramos areia e pés descalços
União do simbolismo e natureza
Orgulho da solidão
Deixada como presente agraciado
Sem a tez e o seu olhar
Éramos boa nova e esperança
Ingênuos na percepção construída
O gelo da fé que não era fria
Pedra dos renegados e isolados
Que não machucava, não machucava
E de tudo, éramos os mesmos
Espelho do que esperávamos
Éramos a luz e o orvalho
Cristalizados na simples imagem
Do só, por feliz estar
Dos fogos, a luz brindava
Eterna passagem vazia
Que o coração desempedido
Tecia sem chorar
Éramos areia e pés descalços
União do simbolismo e natureza
Orgulho da solidão
Deixada como presente agraciado
Sem a tez e o seu olhar
Éramos boa nova e esperança
Ingênuos na percepção construída
O gelo da fé que não era fria
Pedra dos renegados e isolados
Que não machucava, não machucava
E de tudo, éramos os mesmos
Espelho do que esperávamos
Éramos a luz e o orvalho
Cristalizados na simples imagem
Do só, por feliz estar
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Herói dos Dois Mundos (homenagem a Giuseppe Garibaldi)
Em épocas conturbadas
Fome, pestes e empreitadas
Vieste ao mundo, Giuseppe
O proscrito da nação italiana
À liberdade retornar
Não seriam os Bourbons, Pio IX
Ou mesmo os austríacos
Que a Itália repartiam
E muitas lágrimas impeliam
Que o impediriam de lutar
Herói nascido mesmo quando criança
Em cuja alma só havia a esperança
Lançou-se ao mar sem medo
Salvou vidas sem desprezo
Da terrível morte secular
Logo, fora exilado
E o Brasil, o reino consolado
Destino de muitos revolucionários
E pátria onde a liberdade clamava
Fazendo sua espada desembainhar
Onde houvesse iminente pedido
Lá haveria o seu grandioso auxílio
Sendo o corsário em mares perdidos
Ou o guerrilheiro nos pampas cisplatinos
Nada fazia a sua convicção alterar
Em “terra brasilis”
Saboreou a vitória, a derrota
Deixou seu sangue em guerras mortas
E amigos perdidos, nas navalhas e tiros,
Que a Itália nunca mais iriam retornar
Plenitude breve na vida amorosa
Amou Anita como poucos
Raptou-a para si como os loucos
E no amor insano, trazendo-a à guerra
Fez de Laguna seu novo lar
Aqui nasceu o pequeno “Menotti”
Fruto da miscigenação de almas pueris
Filho do vento, a luz da espada
Que o pai utilizava, a mãe acompanhava
No mesmo caminho a trilhar
Nas guerras e batalhas, carisma indelével
Contagiava pessoas experimentadas
E incendiava a aura eterna da juventude
De ter a terra livre ou morrer com hombridade
E assim, exércitos conseguiu formar
Com Bento Gonçalves compartilhou a luta
Montevidéu pediu ajuda
Não se cansava de elogiar a força gaúcha
E prostrado nas farroupilhas
Outras terras buscou alimentar
Seu manto era sua imagem
E qualquer que fosse a viagem
Sempre houve alguém a lhe acompanhar
O seu fiel e gentil escravo
O negro Aguiar
Anistiado de seus “pecados”
1848 foi o ano dos fatos
Retornou para a luta redentora
E com Mazzini, objeto de nova aurora
Para a Itália reunificar
Diversas e outras foram as batalhas
Marchou célere sobre as Sicílias
E teve a “via Appia” como sua segunda casa
Aonde precisassem das mãos armadas
A aguerrida vontade estava a proporcionar
Viveu e morreu em vida
Cuja solidão fora além de um incólume fardo
A jovem e doce Anita morrera após o parto
De um filho que seria benvindo
E a lembrança, a tristeza de recordar
Suas glórias e pessoas amadas
Ficaram descansando sob os solos italianos
E deixaram-no morto, mas respirando
Na perseverança que os verdadeiros heróis possuem:
Poder a pátria restaurar
Exaltemos a sua “buona fortuna”
Deste Garibaldi, filho da coragem
Que em ambos os mundos
Deu a vida pela liberdade, e,
Para que pela eternidade, o hino de Mameli possa... entoar... ecoar...
Fome, pestes e empreitadas
Vieste ao mundo, Giuseppe
O proscrito da nação italiana
À liberdade retornar
Não seriam os Bourbons, Pio IX
Ou mesmo os austríacos
Que a Itália repartiam
E muitas lágrimas impeliam
Que o impediriam de lutar
Herói nascido mesmo quando criança
Em cuja alma só havia a esperança
Lançou-se ao mar sem medo
Salvou vidas sem desprezo
Da terrível morte secular
Logo, fora exilado
E o Brasil, o reino consolado
Destino de muitos revolucionários
E pátria onde a liberdade clamava
Fazendo sua espada desembainhar
Onde houvesse iminente pedido
Lá haveria o seu grandioso auxílio
Sendo o corsário em mares perdidos
Ou o guerrilheiro nos pampas cisplatinos
Nada fazia a sua convicção alterar
Em “terra brasilis”
Saboreou a vitória, a derrota
Deixou seu sangue em guerras mortas
E amigos perdidos, nas navalhas e tiros,
Que a Itália nunca mais iriam retornar
Plenitude breve na vida amorosa
Amou Anita como poucos
Raptou-a para si como os loucos
E no amor insano, trazendo-a à guerra
Fez de Laguna seu novo lar
Aqui nasceu o pequeno “Menotti”
Fruto da miscigenação de almas pueris
Filho do vento, a luz da espada
Que o pai utilizava, a mãe acompanhava
No mesmo caminho a trilhar
Nas guerras e batalhas, carisma indelével
Contagiava pessoas experimentadas
E incendiava a aura eterna da juventude
De ter a terra livre ou morrer com hombridade
E assim, exércitos conseguiu formar
Com Bento Gonçalves compartilhou a luta
Montevidéu pediu ajuda
Não se cansava de elogiar a força gaúcha
E prostrado nas farroupilhas
Outras terras buscou alimentar
Seu manto era sua imagem
E qualquer que fosse a viagem
Sempre houve alguém a lhe acompanhar
O seu fiel e gentil escravo
O negro Aguiar
Anistiado de seus “pecados”
1848 foi o ano dos fatos
Retornou para a luta redentora
E com Mazzini, objeto de nova aurora
Para a Itália reunificar
Diversas e outras foram as batalhas
Marchou célere sobre as Sicílias
E teve a “via Appia” como sua segunda casa
Aonde precisassem das mãos armadas
A aguerrida vontade estava a proporcionar
Viveu e morreu em vida
Cuja solidão fora além de um incólume fardo
A jovem e doce Anita morrera após o parto
De um filho que seria benvindo
E a lembrança, a tristeza de recordar
Suas glórias e pessoas amadas
Ficaram descansando sob os solos italianos
E deixaram-no morto, mas respirando
Na perseverança que os verdadeiros heróis possuem:
Poder a pátria restaurar
Exaltemos a sua “buona fortuna”
Deste Garibaldi, filho da coragem
Que em ambos os mundos
Deu a vida pela liberdade, e,
Para que pela eternidade, o hino de Mameli possa... entoar... ecoar...
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
"Parabolizante"
Uma palavra engana
e discretas parábolas emana
rimam em inconsequentes chamas
é fogo invariável que clama
E a alma se derrama em prantos
significados de nascentes antros
enganando a Deus e outros tantos
imbecis seguindo falsos encantos
Mas agora enxerga o mundo em fatos
sem ilusões de tantos atos
que na mente corrobora agora
Meus Deus!!! Por favor, leve-me embora
Se pequeno enxergasse os céus
crimes de passados ocultos em véus
face delicada de faceira esposa
não seria mais, levada raposa
E de outras pequenas ilusões
sou vítima "parabolizante" de efeitos e atos
hiato perdido em palavras mortas
Meu Deus!!! Quero ir embora
e discretas parábolas emana
rimam em inconsequentes chamas
é fogo invariável que clama
E a alma se derrama em prantos
significados de nascentes antros
enganando a Deus e outros tantos
imbecis seguindo falsos encantos
Mas agora enxerga o mundo em fatos
sem ilusões de tantos atos
que na mente corrobora agora
Meus Deus!!! Por favor, leve-me embora
Se pequeno enxergasse os céus
crimes de passados ocultos em véus
face delicada de faceira esposa
não seria mais, levada raposa
E de outras pequenas ilusões
sou vítima "parabolizante" de efeitos e atos
hiato perdido em palavras mortas
Meu Deus!!! Quero ir embora
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
O apostador
Aquele olhar cativante me invadiu. Não podia acreditar ser o felizardo nesta roleta da vida. Eu era um apostador... sim, apostar era um vício incontrolável. Arriscava tudo o que tinha: dinheiro, amor, felicidade... tudo e em poucos lances. Ganhei muito, mas também perdi. Jogos de azar não foram feitos para "dar sorte". Emprestam por uns míseros segundos até que, uma ambição incontrolável, põe tudo a perder. A ilusão é o maior dos ópios, a impressão de um quase que nunca chega.
Estava, naturalmente, sendo engolido pela roleta. Eu "era" cada uma daquelas moedas perdidas. Tinha a impressão que a vida começava somente após o sinal do recreio - final do sufocante dia de trabalho. Não ía para casa, não jantava e me dirigia ao antro de perdição. Aprendi o que é perder, o que é pegar o salário de um mês inteiro e deixar escorrê-lo pelas mãos, moedas líquidas.
Foram-se, uma a uma, as pessoas impreteríveis - mãe, pai, filhos, amigos - nada mais havia. Moedas e almas, um solitário me tornei. Um hermitão maltrajado, esfarrapado pelas situações que não consegui escapar - intempéries, caos, fenômenos naturais, sol e chuva, que abençoavam e maltratavam ao mesmo tempo. Era um indigente. Os valores transformados me fizeram enferrujar sem perceber minha situação. Mas, face solitária vista diante do espelho pega a compulsão e joga-a no lixo.... lixo no qual acabara de me ver, desfigurado, diante da forte e poderosa compulsão, que outra vez retornava vencedora.
Outros anos foram sendo consumidos. Não havia prosperidade. E continuava arriscando, apostando tudo. Na roleta russa, venci a vida - minha maior vitória - mas voltei para casa com fragmentos do perdedor... sangue, plasma.. pedaços do derrotado. Sem saída.
Apostei tudo também no sexo. Vi muitos morrerem e, inatingível, continuei vivo. A noite era vizinha e desejo dolorido, porém, não me era permitida. Não eram alucinações, não era a depressão. Não era a piedade de poucos ou a imaginação.... um retrato surreal onde espelhos tortos, relógios derretidos, demência constante era arte. E eu, o objeto sem ciência.
Um dia, nas roletas do Gran Cassino, um anjo apareceu. Não era alado ou possuía onipotente brilho alveo - não abriu os céus com fogos e carruagens, somente lançou-me um olhar. Era de carne e osso. Uma mulher... sim, uma linda mulher. De tanta carne quanto eu pensava ter. Pensava.
Novamente, a impressão da vida vagava oceanos. "O que seria a vida?" - pensamentos que foram ganhando a claridade da sanidade. "O que estava fazendo comigo?". Quanto tempo havia se passado? Estava perdido.
Pesadelo. Ao meu lado da cama, minha esposa permanecia nos sonhos. Era a face emprestada ao anjo salvador - pedindo-me, suplicando, que parasse de apostar. A tendência genética à compulsão poderia se manifestar em mim. Numa fração de segundo, pude viver aquilo que me pareceu apenas uma leve diversão. Tentadora, mas leve diversão. O tempo abriu uma lacuna, vivências imaginárias, que puderam me despertar do caminho que, fatalmente, iria me atrair.
Parei. Intimamente agradeci a sóbria sensação - pecados não cometidos. E fui embora com a minha esposa, ciente, de que acabara de obter a salvação.
Estava, naturalmente, sendo engolido pela roleta. Eu "era" cada uma daquelas moedas perdidas. Tinha a impressão que a vida começava somente após o sinal do recreio - final do sufocante dia de trabalho. Não ía para casa, não jantava e me dirigia ao antro de perdição. Aprendi o que é perder, o que é pegar o salário de um mês inteiro e deixar escorrê-lo pelas mãos, moedas líquidas.
Foram-se, uma a uma, as pessoas impreteríveis - mãe, pai, filhos, amigos - nada mais havia. Moedas e almas, um solitário me tornei. Um hermitão maltrajado, esfarrapado pelas situações que não consegui escapar - intempéries, caos, fenômenos naturais, sol e chuva, que abençoavam e maltratavam ao mesmo tempo. Era um indigente. Os valores transformados me fizeram enferrujar sem perceber minha situação. Mas, face solitária vista diante do espelho pega a compulsão e joga-a no lixo.... lixo no qual acabara de me ver, desfigurado, diante da forte e poderosa compulsão, que outra vez retornava vencedora.
Outros anos foram sendo consumidos. Não havia prosperidade. E continuava arriscando, apostando tudo. Na roleta russa, venci a vida - minha maior vitória - mas voltei para casa com fragmentos do perdedor... sangue, plasma.. pedaços do derrotado. Sem saída.
Apostei tudo também no sexo. Vi muitos morrerem e, inatingível, continuei vivo. A noite era vizinha e desejo dolorido, porém, não me era permitida. Não eram alucinações, não era a depressão. Não era a piedade de poucos ou a imaginação.... um retrato surreal onde espelhos tortos, relógios derretidos, demência constante era arte. E eu, o objeto sem ciência.
Um dia, nas roletas do Gran Cassino, um anjo apareceu. Não era alado ou possuía onipotente brilho alveo - não abriu os céus com fogos e carruagens, somente lançou-me um olhar. Era de carne e osso. Uma mulher... sim, uma linda mulher. De tanta carne quanto eu pensava ter. Pensava.
Novamente, a impressão da vida vagava oceanos. "O que seria a vida?" - pensamentos que foram ganhando a claridade da sanidade. "O que estava fazendo comigo?". Quanto tempo havia se passado? Estava perdido.
Pesadelo. Ao meu lado da cama, minha esposa permanecia nos sonhos. Era a face emprestada ao anjo salvador - pedindo-me, suplicando, que parasse de apostar. A tendência genética à compulsão poderia se manifestar em mim. Numa fração de segundo, pude viver aquilo que me pareceu apenas uma leve diversão. Tentadora, mas leve diversão. O tempo abriu uma lacuna, vivências imaginárias, que puderam me despertar do caminho que, fatalmente, iria me atrair.
Parei. Intimamente agradeci a sóbria sensação - pecados não cometidos. E fui embora com a minha esposa, ciente, de que acabara de obter a salvação.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Expectativa
Cada calo na mão macia
Grifa na memória todas lutas
Queimando sob o sol ou noite fria
Em mais um dia de labuta
A terra de frutos incólumes
Floriram em solo pobre
Doces horas, lúcido passado
Iludido futuro de um sabor amargo
De todas as destruições, nasceram vidas
Da geada queimando aonde o orvalho batia
Das queimadas fartas dos homens de almas frias
Do meu próprio pensar, quando pobre ser cria
Mas, de cada ação, sempre sobra o gesto
Da persistência surgem as respostas
E mesmo que não seja a hora
A recompensa há de chegar
Grifa na memória todas lutas
Queimando sob o sol ou noite fria
Em mais um dia de labuta
A terra de frutos incólumes
Floriram em solo pobre
Doces horas, lúcido passado
Iludido futuro de um sabor amargo
De todas as destruições, nasceram vidas
Da geada queimando aonde o orvalho batia
Das queimadas fartas dos homens de almas frias
Do meu próprio pensar, quando pobre ser cria
Mas, de cada ação, sempre sobra o gesto
Da persistência surgem as respostas
E mesmo que não seja a hora
A recompensa há de chegar
domingo, 6 de janeiro de 2008
Igno-r-ânsia
Blergh!!!
Estupidamente
Estupidas mentes
Burrice, se burro tivesse "se"
Limitam-me a expandir-te
Quanta ignorância... ânsia
De ignorante
Não dos que não sabem, afinal, qual sua culpa?!
Mas dos que sabem e, por natureza, pegam o caminho oposto
Tento... igno-"rá"-los!! Não qualificá-lo
Se contramão, por que bater de frente
Se proibido for parar ou estacionar, pra que complicar?
São estas mentes... estupidamente egoístas, que
Nos inspiram a agir como irmãos.
Neste mundo cheio de caos,
Pra que criar mais um animal?!
Estupidamente
Estupidas mentes
Burrice, se burro tivesse "se"
Limitam-me a expandir-te
Quanta ignorância... ânsia
De ignorante
Não dos que não sabem, afinal, qual sua culpa?!
Mas dos que sabem e, por natureza, pegam o caminho oposto
Tento... igno-"rá"-los!! Não qualificá-lo
Se contramão, por que bater de frente
Se proibido for parar ou estacionar, pra que complicar?
São estas mentes... estupidamente egoístas, que
Nos inspiram a agir como irmãos.
Neste mundo cheio de caos,
Pra que criar mais um animal?!
sábado, 5 de janeiro de 2008
A glória de amar
O lento caminho
se conduz com grilhões apertados
sapatos sufocantes - puro aço
limitando o espaço ao crime do luar.
Amava lentamente
na velocidade permitida aos pés
preso na prisão da alma insana
tormento infeliz que tanto emana
sem a possibilidade de chorar.
E ainda lento, vou ao leito
prorrogar o mísero tempo perdido
imensa tempestade, acumula e invade
levando-o consigo
mesmo perdido em seu infinito
a glória de amar.
Qualquer hora
seja eterna, seja vida
e retorne na menina
em ti brincar
se conduz com grilhões apertados
sapatos sufocantes - puro aço
limitando o espaço ao crime do luar.
Amava lentamente
na velocidade permitida aos pés
preso na prisão da alma insana
tormento infeliz que tanto emana
sem a possibilidade de chorar.
E ainda lento, vou ao leito
prorrogar o mísero tempo perdido
imensa tempestade, acumula e invade
levando-o consigo
mesmo perdido em seu infinito
a glória de amar.
Qualquer hora
seja eterna, seja vida
e retorne na menina
em ti brincar
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Memória escondida
O passado me fascina. O crime das pessoas ausentes, o amor tresloucado dos dementes - o que foi e continua sendo. Os sentimentos que nasceram e morreram, todos iguais. Os seres que surgem do "nada" e ao nada retornam. É a beleza móvel do fato. É a triste solidão do retrato. É a ternura eterna marcada na teia. É a memória cega que a todos incendeia.
O passado me é passado. A nostalgia é presente, persegue a felicidade fugida. Sai na noite, lua tingida, em cores negadas pela natureza - a destruição do homem e toda sua beleza. E o cântico de amor, em auroras válidas, deixava o objeto perdido no espaço. O tempo se escoa, a Lua se transforma.... o homem morre, nada mais é o mesmo.
O passado é perseguido. Os momentos de semelhança adquirem sentido. Negados são os fatos isolados - cometas de vida única - que não se repetem, assim como o homem, e se perdem no seu valor. Apesar da riqueza da sua presença - qual comparação isolada pode ser completa?
A morte é presente. O passado é testamento - traços de nossa história, documentos de todo dia. Riqueza na mente de poucos e destruição crítica para a maioria, cuja boca reverte o fel de vida - desespero de "ser" quem "é" e se esquece nas mixarias, na maldade porca que poluí o mundo. Opinião dos poucos segundos, desperdiçadas.
O passado me é passado. A nostalgia é presente, persegue a felicidade fugida. Sai na noite, lua tingida, em cores negadas pela natureza - a destruição do homem e toda sua beleza. E o cântico de amor, em auroras válidas, deixava o objeto perdido no espaço. O tempo se escoa, a Lua se transforma.... o homem morre, nada mais é o mesmo.
O passado é perseguido. Os momentos de semelhança adquirem sentido. Negados são os fatos isolados - cometas de vida única - que não se repetem, assim como o homem, e se perdem no seu valor. Apesar da riqueza da sua presença - qual comparação isolada pode ser completa?
A morte é presente. O passado é testamento - traços de nossa história, documentos de todo dia. Riqueza na mente de poucos e destruição crítica para a maioria, cuja boca reverte o fel de vida - desespero de "ser" quem "é" e se esquece nas mixarias, na maldade porca que poluí o mundo. Opinião dos poucos segundos, desperdiçadas.
Andarilho
Busco a inspiração no toque suave de Deus
Busco a afirmação lutando contra as adversidades
Busco a felicidade nos olhos que sorriem para mim
E a paz, encontro ao lado, florindo no belo jardim
Viajando por distantes paragens, procurei
Conhecendo mundos, culturas, magias, refleti
Andando sobre os mares petrificados, encontrei
A verdade dentro de mim
Chorando, olhei para os céus e me reconheci
Na nuvem que sorria
Mostrando ao mundo o lugar, que a passos largos
Haverei de alcançar
Busco a afirmação lutando contra as adversidades
Busco a felicidade nos olhos que sorriem para mim
E a paz, encontro ao lado, florindo no belo jardim
Viajando por distantes paragens, procurei
Conhecendo mundos, culturas, magias, refleti
Andando sobre os mares petrificados, encontrei
A verdade dentro de mim
Chorando, olhei para os céus e me reconheci
Na nuvem que sorria
Mostrando ao mundo o lugar, que a passos largos
Haverei de alcançar
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Parte
Parte desta dor não parte
Face desse amor destrói
é ácido o resquício do beijo
e arde mais na alma, desejo
Parte dessa arte é só parte
Arte sem pincéis ou caneta, partitura ou letra
Não produz som, ninguém vê
e entoa um grito único, ensurdeço
Parte de tudo é passado
O tudo que chega é futuro
Parte passada está presa
Inoculada permanentemente
no fundo da mente
Parte peçanha corrói, fica e dói
Parte futuro não chega a quem almeja
A parte não parte, e fico - chorando e sorrindo
Delirando no que foi partido..... partiu
Face desse amor destrói
é ácido o resquício do beijo
e arde mais na alma, desejo
Parte dessa arte é só parte
Arte sem pincéis ou caneta, partitura ou letra
Não produz som, ninguém vê
e entoa um grito único, ensurdeço
Parte de tudo é passado
O tudo que chega é futuro
Parte passada está presa
Inoculada permanentemente
no fundo da mente
Parte peçanha corrói, fica e dói
Parte futuro não chega a quem almeja
A parte não parte, e fico - chorando e sorrindo
Delirando no que foi partido..... partiu
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Realidade
Gostaria de ser
O que não vivi, não senti, não deitei
Não vibrei, engoli, reclamei
Gostaria de ser
O que não chorei, respirei e amei
O que não gritei, desabei e morri
Gostaria de ter
Copo d´água, flor e lápis
Junto ao sal, mente pura, inspiração
E como gostaria
De ter passado no presente, cada dor e sofrimento
Longas horas de outros tormentos
E na lápide esperar a gratidão
Palavras escritas na amizade
Nobre e vital, escritas postumas
Mentiras ao pó da verdade
Gostaria - não mais possível
Do que fui só resta a imagem
Gostaria, outra vez tendo
O seu presente, realidade
O que não vivi, não senti, não deitei
Não vibrei, engoli, reclamei
Gostaria de ser
O que não chorei, respirei e amei
O que não gritei, desabei e morri
Gostaria de ter
Copo d´água, flor e lápis
Junto ao sal, mente pura, inspiração
E como gostaria
De ter passado no presente, cada dor e sofrimento
Longas horas de outros tormentos
E na lápide esperar a gratidão
Palavras escritas na amizade
Nobre e vital, escritas postumas
Mentiras ao pó da verdade
Gostaria - não mais possível
Do que fui só resta a imagem
Gostaria, outra vez tendo
O seu presente, realidade
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Cada hora, breve neve
Lua, noite menina
Perto da vida - não vá
Cria semente, pura neblina
Cerra os olhos - encontrará
Sonho criança, toda esperança
Luz do divino, reinará
E cada calice tilinta novo ano
E cada flor transforma o tamanho
E cada chuva alegra o campo
E nesta hora compreendo o encanto
Que todo dia, sol e vida, faz nascer
Que toda hora, se transforma, amanhecer
Que meus lamentos, sentimentos, vão viver
Pele morena - e dourada - que foi largada
me fez morrer
Agora é hora de lutar
E que as lágrimas venham engrandecer
Que cada choro, vida, renascer
Faça tudo isso, breve neve, em você
Perto da vida - não vá
Cria semente, pura neblina
Cerra os olhos - encontrará
Sonho criança, toda esperança
Luz do divino, reinará
E cada calice tilinta novo ano
E cada flor transforma o tamanho
E cada chuva alegra o campo
E nesta hora compreendo o encanto
Que todo dia, sol e vida, faz nascer
Que toda hora, se transforma, amanhecer
Que meus lamentos, sentimentos, vão viver
Pele morena - e dourada - que foi largada
me fez morrer
Agora é hora de lutar
E que as lágrimas venham engrandecer
Que cada choro, vida, renascer
Faça tudo isso, breve neve, em você
Inspiração Perdida
Cada página arrancada
Uma inspiração perdida
Fogo e noite enluarada
Lágrimas desastradas
Teimam fugir na despedida
Solidão em dose dupla
Verbos não mais conjugados
Apenas grandes amigos
Deste destino perdido
Não mais enamorados
No hoje, o passado morreu
Sentimento que era forte e real
Estou orfão do seu peito
Minha alma, um vendaval
Arrasado, nova perda
Em jogo que não se agrega
Cada qual, para o seu lado
Isto é tudo o que nos resta
Uma inspiração perdida
Fogo e noite enluarada
Lágrimas desastradas
Teimam fugir na despedida
Solidão em dose dupla
Verbos não mais conjugados
Apenas grandes amigos
Deste destino perdido
Não mais enamorados
No hoje, o passado morreu
Sentimento que era forte e real
Estou orfão do seu peito
Minha alma, um vendaval
Arrasado, nova perda
Em jogo que não se agrega
Cada qual, para o seu lado
Isto é tudo o que nos resta
Partícula
Amanheceu na força pela liberdade
E congelado pela insensibilidade humana
"No céu não há glórias - guerra traduz história
E na terra, perto do peito, irracionalidade latente
Do homem que tromba de frente e, continua
A ser o mesmo demente"
Como sujeito da inércia do mundo, do ato
Desencadeado pelas reações - mundo de ilusões
De que a coerção pode tudo superar
Notoriamente todos os títulos se tornaram abstratos
A inversão de valores maniqueístas
Será a glória do bem ou do mal!!!
Aqui, só o bruto é matéria
Na qual o açoite acaricia a alma
No encontro da pequena e valiosa partícula
Da lágrima que purifica
E congelado pela insensibilidade humana
"No céu não há glórias - guerra traduz história
E na terra, perto do peito, irracionalidade latente
Do homem que tromba de frente e, continua
A ser o mesmo demente"
Como sujeito da inércia do mundo, do ato
Desencadeado pelas reações - mundo de ilusões
De que a coerção pode tudo superar
Notoriamente todos os títulos se tornaram abstratos
A inversão de valores maniqueístas
Será a glória do bem ou do mal!!!
Aqui, só o bruto é matéria
Na qual o açoite acaricia a alma
No encontro da pequena e valiosa partícula
Da lágrima que purifica
Sombras etílicas
Estranha exigência. A criação de um futuro sóbrio e sombrio é o manifesto da vida - o poder etílico que inebria as ações, e indeterminadas sombras ocultam o áureo poder consciente. A ilusão do perseguir, incerto de finalidade - não é sério objetivo, incongruentes pensamentos, disparam lanças a todos os lados. E na cegueira momentânea, incerteza eterna, dos passos, dos caminhos, das glorias e derrotas - que, um dia, aparecem.
E os que correram atrás. Mas, do que!!! Pergunta o nobre. Não vêem com bons olhos o que se constrói no caminho, pois a incerteza não é remédio e maltrata a alma - a fuga da realidade inerente a ela mesma só existe em sua contraposição - é liberta na capacidade de enxergá-la e se concretiza no tormento de não ser dono, em plenos lamentos da sua própria possibilidade de "ser".
O eco se derrama sobre as pedras, e rebate o que deve ser resolvido. Ouvindo suas próprias palavras, expressões do seu individualismo, o homem que estava sorrindo, novamente viaja em lamentos. A glória que acreditava ser vida, e ações, verdades ditas, tem nas pequenas pedras poderosas, a força de sua insignificância.
Onde os animais selvagens são humanos, e devoram a si mesmo. Não há fome ou adversidade - diversidade em pensamentos - e na triste conclusão obtida, é fraco, não é correto e nem ao menos sabe o caminho do seu leito - o eterno retornar.
E os que correram atrás. Mas, do que!!! Pergunta o nobre. Não vêem com bons olhos o que se constrói no caminho, pois a incerteza não é remédio e maltrata a alma - a fuga da realidade inerente a ela mesma só existe em sua contraposição - é liberta na capacidade de enxergá-la e se concretiza no tormento de não ser dono, em plenos lamentos da sua própria possibilidade de "ser".
O eco se derrama sobre as pedras, e rebate o que deve ser resolvido. Ouvindo suas próprias palavras, expressões do seu individualismo, o homem que estava sorrindo, novamente viaja em lamentos. A glória que acreditava ser vida, e ações, verdades ditas, tem nas pequenas pedras poderosas, a força de sua insignificância.
Onde os animais selvagens são humanos, e devoram a si mesmo. Não há fome ou adversidade - diversidade em pensamentos - e na triste conclusão obtida, é fraco, não é correto e nem ao menos sabe o caminho do seu leito - o eterno retornar.
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