Espírito revolucionário
Alma ativa
Deixaste de viver o ostracismo
Da vida
Envolto em idéias sãs
Transversal ao seu tempo
Caminhos diferentes, novas posições
Mostrando ao mundo o direito que herdou
Como todos inovadores, fora rejeitado
Perderá ao fogo, o brilho das mãos
Inativo e julgado, posto de lado
Distante de sua posição
Guilhotinado no caminho
Interrompido o exercício
E ficou a lição
"Povos do mundo, sois livres, por que na terra
vim e aqui morri para mostrar sua condição"
Mesmo longe da perfeição
Útil o execrado, lado a lado
Tornou-se certo
No errado do passado
domingo, 15 de junho de 2008
Liberdade
Não gosto de ficar presos as palavras
Não desejo a limitação do mundo
Não ensejo grandes sabedorias
Ao pequeno cérebro obtuso
Não choro na ideologia intangível
Não grito no desespero real
Não vivo as agonias da mente
Refratadas no mundo ideal
Não espero mais do que o amanhã
Nem reflito o que vi ontem
Dual em plena sinergia
Espero de toda idolatria
Liberdade encontrar
Não desejo a limitação do mundo
Não ensejo grandes sabedorias
Ao pequeno cérebro obtuso
Não choro na ideologia intangível
Não grito no desespero real
Não vivo as agonias da mente
Refratadas no mundo ideal
Não espero mais do que o amanhã
Nem reflito o que vi ontem
Dual em plena sinergia
Espero de toda idolatria
Liberdade encontrar
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Crônica dos temperamentos impossíveis
Outro dia presenciei uma violenta discussão entre um casal amigo. Recém-casados, vitimas de uma gravidez indesejada, mal tiveram a chance de se conhecerem... foi pá, pum.... e a notícia estranhamente recebida pelos amigos e familiares.
-"Quem diria que, justamente o Paulo, um moleque que ainda brinca de videogames e carrinhos de controle remoto, iria se casar por este motivo" - comentava uma das parentes mais próximas.
Todos sabíamos bem o amigo que tínhamos. Sim, tínhamos. Este mudou completamente após os últimos eventos. Hoje, vejo-o com terno e gravata, falando de fraldas e papinhas... quem diria. Como é interessante vê-lo mudar do vinho para a água.... opsss, da água para o vinho. Desculpem o ato falho de um amigo que ainda desejava muitas outras baladas. Após o casamento muita coisa mudou.
Confidencialmente, em nossa última conversa, a dificuldade da vida matrimonial. Casou e herdou uma sogra... e, principalmente, um passado. As pessoas "abobadamente" dizem sim perante o juiz, e logo após, estão reclamando das cuecas e calcinhas jogadas pela casa. A bendita tampa do vaso sanitário. A mania de tirar caquinha do nariz. Por quê, depois de casado, a vida parece perder tanto o glamour? Mistérios do mundo animal.
Sempre pensei na possibilidade de novas matérias serem inseridas nas grades do Ensino Fundamental, matérias como: Casamento, as besteiras possíveis ou as dificuldades da relação a dois. Enfim, ensinos práticos que auxiliariam na tomada de decisões - muitas cagadas seriam evitadas.
Solteiro convicto. Ou pelo menos até tal insanidade me acometer. Vejo casais de digladiando quase até a morte. Pólos opostos na atração, pólos semelhantes na repulsa magnética. Outro amigo, vitima de 5 anos de enrolação (namoro e noivado) confessou-me o seguinte:
-"Amigo, resolvi casar por não agüentar tanta pressão, por mim continuaria solteiro por mais uns 2 ou 3 anos".
-"Mas tive que ceder.... de cada 3 palavras 2 eram.... "Quando iremos nos casar, amorzinho!!!"" - disse em tom de escárnio, imitando a voz da namorada.
-"Assim não é possível" - respondi tentando amenizar a culpa que ele parecia sentir, seja por abandonar os amigos ou pela própria incapacidade de prorrogar tal situação.
Não entendo como as pessoas deixam-se levar por atitudes claramente errôneas. Por amor, algumas pessoas fogem, outras matam, algumas agridem. Poucas são as que amam para a eternidade, manifestando tais sentimentos em atos até o fim da vida.
A voz da coerência se perde com o nascimento do amor. Que o amor, então, venha - vejamos se essa insanidade irá nos derrubar ou se seremos vencedores dessa batalha. Dentre guerreiros e mortos, que algo sobreviva. Que assim seja.
-"Quem diria que, justamente o Paulo, um moleque que ainda brinca de videogames e carrinhos de controle remoto, iria se casar por este motivo" - comentava uma das parentes mais próximas.
Todos sabíamos bem o amigo que tínhamos. Sim, tínhamos. Este mudou completamente após os últimos eventos. Hoje, vejo-o com terno e gravata, falando de fraldas e papinhas... quem diria. Como é interessante vê-lo mudar do vinho para a água.... opsss, da água para o vinho. Desculpem o ato falho de um amigo que ainda desejava muitas outras baladas. Após o casamento muita coisa mudou.
Confidencialmente, em nossa última conversa, a dificuldade da vida matrimonial. Casou e herdou uma sogra... e, principalmente, um passado. As pessoas "abobadamente" dizem sim perante o juiz, e logo após, estão reclamando das cuecas e calcinhas jogadas pela casa. A bendita tampa do vaso sanitário. A mania de tirar caquinha do nariz. Por quê, depois de casado, a vida parece perder tanto o glamour? Mistérios do mundo animal.
Sempre pensei na possibilidade de novas matérias serem inseridas nas grades do Ensino Fundamental, matérias como: Casamento, as besteiras possíveis ou as dificuldades da relação a dois. Enfim, ensinos práticos que auxiliariam na tomada de decisões - muitas cagadas seriam evitadas.
Solteiro convicto. Ou pelo menos até tal insanidade me acometer. Vejo casais de digladiando quase até a morte. Pólos opostos na atração, pólos semelhantes na repulsa magnética. Outro amigo, vitima de 5 anos de enrolação (namoro e noivado) confessou-me o seguinte:
-"Amigo, resolvi casar por não agüentar tanta pressão, por mim continuaria solteiro por mais uns 2 ou 3 anos".
-"Mas tive que ceder.... de cada 3 palavras 2 eram.... "Quando iremos nos casar, amorzinho!!!"" - disse em tom de escárnio, imitando a voz da namorada.
-"Assim não é possível" - respondi tentando amenizar a culpa que ele parecia sentir, seja por abandonar os amigos ou pela própria incapacidade de prorrogar tal situação.
Não entendo como as pessoas deixam-se levar por atitudes claramente errôneas. Por amor, algumas pessoas fogem, outras matam, algumas agridem. Poucas são as que amam para a eternidade, manifestando tais sentimentos em atos até o fim da vida.
A voz da coerência se perde com o nascimento do amor. Que o amor, então, venha - vejamos se essa insanidade irá nos derrubar ou se seremos vencedores dessa batalha. Dentre guerreiros e mortos, que algo sobreviva. Que assim seja.
domingo, 8 de junho de 2008
Na algibeira de Deodoro
Assim como flecha em direção ao inimigo. Como coroas construídas e pétalas despedaçadas. Como a vida cíclica que finda na velhice, e teima em continuar nos descendentes. Pobre de mim. Na imortalidade conferida a um objeto, nunca serei sujeito. Deixe a história se fazer, que lhos venho contar.
Das minas do quadrilátero ferrífero à corte do Rio de Janeiro, um longo caminho - de transformações, prensas e separações - decidiu o meu eterno destino: ser uma moeda. Saber o que é ter e perder o valor, mas essa é uma outra história.
Sendo uma moeda fui manipulada por diversas mãos - presenciei vidas e mortes, casos e fatos, amores e tragédias. E seria apenas mais uma moeda se não fosse especial para o mundo: A primeira moeda da República do Brasil. O ano grifado em mim, 1889.
Vocês, que conhecem história, podem me perguntar: "A República não foi proclamada em meados de novembro, como seria possível ter sido cunhada e entrar em circulação ainda neste ano?". Nem o melhor dos ouvires do Império ou a melhor das Repúblicas conseguiria essa eficiência em tão pouco tempo. Mistérios. Coisas que somente eu posso contar.
Era tarde. Dia 17 de outubro. A casa de Fundição trabalhava a todo o vapor, e eu estava pronta para ser transformada em mais uma das milhares de moedas de 100 réis imperiais, quando o Marechal chegou. A sua figura era bastante respeitada, apesar da aparência contraditória e das conseqüentes piadas que corriam sobre sua pessoa - afinal, como todos os seres humanos, as inconstâncias e "pecados" faziam parte de sua alma animal.
Um dos homens que acompanhava o Marechal, Sr. Benjamim Constant, se aproximou de um funcionário que trabalhava na prensa e ordenou que a matriz fosse alterada, entregando a que havia consigo - matriz que me deu as formas que preservo até hoje, mesmo com mais de um século de existência. Apesar de certa relutância, o funcionário cedeu. E o primeiro dos símbolos da República nasceu, antes do parto, que seria "normal" quase um mês depois.
Nunca me esquecerei a felicidade de Deodoro ao me pegar em suas mãos. Observava o meu brilho, de metal trabalhado e novo. Seus olhos refletiam com a mesma intensidade que, sendo eu criança neste mundo, não conseguiria perceber naquele momento - olhos de quem sente o poder nas mãos. Não que eu fosse tão poderosa, afinal qual poder teria uma única moeda... ou estaria enganada. Sim, eu estava. Eu era um símbolo - carregava o maior dos poderes, o ideológico. E seria indispensável para o fortalecimento dessas idéias, essencialmente libertárias.
Já era noite quando saíram da casa de Fundição. Nas mãos de Deodoro, encontrava o aconchego do primeiro dos muitos "pais" que tive. Colocou-me em sua algibeira num espaço separado das outras moedas, montou em seu cavalo e saímos, juntamente com a sua comitiva, em direção a uma casa na Rua Direita - sobrado no qual se reuniam para a mobilização de forças e discussão das medidas a serem adotadas.
Deodoro da Fonseca estava armando o futuro. E todos, sem exceção, me esperavam ansiosamente - uma simples moeda. Instrumento de uma propaganda fortalecedora para a verdadeira independência de Portugal. Tirou-me da algibeira e exibindo-me como se fosse um troféu, afirmou em voz alta:
- "Devemos caracterizar a nossa legitimidade, alterar a face imperial e deveras colonial que aqui se instaurou desde os primórdios. Nossa república demora a eclodir....e agora, como em épocas antigas, seremos legítimos e verdadeiramente livres para atender aos nossos interesses, de brasileiros".
- "Que a face do império seja extinta, e que surja a efígie da república" - forte frase que encontrou entusiasmada aclamação na voz séria do nosso Marechal, e primeiro Presidente.
Quem conhece o poder, prova de seu licor, não ousa largá-lo. É como o vício dos bêbados, a ganância dos avaros, o fanatismo dos fiéis. O poder estimula uma disputa interior essencialmente maniqueísta - a diferença entre o próprio e o coletivo. Afinal, não existe nada que seja bom para o mundo que não seja melhor para aquele que vive o poder, mesmo carregando as mais puras palavras.
Deodoro, que provou de seu delicioso licor, tentou ficar mais tempo do que o estipulado - não conseguiu. Certamente saberia prorrogar tal sensação se tivesse a mesma habilidade política de Getúlio Vargas. E imaginar que, nesta época, este era apenas um rapazote gaúcho que escondia medos e incertezas - tive a possibilidade de conhecê-lo. Se tornou grande e amado, mesmo sendo ditador.
Volto agora no tempo. No dia em fui comprada num sebo em Pinheiros - na praça Benedito Calixto. Local onde tive a possibilidade de conhecer aqueles olhos que souberam me enxergar, e que hoje podem dizer tudo o que eu tenho para contar.
Ao nosso redor: móveis seculares, roupas, selos, câmeras fotográficas.... muita velharia; ou melhor, antigüidade. A praça estava tomada pelos transeuntes e mercadores. Ouvia-se ao fundo o som de uma vitrola 78 rotações, com aqueles enormes e pesados discos de cerâmica - meu Deus, como o mundo se transforma!!! Sentia os raios de um domingo de sol, após ter ficado vários dias fechada numa caixa com outras moedas. Moedas tão antigas quanto eu, e que certamente guardam diversas histórias - mas não tão raras, visto que sou única. Porém, naquele espaço, éramos todas iguais.
Percebia traços, pessoas, roupas - um mundo totalmente diferente daquele primeiro que presenciei. Onde era comum percorrer as mãos de homens vestidos com fraques e cartolas, exibindo seus bens e títulos. E também outras mãos, de homens maltrajados e tratados na ignorância - discriminados apesar da utilidade, da força, do caráter que construíram este país. Tempos tumultuosos encontrávamos na capital. Ouvia-se o brado dos negros livres.
Se houvesse um humano capaz de ter a vida eterna, certamente ele iria se horrorizar com tantas diferenças - com essa cultura mutável, que cria e destrói ao mesmo tempo, e produz um mundo de coisas totalmente normais a partir do inconcebível. Algumas dessas criações sendo a essência de Deus e outras, a sua destruição. Que a liberdade do homem o leve a escolhas benéficas, e que a sua vontade não seja a imposição dos outros.
Sempre me perguntei por que fui a escolhida para presenciar a história. Sabe-se lá o que nos leva a presenciar tais situações, ainda por cima sendo a única moeda que, naquele ano, dignamente estampava: "República dos Estados Unidos do Brazil". Isso mesmo, moeda de uma época em que Brazil ainda se escrevia com "z". E o nosso lema "Ordem e Progresso" era o positivismo em forma de ação, não a esperança em forma de propaganda política - procurei durante anos tal ordem e progresso; difícil num país que já surgiu com complexo de inferioridade.... Estados Unidos. Eu e minhas divagações. Voltemos a história.
Naquela mesma noite, Deodoro me levou para sua casa. Apresentou-me o seu lar e a única pessoa de sua convivência diária, sua esposa. Seus filhos já eram crescidos e tinham suas respectivas famílias. Contavam apenas com alguns poucos empregados.
Já em seu leito, segurava-me em suas mãos e observava as formas da qual era pai - porém, me levava para a cama como se fosse uma de suas amantes. O desejo que se escondia naquele brilho era muito maior - e foi uma longa história de amor. Tornei-me a amante de Deodoro aos olhos de sua esposa, que não tinha ciúme. Esta sabia do imenso amor que movia Deodoro, objetivo primário em sua vida: instaurar a República e o ser Presidente. Intimamente tinha medo dessa ambição do marido, mas quem era ela para contrariá-lo.
Deodoro carregava-me para todos os lados. E assim foi por anos, mesmo após o grande Marechal ter se tornado o primeiro Presidente do país. Fui seu amuleto, e modelo para as demais moedas da nova República, durante praticamente dois anos. Recebi seu amor e gratidão - e ouvi muitos de seus pensamentos que não ousava proferir a nenhuma alma viva. Certamente queria que o acompanhasse eternamente, e que, na sua falta, ficasse para seus filhos e descendentes. Porém, outros destinos estavam reservados para mim.
Corria o ano de 1891. O Marechal andava preocupado com a pressão civil e a do Congresso - que havia o eleito nesse mesmo ano. Como sempre, antes de dormir, ficava me segurando e olhando. Devia estar pedindo aos céus a boa sorte que sempre o acompanhou. Sobreviveu a diversas guerras e agora estava sendo difícil "sobreviver" no poder, como desejava.
Em seu leito, sua esposa pediu-lhe que apagasse o queimador. O que o fez, colocando-me na sua algibeira. Em poucos segundos, da escuridão surge o ronco dos que estão no mundo dos sonhos. A noite caminhava na tranqüilidade que era possível ao Rio de Janeiro no final daquele século, quando, de repente, outras mãos buscaram-me dentro da algibeira de Deodoro e me esconderam no fundo de um bolso. Não consegui enxergar quem era a pessoa, e muito menos entender o que estava acontecendo. Mas sabia que somente poderiam ser a sua esposa ou algum de seus empregados, os únicos que residiam naquela casa.
No dia seguinte, ainda no fundo daquele bolso - de tecido sedoso e extremamente confortável, uma mão me pegou. Era a esposa de Deodoro.
- "Maldito Deodoro. Desgraçado. Como ousou me trair.. "
- "Agora verá como se retribui uma traição. E todas as noites que me fez passar acordada, nervosa, enquanto dormia como um anjo".
Será que ela, após dois anos de convivência pacífica, ficou com ciúmes de mim - uma simples moeda. Certamente não seria para tanto. E não era. Continuou caminhando apressadamente pelas ruas difamando o Presidente para todos os que quisessem ouvir.
- "Sr. Presidente. Mais de 40 anos de casados para serem jogados fora dessa maneira" - dizia furiosamente nas estreitas ruas do centro.
- "Trair-me com aquela mulata Alzira!!! Porco desgraçado!!!". Agora o crime tinha um enredo, conteúdo.
Cansei de presenciar as traições do Presidente, que mesmo com mais de 60 anos, era um compulsivo sexual. Todos sabiam dos pecados de Deodoro, mas santo-de-casa, além de não fazer milagres, muitas vezes não enxerga que convive com o Diabo. É mais fácil ver luxurias em olhos santos do que imaginar um dos seus sendo o maior dos pecadores. No dia anterior, Deodoro havia agarrado a empregada e certamente havia sido flagrado.
Uma raiva violenta subiu-lhe a cabeça. Vingança. Sabia que Deodoro tinha me como o seu bem material mais precioso, e saberia o que fazer comigo.
De repente ela pára na banca de jornal do Sr. Joaquim, e compra um exemplar de "O paiz" - fui como parte do pagamento, como uma qualquer. E me perdi no mundo, passando imperceptível por milhares de mãos.
Pouco tempo depois, na mão de um italiano no interior de Minas Gerais, fiquei sabendo que o Marechal não era mais o Presidente, e no ano seguinte, no caixa de uma padaria, fiquei sabendo de sua morte. Era 1892, nunca esquecerei. Aquele alagoano que resistiu a muitas batalhas e guerras como a do Paraguai e da Cisplatina, não soube perder, e se deixou morrer.
E continuei seguindo a minha trajetória. Percorri diversos Estados, e até conheci o exterior. O mundo realmente é grande - a mente das pessoas é que é pequena. Vivi muitas vidas, aventuras, numa única existência... histórias, que ficam para a próxima.
Das minas do quadrilátero ferrífero à corte do Rio de Janeiro, um longo caminho - de transformações, prensas e separações - decidiu o meu eterno destino: ser uma moeda. Saber o que é ter e perder o valor, mas essa é uma outra história.
Sendo uma moeda fui manipulada por diversas mãos - presenciei vidas e mortes, casos e fatos, amores e tragédias. E seria apenas mais uma moeda se não fosse especial para o mundo: A primeira moeda da República do Brasil. O ano grifado em mim, 1889.
Vocês, que conhecem história, podem me perguntar: "A República não foi proclamada em meados de novembro, como seria possível ter sido cunhada e entrar em circulação ainda neste ano?". Nem o melhor dos ouvires do Império ou a melhor das Repúblicas conseguiria essa eficiência em tão pouco tempo. Mistérios. Coisas que somente eu posso contar.
Era tarde. Dia 17 de outubro. A casa de Fundição trabalhava a todo o vapor, e eu estava pronta para ser transformada em mais uma das milhares de moedas de 100 réis imperiais, quando o Marechal chegou. A sua figura era bastante respeitada, apesar da aparência contraditória e das conseqüentes piadas que corriam sobre sua pessoa - afinal, como todos os seres humanos, as inconstâncias e "pecados" faziam parte de sua alma animal.
Um dos homens que acompanhava o Marechal, Sr. Benjamim Constant, se aproximou de um funcionário que trabalhava na prensa e ordenou que a matriz fosse alterada, entregando a que havia consigo - matriz que me deu as formas que preservo até hoje, mesmo com mais de um século de existência. Apesar de certa relutância, o funcionário cedeu. E o primeiro dos símbolos da República nasceu, antes do parto, que seria "normal" quase um mês depois.
Nunca me esquecerei a felicidade de Deodoro ao me pegar em suas mãos. Observava o meu brilho, de metal trabalhado e novo. Seus olhos refletiam com a mesma intensidade que, sendo eu criança neste mundo, não conseguiria perceber naquele momento - olhos de quem sente o poder nas mãos. Não que eu fosse tão poderosa, afinal qual poder teria uma única moeda... ou estaria enganada. Sim, eu estava. Eu era um símbolo - carregava o maior dos poderes, o ideológico. E seria indispensável para o fortalecimento dessas idéias, essencialmente libertárias.
Já era noite quando saíram da casa de Fundição. Nas mãos de Deodoro, encontrava o aconchego do primeiro dos muitos "pais" que tive. Colocou-me em sua algibeira num espaço separado das outras moedas, montou em seu cavalo e saímos, juntamente com a sua comitiva, em direção a uma casa na Rua Direita - sobrado no qual se reuniam para a mobilização de forças e discussão das medidas a serem adotadas.
Deodoro da Fonseca estava armando o futuro. E todos, sem exceção, me esperavam ansiosamente - uma simples moeda. Instrumento de uma propaganda fortalecedora para a verdadeira independência de Portugal. Tirou-me da algibeira e exibindo-me como se fosse um troféu, afirmou em voz alta:
- "Devemos caracterizar a nossa legitimidade, alterar a face imperial e deveras colonial que aqui se instaurou desde os primórdios. Nossa república demora a eclodir....e agora, como em épocas antigas, seremos legítimos e verdadeiramente livres para atender aos nossos interesses, de brasileiros".
- "Que a face do império seja extinta, e que surja a efígie da república" - forte frase que encontrou entusiasmada aclamação na voz séria do nosso Marechal, e primeiro Presidente.
Quem conhece o poder, prova de seu licor, não ousa largá-lo. É como o vício dos bêbados, a ganância dos avaros, o fanatismo dos fiéis. O poder estimula uma disputa interior essencialmente maniqueísta - a diferença entre o próprio e o coletivo. Afinal, não existe nada que seja bom para o mundo que não seja melhor para aquele que vive o poder, mesmo carregando as mais puras palavras.
Deodoro, que provou de seu delicioso licor, tentou ficar mais tempo do que o estipulado - não conseguiu. Certamente saberia prorrogar tal sensação se tivesse a mesma habilidade política de Getúlio Vargas. E imaginar que, nesta época, este era apenas um rapazote gaúcho que escondia medos e incertezas - tive a possibilidade de conhecê-lo. Se tornou grande e amado, mesmo sendo ditador.
Volto agora no tempo. No dia em fui comprada num sebo em Pinheiros - na praça Benedito Calixto. Local onde tive a possibilidade de conhecer aqueles olhos que souberam me enxergar, e que hoje podem dizer tudo o que eu tenho para contar.
Ao nosso redor: móveis seculares, roupas, selos, câmeras fotográficas.... muita velharia; ou melhor, antigüidade. A praça estava tomada pelos transeuntes e mercadores. Ouvia-se ao fundo o som de uma vitrola 78 rotações, com aqueles enormes e pesados discos de cerâmica - meu Deus, como o mundo se transforma!!! Sentia os raios de um domingo de sol, após ter ficado vários dias fechada numa caixa com outras moedas. Moedas tão antigas quanto eu, e que certamente guardam diversas histórias - mas não tão raras, visto que sou única. Porém, naquele espaço, éramos todas iguais.
Percebia traços, pessoas, roupas - um mundo totalmente diferente daquele primeiro que presenciei. Onde era comum percorrer as mãos de homens vestidos com fraques e cartolas, exibindo seus bens e títulos. E também outras mãos, de homens maltrajados e tratados na ignorância - discriminados apesar da utilidade, da força, do caráter que construíram este país. Tempos tumultuosos encontrávamos na capital. Ouvia-se o brado dos negros livres.
Se houvesse um humano capaz de ter a vida eterna, certamente ele iria se horrorizar com tantas diferenças - com essa cultura mutável, que cria e destrói ao mesmo tempo, e produz um mundo de coisas totalmente normais a partir do inconcebível. Algumas dessas criações sendo a essência de Deus e outras, a sua destruição. Que a liberdade do homem o leve a escolhas benéficas, e que a sua vontade não seja a imposição dos outros.
Sempre me perguntei por que fui a escolhida para presenciar a história. Sabe-se lá o que nos leva a presenciar tais situações, ainda por cima sendo a única moeda que, naquele ano, dignamente estampava: "República dos Estados Unidos do Brazil". Isso mesmo, moeda de uma época em que Brazil ainda se escrevia com "z". E o nosso lema "Ordem e Progresso" era o positivismo em forma de ação, não a esperança em forma de propaganda política - procurei durante anos tal ordem e progresso; difícil num país que já surgiu com complexo de inferioridade.... Estados Unidos. Eu e minhas divagações. Voltemos a história.
Naquela mesma noite, Deodoro me levou para sua casa. Apresentou-me o seu lar e a única pessoa de sua convivência diária, sua esposa. Seus filhos já eram crescidos e tinham suas respectivas famílias. Contavam apenas com alguns poucos empregados.
Já em seu leito, segurava-me em suas mãos e observava as formas da qual era pai - porém, me levava para a cama como se fosse uma de suas amantes. O desejo que se escondia naquele brilho era muito maior - e foi uma longa história de amor. Tornei-me a amante de Deodoro aos olhos de sua esposa, que não tinha ciúme. Esta sabia do imenso amor que movia Deodoro, objetivo primário em sua vida: instaurar a República e o ser Presidente. Intimamente tinha medo dessa ambição do marido, mas quem era ela para contrariá-lo.
Deodoro carregava-me para todos os lados. E assim foi por anos, mesmo após o grande Marechal ter se tornado o primeiro Presidente do país. Fui seu amuleto, e modelo para as demais moedas da nova República, durante praticamente dois anos. Recebi seu amor e gratidão - e ouvi muitos de seus pensamentos que não ousava proferir a nenhuma alma viva. Certamente queria que o acompanhasse eternamente, e que, na sua falta, ficasse para seus filhos e descendentes. Porém, outros destinos estavam reservados para mim.
Corria o ano de 1891. O Marechal andava preocupado com a pressão civil e a do Congresso - que havia o eleito nesse mesmo ano. Como sempre, antes de dormir, ficava me segurando e olhando. Devia estar pedindo aos céus a boa sorte que sempre o acompanhou. Sobreviveu a diversas guerras e agora estava sendo difícil "sobreviver" no poder, como desejava.
Em seu leito, sua esposa pediu-lhe que apagasse o queimador. O que o fez, colocando-me na sua algibeira. Em poucos segundos, da escuridão surge o ronco dos que estão no mundo dos sonhos. A noite caminhava na tranqüilidade que era possível ao Rio de Janeiro no final daquele século, quando, de repente, outras mãos buscaram-me dentro da algibeira de Deodoro e me esconderam no fundo de um bolso. Não consegui enxergar quem era a pessoa, e muito menos entender o que estava acontecendo. Mas sabia que somente poderiam ser a sua esposa ou algum de seus empregados, os únicos que residiam naquela casa.
No dia seguinte, ainda no fundo daquele bolso - de tecido sedoso e extremamente confortável, uma mão me pegou. Era a esposa de Deodoro.
- "Maldito Deodoro. Desgraçado. Como ousou me trair.. "
- "Agora verá como se retribui uma traição. E todas as noites que me fez passar acordada, nervosa, enquanto dormia como um anjo".
Será que ela, após dois anos de convivência pacífica, ficou com ciúmes de mim - uma simples moeda. Certamente não seria para tanto. E não era. Continuou caminhando apressadamente pelas ruas difamando o Presidente para todos os que quisessem ouvir.
- "Sr. Presidente. Mais de 40 anos de casados para serem jogados fora dessa maneira" - dizia furiosamente nas estreitas ruas do centro.
- "Trair-me com aquela mulata Alzira!!! Porco desgraçado!!!". Agora o crime tinha um enredo, conteúdo.
Cansei de presenciar as traições do Presidente, que mesmo com mais de 60 anos, era um compulsivo sexual. Todos sabiam dos pecados de Deodoro, mas santo-de-casa, além de não fazer milagres, muitas vezes não enxerga que convive com o Diabo. É mais fácil ver luxurias em olhos santos do que imaginar um dos seus sendo o maior dos pecadores. No dia anterior, Deodoro havia agarrado a empregada e certamente havia sido flagrado.
Uma raiva violenta subiu-lhe a cabeça. Vingança. Sabia que Deodoro tinha me como o seu bem material mais precioso, e saberia o que fazer comigo.
De repente ela pára na banca de jornal do Sr. Joaquim, e compra um exemplar de "O paiz" - fui como parte do pagamento, como uma qualquer. E me perdi no mundo, passando imperceptível por milhares de mãos.
Pouco tempo depois, na mão de um italiano no interior de Minas Gerais, fiquei sabendo que o Marechal não era mais o Presidente, e no ano seguinte, no caixa de uma padaria, fiquei sabendo de sua morte. Era 1892, nunca esquecerei. Aquele alagoano que resistiu a muitas batalhas e guerras como a do Paraguai e da Cisplatina, não soube perder, e se deixou morrer.
E continuei seguindo a minha trajetória. Percorri diversos Estados, e até conheci o exterior. O mundo realmente é grande - a mente das pessoas é que é pequena. Vivi muitas vidas, aventuras, numa única existência... histórias, que ficam para a próxima.
Confusões da vida adulta
Era uma quarta-feira chuvosa. Estava perdendo a paciência e os cabelos, arrancados em momentos de absoluta fúria com a enrascada dos céus - "valeu, Bendito São Pedro!!!". Não posso xingar, afinal, é um santo. Mas estando no carro preso a um congestionamento que prometia se estender por muito tempo, já haviam se passado 6 horas, buscava descarregar de qualquer forma a raiva acumulada por sentir tamanha "modernidade".
O ruim de viver na cidade mais desenvolvida do país me fez refletir sobre o pior dos contrastes, caracterizado no lema da bandeira brasileira: "Ordem e Progresso". Santa Ilusão. A mesma mão que traz as oportunidades leva com a outra todas as riquezas. Traduzindo: "Estamos sendo constantemente dilacerados pela percepção do progresso, que a poucos serve".
Certamente, para muitos, tal definição seja o paraíso onde a poluição não se distingue do ar e água consumidos. A vida some. E os crimes e mortes, ocorrências crescentes. A vida morre. Onde a perda da sensibilidade recebe um nome bonito "blase" - ninguém mais chora uma terrível catastrofe, tudo é tão normal. Onde o excesso de gente em busca de uma oportunidade nos transformam em animais ferozes que manifestam os atributos mais mesquinhos. "Eu por mim, e que Deus... me ajude". O individualismo egoísta deve estar próximo. Já chegou.
Pena que ninguém se conscientizou que ambos - ordem e progresso - devem caminhar paralelamente, e como consequência, enchentes, poluição... o verdadeiro caos nos é presenteado como recompensa ao egoísmo, pela nossa incompetência de desejar ser uma coletividade. Enquanto isso, vivamos os males até que estes nos liquidem.
Num desses raros momentos, ficar 6 horas no "sossego", a agitação da vida moderna seria a paz absoluta. Seria. Se soubesse como aproveitar o momento livre em algo construtivo. Preferia, nesse momento, amaldiçoar o prefeito, o governador e toda a raça política. E também o porco do carro da frente que acabou de jogar uma latinha de refrigerante pela janela. Consciência social, hummm... é ruim de acreditar.
Um clarão me cega. Será que o divino se manifestou aos mortais para nos salvar da perdição plantada!!! Comecei a refletir sobre o passado... e o tempo que desejava ser adulto. Acreditava que seria livre se, um dia, fosse como o meu pai. Quando era pequeno, mal o via em casa. Saia muito cedo para o trabalho - bancário - e quando voltava já estavámos dormindo. O dia dele deveria ser muito divertido. Ganhava o seu dinheiro, tinha a sua casa, carro. Tudo o que deseja e honrava em dizer que conseguira com muito esforço e sacrifício. Sendo pequenos, somente podíamos imaginar com eram as coisas. E na nossa mentalidade criativa, toda a diferença do mundo parecia ser a coisa mais maravilhosa.
Não conheciamos o mundo lá fora. E não sentia a ameaça proclamada pela minha mãe: "Tomem cuidado com os ladrões". O medo era uma sensação desconhecida, distante de crianças que cresceram felizes brincando na rua como as antigas gerações. Tive sorte. Muitos dos meus amigos viveram trancado em seus condominios, não conheceram nem seus vizinhos. A prisão já era uma verdade.
Para quem cresceu livre. O mundo real se transformou na pior das prisões. Muitos acham que começamos a ter conscîencia dos nossos atos aos 7 anos de idade. Na minha mortalidade, percebi que ainda estou tentando me descobrir e a esse mundo - totalmente estranho - extremamente diferente do imaginado. A força das idades, os aniversários que passaram trouxeram perspectivas tão diferenciada quanto os bolos comidos em todos esse anos.
Tudo parecia nos prender. O dinheiro, a família, a obrigação... a liberdade começou a parecer mais utópica do que real. Mesmo quando era jovem, preso no quarto ficava na falta de esperança da possibilidade de ser parte desse mundo. Pagamos para respirar o ar, como seria andar pela cidade impunemente. Quando o dinheiro falta , nada mais parece possível... não existe família, as obrigações não são cumpridas e a vida se esfacela... será que sempre foi assim? Até mesmo nas épocas mais insanas o mundo parecia ter uma lógica, que se constituiu na riqueza de uns e na extrema pobreza de outros. Fiquei no meio termo, jogado a pobreza com a capacidade de ter sido algo. Cadê o destino... esperei tanto por ele que acabei perecendo.
A ironia é uma constante. Preciso ser assim para desabafar e rir das desgraças... que são muitas. A sensação de liberdade e o medo da responsabilidade são as novas vertentes... e agora, Mané!!! O que fazer!!! Antes fossem apenas um método eficaz de não entrar em confusão: Não falar. Se vejo o "circo" pegar fogo, deixo-o para os macacos se digladiarem....nem sempre fui envolvido em confusões. Mas, nestas horas, perco a minha classe. Se quiserem me incluir sem permissão.... tomarão uma invertida que voltarão para casa desnorteados. Nada mais justo. E eu que já sonhei ser diplomata! Que todos os infelizes vão para o inferno, felizmente a minha insanidade me liberta!
O ruim de viver na cidade mais desenvolvida do país me fez refletir sobre o pior dos contrastes, caracterizado no lema da bandeira brasileira: "Ordem e Progresso". Santa Ilusão. A mesma mão que traz as oportunidades leva com a outra todas as riquezas. Traduzindo: "Estamos sendo constantemente dilacerados pela percepção do progresso, que a poucos serve".
Certamente, para muitos, tal definição seja o paraíso onde a poluição não se distingue do ar e água consumidos. A vida some. E os crimes e mortes, ocorrências crescentes. A vida morre. Onde a perda da sensibilidade recebe um nome bonito "blase" - ninguém mais chora uma terrível catastrofe, tudo é tão normal. Onde o excesso de gente em busca de uma oportunidade nos transformam em animais ferozes que manifestam os atributos mais mesquinhos. "Eu por mim, e que Deus... me ajude". O individualismo egoísta deve estar próximo. Já chegou.
Pena que ninguém se conscientizou que ambos - ordem e progresso - devem caminhar paralelamente, e como consequência, enchentes, poluição... o verdadeiro caos nos é presenteado como recompensa ao egoísmo, pela nossa incompetência de desejar ser uma coletividade. Enquanto isso, vivamos os males até que estes nos liquidem.
Num desses raros momentos, ficar 6 horas no "sossego", a agitação da vida moderna seria a paz absoluta. Seria. Se soubesse como aproveitar o momento livre em algo construtivo. Preferia, nesse momento, amaldiçoar o prefeito, o governador e toda a raça política. E também o porco do carro da frente que acabou de jogar uma latinha de refrigerante pela janela. Consciência social, hummm... é ruim de acreditar.
Um clarão me cega. Será que o divino se manifestou aos mortais para nos salvar da perdição plantada!!! Comecei a refletir sobre o passado... e o tempo que desejava ser adulto. Acreditava que seria livre se, um dia, fosse como o meu pai. Quando era pequeno, mal o via em casa. Saia muito cedo para o trabalho - bancário - e quando voltava já estavámos dormindo. O dia dele deveria ser muito divertido. Ganhava o seu dinheiro, tinha a sua casa, carro. Tudo o que deseja e honrava em dizer que conseguira com muito esforço e sacrifício. Sendo pequenos, somente podíamos imaginar com eram as coisas. E na nossa mentalidade criativa, toda a diferença do mundo parecia ser a coisa mais maravilhosa.
Não conheciamos o mundo lá fora. E não sentia a ameaça proclamada pela minha mãe: "Tomem cuidado com os ladrões". O medo era uma sensação desconhecida, distante de crianças que cresceram felizes brincando na rua como as antigas gerações. Tive sorte. Muitos dos meus amigos viveram trancado em seus condominios, não conheceram nem seus vizinhos. A prisão já era uma verdade.
Para quem cresceu livre. O mundo real se transformou na pior das prisões. Muitos acham que começamos a ter conscîencia dos nossos atos aos 7 anos de idade. Na minha mortalidade, percebi que ainda estou tentando me descobrir e a esse mundo - totalmente estranho - extremamente diferente do imaginado. A força das idades, os aniversários que passaram trouxeram perspectivas tão diferenciada quanto os bolos comidos em todos esse anos.
Tudo parecia nos prender. O dinheiro, a família, a obrigação... a liberdade começou a parecer mais utópica do que real. Mesmo quando era jovem, preso no quarto ficava na falta de esperança da possibilidade de ser parte desse mundo. Pagamos para respirar o ar, como seria andar pela cidade impunemente. Quando o dinheiro falta , nada mais parece possível... não existe família, as obrigações não são cumpridas e a vida se esfacela... será que sempre foi assim? Até mesmo nas épocas mais insanas o mundo parecia ter uma lógica, que se constituiu na riqueza de uns e na extrema pobreza de outros. Fiquei no meio termo, jogado a pobreza com a capacidade de ter sido algo. Cadê o destino... esperei tanto por ele que acabei perecendo.
A ironia é uma constante. Preciso ser assim para desabafar e rir das desgraças... que são muitas. A sensação de liberdade e o medo da responsabilidade são as novas vertentes... e agora, Mané!!! O que fazer!!! Antes fossem apenas um método eficaz de não entrar em confusão: Não falar. Se vejo o "circo" pegar fogo, deixo-o para os macacos se digladiarem....nem sempre fui envolvido em confusões. Mas, nestas horas, perco a minha classe. Se quiserem me incluir sem permissão.... tomarão uma invertida que voltarão para casa desnorteados. Nada mais justo. E eu que já sonhei ser diplomata! Que todos os infelizes vão para o inferno, felizmente a minha insanidade me liberta!
Excessos estúpidos
Será a morte a maior de nossas tragédias!?! Não creio. Outro dia estava na cozinha de minha casa, e na geladeira buscava a quase vazia lata de leite-condensado. Tirei-a da geladeira. Peguei o abridor de latas, e qual não é a minha surpresa - uma formiga.
Na minha "humanidade", tentei salvar a formiga menos esperta da possível morte. E, infelizmente, não tive êxito - mas não proporcionei o velório. Lavei a colher, economicamente raspei a lata, deixando "micro resto" para ser consumido posteriormente. Lata na geladeira. Ainda mais vazia.
Muitos foram os pensamentos que me vieram a partir dessas duas cenas que tiveram a morte como fim comum. Ambas ambicionaram mais do que poderiam usufruir. Uma morreu no resgate imposto pela generosidade, e a outra da morte inevitável - os excessos que matam as pessoas, os animais, os bichos são os mesmos. E todos somos suscetíveis a esses pecados da gula, do ter e consumir muito mais do que as necessidades, e ser egoístas em querer só para nós, e ser desumano em não estender as mãos.
O homem é o bicho que faz isso conscientemente. Tem a razão como linha mestra, e a imperdoável atitude que o poder do excesso lhe confere - até a inveja dos outros. E se esquece, estúpido, de que é acima de tudo, mortal.
Na minha "humanidade", tentei salvar a formiga menos esperta da possível morte. E, infelizmente, não tive êxito - mas não proporcionei o velório. Lavei a colher, economicamente raspei a lata, deixando "micro resto" para ser consumido posteriormente. Lata na geladeira. Ainda mais vazia.
No dia seguinte, deixei de lado a minha "pão-durice" e resolvi ver se a lata podia me propiciar algo. A felicidade perdida. E deixar que a natureza, o lixeiro e a lata tivessem o seu destino. Qual não é a minha surpresa: no fundo da lata, uma formiga que não eu havia percebido, morta, afogada pela imensa gota condensada - a outra soube se esconder na esperteza de quem poderia ficar com todo o doce para ela, aproveitando sozinha aquela montanha de açúcar, que para mim era só um resto.
Muitos foram os pensamentos que me vieram a partir dessas duas cenas que tiveram a morte como fim comum. Ambas ambicionaram mais do que poderiam usufruir. Uma morreu no resgate imposto pela generosidade, e a outra da morte inevitável - os excessos que matam as pessoas, os animais, os bichos são os mesmos. E todos somos suscetíveis a esses pecados da gula, do ter e consumir muito mais do que as necessidades, e ser egoístas em querer só para nós, e ser desumano em não estender as mãos.
O homem é o bicho que faz isso conscientemente. Tem a razão como linha mestra, e a imperdoável atitude que o poder do excesso lhe confere - até a inveja dos outros. E se esquece, estúpido, de que é acima de tudo, mortal.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Terras Santas
Judeus em fuga cruzaram a macedônia
E negros mares encontraram
Onde o salitre presente aos pés
Marcavam a queda em pleno luar
Em seu retorno à busca constante
Vitimados pela negação
Séculos e séculos sucessivos
Mouros, arianos, palestinos
Trouxeram sangue ao caminho
Almas torturadas ao sol
Escravos, conversos, perseguidos
Alastraram grandes desafios
No viver, sem conflitos
E agora, chagas ao tempo....mesmo lamento
Onde força e violência
Na busca pela abastança
Trouxe aos povos, guerras e ignorância
"Terra Santa, palco da epopéia
Recusaste a dádiva imputada
E duas mil primaveras passaram
Sem respeitar o sangue dos irmãos"
E negros mares encontraram
Onde o salitre presente aos pés
Marcavam a queda em pleno luar
Em seu retorno à busca constante
Vitimados pela negação
Séculos e séculos sucessivos
Mouros, arianos, palestinos
Trouxeram sangue ao caminho
Almas torturadas ao sol
Escravos, conversos, perseguidos
Alastraram grandes desafios
No viver, sem conflitos
E agora, chagas ao tempo....mesmo lamento
Onde força e violência
Na busca pela abastança
Trouxe aos povos, guerras e ignorância
"Terra Santa, palco da epopéia
Recusaste a dádiva imputada
E duas mil primaveras passaram
Sem respeitar o sangue dos irmãos"
sábado, 31 de maio de 2008
Volte, humanidade!
Sofro. As dores da incompetência; fugir deste mundo apertado onde nem em mim encontro espaço - de amar, sorrir, ser feliz.
Choro. Todos os tormentos da insanidade - a perda da consciência do mundo na derradeira atitude.
Morro. Na impossibilidade de fazer parte - na vida distante que distância mais ainda, reclamo de fome de vida e novas medidas, que retirem a tampa deste buraco.
Não tenho mais "pequenas" atitudes. A dor paralizante congela cada mísero ato. Nem "ser" sou, hiato da existência. Que nasceu para o tudo e foi isolado, lançado ao caminho... da solidão incompetente.
E uma fuga, boa seria. Da situação insustentável que me leva ao precipício - e na consciência corajosa, a pequena parte do que resta, sou ser parado, enquanto a humanidade caminha.
Choro. Todos os tormentos da insanidade - a perda da consciência do mundo na derradeira atitude.
Morro. Na impossibilidade de fazer parte - na vida distante que distância mais ainda, reclamo de fome de vida e novas medidas, que retirem a tampa deste buraco.
Não tenho mais "pequenas" atitudes. A dor paralizante congela cada mísero ato. Nem "ser" sou, hiato da existência. Que nasceu para o tudo e foi isolado, lançado ao caminho... da solidão incompetente.
E uma fuga, boa seria. Da situação insustentável que me leva ao precipício - e na consciência corajosa, a pequena parte do que resta, sou ser parado, enquanto a humanidade caminha.
sábado, 26 de abril de 2008
A saga dos 2000 anos
Bug. Computadores. Com o clima de tensão e muita expectativa, o ano 2000 está se aproximando. Como proclamado "De 1000 passarás e 2000 não chegarás", muitos temem pelo pior. Sou um deles. Justificado ou não esse medo, só o destino poderá comprovar.
Último dia de 1999. O sol machuca a pele no litoral paulista, Praia Grande; único local onde os trocados poderiam suprir os gastos necessários - nada de Paris, Roma ou Nova York. Quem sabe na próxima encarnação, se o planeta ainda existir, venha comemorar a virada dos 2999. Penso: Qual será o problema que a civilização enfrentará!!!! Certamente existirá.... será uma doença incurável, a escravidão para povos alienigenas ou a inesperada era de paz e tranquilidade conseguirá efetivamente tocar o espírito humano, deixando-o nobre às atitudes e diferenças, se é que existirá diferença!!!
Outro pensamento surgiu a cabeça, fato raro; poderemos nem chegar ao tão esperado ano. Na televisão podíamos ver que já era ano 2000 na Nova Zelândia, 13 horas antes.... e se o Bug afetar uma usina atômica na Rússia, ou mísseis de bases indianas ou alemãs. O questionamento que não parecia ter sido feito me preocupava profundamente. Nem os poderosos norte-americanos presenciariam - e nós, terceiro mundo latino-americano estaríamos em pé de igualdade neste último segundo.
As horas foram passando. Vimos apresentações folclóricas e comemorações em quase todos os países do mundo - Filipinas, Malásia, Indía... até Israel.... deveria ser o fim-do-mundo... nem eles quiseram perder a festa, mesmo estando milenios distante de nós, no ano 5000 e cassetada. A hora passou pela Alemanha.... UFA!!! Fiquei mais tranquilo. E sentindo arder a pele por ter me exposto muito ao Sol - umas garotas foram conversar comigo, e como bom cavalheiro, não recusei bate-papo (nada melhor para o ego) - Não eram bonitas mas falavam coisas engraçadas. Acharam que a minha irmã mais nova, de 15 anos, estava gravida novamente.... Tadinha, como as pessoas são cruéis, além de estar brincando com o nosso Léo (irmãozinho de 2 anos), a barriga dela se tornou um ponto de questionamento entre pessoas "curiosas" (acho que foi a melhor palavra para descrevê-las). Uma lição para o ano novo, ela vai precisar emagrecer. Logicamente, apesar das meninas implorarem para eu não contar para ela (o que não o fiz), o fato chegou ao ouvido dela... como os seres humanos são cruéis, mesmo sendo família, ninguém perdoa.
Acreditando que o perigo havia passado, já que os países mais desestruturados (e poderosos) do mundo não sentiram nenhum efeito negativo, chegaríamos ao ano 2000.... Mas ainda havia uma dúvida a me questionar: apesar do governo brasileiro não assumir haver armas atômicas, uma intrigante conversa com o ex-governador de São Paulo, Franco Montoro, deixou-me cheio de receio. E tendo essa conversa como argumento, Deus bem que poderia ser mesmo brasileiro, dando ao mundo o fim que poderia começar neste caos. Neurose, pode ser. Vivendo em São Paulo é fácil obter um atestado médico de insanidade.
5, 4, 3, 2, 1..... Fogos. Erramos. Não que esperasse uma grande bola de fogo do céu e o dia do "juízo final". Os guardiões das portas dos céus, nesse momento, eram os analistas de sistemas - poderosos guerreiros dos programas fatais, do inseto que poderia fazer sumir a luz, o dinheiro, a comida e mesmo o planeta. Agora que o "receio" passou, me sinto um pouco "idiota". Não querendo me justificar, mas já..... Nunca houve um tempo em que o homem teve tanto poder sobre os destinos do mundo. Um poder que pode lhe fugir às mãos. E é infinitamente maior do que a vontade de todas as pessoas do planeta. Afinal, quem poderá nos defender dessa ameaça que é invisível para a imensa maioria, e que pode vir sem avisar.
Para começar o ano com o pé direito, dessa vez resolvi seguir o que manda a tradição - passei com a roupa branca, pelo menos a camiseta, o que não fazia nos outros anos. Em 1990, iniciei o ano totalmente de preto e pulei as 7 ondas de costas - foi um dos melhores anos da minha vida. No ano passado resolvi fazer a mesma coisa - todos me olhavam como se fosse um alienigena - e para aprimorar, pulei as 7 ondas de costas e com o pé esquerdo. Meu ano foi uma merda. Naquela virada, cortei o dedo para abrir o "champagne", uma fagulha dos inúmeros fogos atingiu o meu pé e outras coisas aconteceram que deixaram todas as mãos e pés com machucados. Será que existe maldição!!!
Com essa dúvida na mente e depois de um ano de muito sacrifício e poucos resultados. Algumas vitórias e muitas derrotas. Resolvi apelar para todos os santos. A camiseta branca é uma conquista para este cético. Li numa revista que jogar moedas ao mar como uma oferenda a Iemanjá traria também dinheiro, esta fortuna que tanto falta. E aproveitando as velas que os outros depositavam na praia, joguei mais uma moeda para garantir o ano. Se depender das mandingas, estou feito. E minha família inteira, pois saí distribuindo moedas para todos.
A imprevisibilidade marcou esse reveillon. Até o dia 31, pela manhã, não sabia aonde iria passar a virada. A "viagem" que faria com o um amigo, o Cajú, no último dia do ano virou suco. Muitos foram os planos, poderia ter ido com uma amiga para Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro. Ou mesmo para Garopaba, em Santa Catarina. Outro amigo também me convidou para viajarmos. E fui acreditar na conversa de Cajú.... Uma amiga nossa, a Fabi, passou aqui em casa após o Natal... O ano novo iria comemorar em Boiçucanga. Achamos uma boa idéia. Combinei que passaria o dia em Juqueí na casa da minha tia, e a noite com os amigos; Sem companhia, acabei indo para a Praia Grande. O apartamento estava cheio, mas sabia que caberia mais um. O meu irmão, Fábio, com medo do trânsito, ficou em São Paulo. Se eu fosse para Fortaleza, faria a mesma coisa.
O dia será memorável. Não queria passar de forma nenhuma mais um reveillon na Praia Grande, mas não me arrependo. Nunca me senti tão bem. Estar com a família foi a benção para um ano que será tão imprevisível quanto os caminhos que me levaram à praia. E que poderiam ter me levado para qualquer lugar do país se não tivessem se esgotado todas as passagens. Felizmente curti o último dia, e noite (que como sempre faltou luz e jantamos no "Don Zarpelo"). Nada melhor do que uma bela pizza para encerrar o ano. E o vinho italiano que comprei para a passagem do ano marcar a prosperidade que esperamos.
Cada qual deve ter sentido algo especial. As fotos que tirei marcaram o momento para a eternidade. E o texto, para os meus filhos, netos, bisnetos.... e todos os que descenderem de nós. No futuro, certamente seremos os "australopitecus" do ano 2000. Seres estranhos, de outra época e costumes. Pensei em todos os que virão no futuro... e no meu incerto destino. Cheio de esperança e com uma grande paz.... uma "energia" que, mesmo com certa relutância minha, me fez ajoelhar no meio da praia e rezar.... e acordar no outro dia conversando por mais de meia hora com essa energia. Será que existe algo de bom!!!
Sábado. Primeiro dia do ano 2000. Ligo a TV, as mesmas porcarias - grupos de pagode, programas de auditório, filmes que passaram milhares de vezes. A mesma merda. Mas ainda continuo nutrindo o sonho, para que um dia a realidade acorde para o que existe, e deixe para o mundo marcas melhores do que estas que se apresentam.
Janeiro - 2000
Último dia de 1999. O sol machuca a pele no litoral paulista, Praia Grande; único local onde os trocados poderiam suprir os gastos necessários - nada de Paris, Roma ou Nova York. Quem sabe na próxima encarnação, se o planeta ainda existir, venha comemorar a virada dos 2999. Penso: Qual será o problema que a civilização enfrentará!!!! Certamente existirá.... será uma doença incurável, a escravidão para povos alienigenas ou a inesperada era de paz e tranquilidade conseguirá efetivamente tocar o espírito humano, deixando-o nobre às atitudes e diferenças, se é que existirá diferença!!!
Outro pensamento surgiu a cabeça, fato raro; poderemos nem chegar ao tão esperado ano. Na televisão podíamos ver que já era ano 2000 na Nova Zelândia, 13 horas antes.... e se o Bug afetar uma usina atômica na Rússia, ou mísseis de bases indianas ou alemãs. O questionamento que não parecia ter sido feito me preocupava profundamente. Nem os poderosos norte-americanos presenciariam - e nós, terceiro mundo latino-americano estaríamos em pé de igualdade neste último segundo.
As horas foram passando. Vimos apresentações folclóricas e comemorações em quase todos os países do mundo - Filipinas, Malásia, Indía... até Israel.... deveria ser o fim-do-mundo... nem eles quiseram perder a festa, mesmo estando milenios distante de nós, no ano 5000 e cassetada. A hora passou pela Alemanha.... UFA!!! Fiquei mais tranquilo. E sentindo arder a pele por ter me exposto muito ao Sol - umas garotas foram conversar comigo, e como bom cavalheiro, não recusei bate-papo (nada melhor para o ego) - Não eram bonitas mas falavam coisas engraçadas. Acharam que a minha irmã mais nova, de 15 anos, estava gravida novamente.... Tadinha, como as pessoas são cruéis, além de estar brincando com o nosso Léo (irmãozinho de 2 anos), a barriga dela se tornou um ponto de questionamento entre pessoas "curiosas" (acho que foi a melhor palavra para descrevê-las). Uma lição para o ano novo, ela vai precisar emagrecer. Logicamente, apesar das meninas implorarem para eu não contar para ela (o que não o fiz), o fato chegou ao ouvido dela... como os seres humanos são cruéis, mesmo sendo família, ninguém perdoa.
Acreditando que o perigo havia passado, já que os países mais desestruturados (e poderosos) do mundo não sentiram nenhum efeito negativo, chegaríamos ao ano 2000.... Mas ainda havia uma dúvida a me questionar: apesar do governo brasileiro não assumir haver armas atômicas, uma intrigante conversa com o ex-governador de São Paulo, Franco Montoro, deixou-me cheio de receio. E tendo essa conversa como argumento, Deus bem que poderia ser mesmo brasileiro, dando ao mundo o fim que poderia começar neste caos. Neurose, pode ser. Vivendo em São Paulo é fácil obter um atestado médico de insanidade.
5, 4, 3, 2, 1..... Fogos. Erramos. Não que esperasse uma grande bola de fogo do céu e o dia do "juízo final". Os guardiões das portas dos céus, nesse momento, eram os analistas de sistemas - poderosos guerreiros dos programas fatais, do inseto que poderia fazer sumir a luz, o dinheiro, a comida e mesmo o planeta. Agora que o "receio" passou, me sinto um pouco "idiota". Não querendo me justificar, mas já..... Nunca houve um tempo em que o homem teve tanto poder sobre os destinos do mundo. Um poder que pode lhe fugir às mãos. E é infinitamente maior do que a vontade de todas as pessoas do planeta. Afinal, quem poderá nos defender dessa ameaça que é invisível para a imensa maioria, e que pode vir sem avisar.
Para começar o ano com o pé direito, dessa vez resolvi seguir o que manda a tradição - passei com a roupa branca, pelo menos a camiseta, o que não fazia nos outros anos. Em 1990, iniciei o ano totalmente de preto e pulei as 7 ondas de costas - foi um dos melhores anos da minha vida. No ano passado resolvi fazer a mesma coisa - todos me olhavam como se fosse um alienigena - e para aprimorar, pulei as 7 ondas de costas e com o pé esquerdo. Meu ano foi uma merda. Naquela virada, cortei o dedo para abrir o "champagne", uma fagulha dos inúmeros fogos atingiu o meu pé e outras coisas aconteceram que deixaram todas as mãos e pés com machucados. Será que existe maldição!!!
Com essa dúvida na mente e depois de um ano de muito sacrifício e poucos resultados. Algumas vitórias e muitas derrotas. Resolvi apelar para todos os santos. A camiseta branca é uma conquista para este cético. Li numa revista que jogar moedas ao mar como uma oferenda a Iemanjá traria também dinheiro, esta fortuna que tanto falta. E aproveitando as velas que os outros depositavam na praia, joguei mais uma moeda para garantir o ano. Se depender das mandingas, estou feito. E minha família inteira, pois saí distribuindo moedas para todos.
A imprevisibilidade marcou esse reveillon. Até o dia 31, pela manhã, não sabia aonde iria passar a virada. A "viagem" que faria com o um amigo, o Cajú, no último dia do ano virou suco. Muitos foram os planos, poderia ter ido com uma amiga para Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro. Ou mesmo para Garopaba, em Santa Catarina. Outro amigo também me convidou para viajarmos. E fui acreditar na conversa de Cajú.... Uma amiga nossa, a Fabi, passou aqui em casa após o Natal... O ano novo iria comemorar em Boiçucanga. Achamos uma boa idéia. Combinei que passaria o dia em Juqueí na casa da minha tia, e a noite com os amigos; Sem companhia, acabei indo para a Praia Grande. O apartamento estava cheio, mas sabia que caberia mais um. O meu irmão, Fábio, com medo do trânsito, ficou em São Paulo. Se eu fosse para Fortaleza, faria a mesma coisa.
O dia será memorável. Não queria passar de forma nenhuma mais um reveillon na Praia Grande, mas não me arrependo. Nunca me senti tão bem. Estar com a família foi a benção para um ano que será tão imprevisível quanto os caminhos que me levaram à praia. E que poderiam ter me levado para qualquer lugar do país se não tivessem se esgotado todas as passagens. Felizmente curti o último dia, e noite (que como sempre faltou luz e jantamos no "Don Zarpelo"). Nada melhor do que uma bela pizza para encerrar o ano. E o vinho italiano que comprei para a passagem do ano marcar a prosperidade que esperamos.
Cada qual deve ter sentido algo especial. As fotos que tirei marcaram o momento para a eternidade. E o texto, para os meus filhos, netos, bisnetos.... e todos os que descenderem de nós. No futuro, certamente seremos os "australopitecus" do ano 2000. Seres estranhos, de outra época e costumes. Pensei em todos os que virão no futuro... e no meu incerto destino. Cheio de esperança e com uma grande paz.... uma "energia" que, mesmo com certa relutância minha, me fez ajoelhar no meio da praia e rezar.... e acordar no outro dia conversando por mais de meia hora com essa energia. Será que existe algo de bom!!!
Sábado. Primeiro dia do ano 2000. Ligo a TV, as mesmas porcarias - grupos de pagode, programas de auditório, filmes que passaram milhares de vezes. A mesma merda. Mas ainda continuo nutrindo o sonho, para que um dia a realidade acorde para o que existe, e deixe para o mundo marcas melhores do que estas que se apresentam.
Janeiro - 2000
domingo, 20 de abril de 2008
A invasão dos deuses brancos
Na grande ilha, os lobos-guarás homenageavam o céu estrelado e enluarado. A floresta e seus espíritos regozijavam os novos ventos - esses, que sempre vieram do lago de areia, estavam invertidos. Nunca havia visto o vento que sopra da montanha. Sinal dos deuses. As árvores choravam o orvalho na terra que iriam nutri-la após a longa noite. Acordando saciada pelo descanso, e preparada para a nova batalha. Essa mesma batalha que acabou de ser vencida: a maior de todas as colheitas.
Os deuses da natureza nos presentearam de forma jamais vista - o sol forte e vigoroso, sem perder a suavidade, atingia a todos com uma energia uniforme, gerando vida; a chuva se intercalou propiciando a água tão necessária, o nosso maior tesouro, para a saciedade de nossa gente, de nossa terra, plantação e, especialmente, para os espíritos de nossos antepassados. Não tivemos os castigos na forma de secas, geadas ou inundações, que tanto nos afligiram em outras ocasiões.
Nessa noite, nos reunimos para agradecer - o espírito da natureza, os nossos antepassados, o Sol, a chuva - toda prosperidade e segurança que nos foram oferecidos pelos os alimentos que não iriam faltar aos nossos filhos e aos ritos de troca com as tribos vizinhas, o que poderia ocasionar uma situação de guerra entre nossos povos. Agradecer sempre fez parte de nossa cultura, seja em épocas férteis ou nas quais os alimentos não nos vinham em abundância.
No meio da aldeia, o fogo consumia a madeira. Ao redor, nas ocas que compunham a nossa tribo, víamos as mulheres pintando os seus homens e sendo pintadas. Elas passaram o dia inteiro fazendo ornamentos de penas de aves, preparando as tintas e os cestos de palha entrelaçada nos quais iriam os alimentos que representavam a colheita. Os homens costumavam ser os caçadores e ajudavam as mulheres no plantio e nas árduas tarefas do campo. Preparavam as ferramentas, a terra.
Em algumas ocas, as crianças ficavam a espreita tentando observar a preparação do ritual. O ritual da colheita era exclusivo aos adultos. E como não podiam participar ficavam curiosos. Todos os adultos sabiam que eles não conseguiriam ficar dormindo.... já fomos pequenos. Os mais velhos, cujo ingresso na vida adulta estava próxima, ficavam isolados em uma oca afastada, se preparando para as tarefas do ritual da maioridade que estavam por vir. Tudo tem a sua época.
Após o dia de sol claro, os deuses trouxeram uma bela lua.... redonda. Nessa época em que o tempo é mais frio, as folhas caem dos galhos das árvores para que se nasçam belas flores.... as abelhas certamente agradecem essa época. Observava ao mesmo tempo o Sol, a Lua.... sempre estiveram distantes.... lá no céu; deuses que nunca tiveram tempo de descer a terra para comemorar conosco. Mas, sabíamos que o grande dia estava próximo.
Muitas luas atrás, durante um ritual de maioridade dos guará-mirim - antiga tribo de nossos antepassados - o cacique Piroembu recebeu a voz do "espírito da natureza"; este contou ao nosso povo sobre a futura visita dos deuses à nossa terra. Os deuses iriam se transformar em seres, como nós, para poder festejar o dia da grande colheita. Muitos esperaram.... esperaram.... e voltaram para a natureza sem presenciar.
Essa história se manteve conosco por muitas e muitas luas. Aquela tribo cresceu, e nasceram três tribos de descendentes daquela tradição, que proporcionam novos filhos para ambos. Os mais velhos se reuniam com os mais novos, contavam a história e, desta forma, imortalizaram o passado para nós.... continuamos fazendo o mesmo para com nossos filhos.
Passamos a noite inteira dançando. Agradecemos cada um desses filhos que vieram para dar continuidade a nossa família, e que recebiam as lições dos que estavam com muitas luas, cabelos grisalhos, próximos da hora de voltar à natureza. As festividades se estenderam até a fogueira apagar.....
Com os primeiros pássaros, a tribo amanhecia.... estava deitado na rede, e observava a fumaça que ainda saía da fogueira.... as crianças correndo pela aldeia, até que sumiram em direção ao lago de areia. Na oca vizinha a minha, o cacique se encontrava fraco.... estava doente.... e algumas mulheres estavam cuidando de sua saúde. Eu, ainda cansado, resolvi dormir mais um pouco.....
De repente, acordo assustado.... as crianças vieram correndo, ofegantes, e gritando: "Os deuses.... os deuses....". Era o mais velho da tribo e na ausência do cacique, pela sua debilitação, vieram me procurar.... e disseram: "Horoé venha até o grande lago.... os deuses estão chegando". Os outros adultos da tribo se reuniram, todos tínhamos a esperança de que estivesse sendo realizada a profecia, e partimos com os pequenos para o local no qual haviam visto os deuses.
E, seguindo as marcas que os pequenos deixaram na areia, chegamos ao grande lago.... todos ficamos surpresos com o que vimos.... sobre a água, uma canoa gigante trazia muitos deuses.... suas peles eram mais claras do que as nossas, e possuíam algo estranho que lhes cobriam o corpo. Estava tão quente, o dia claro e não haviam nuvens no céu...... mas, eram deuses.
Alguns deles desceram para uma canoa menor, e vieram a nós. Próximo a eles, vimos que até os pés estavam cobertos... achamos muitíssimo estranho. Um sujeito com imponente barba se aproximou. Outro, um pouco atrás, mantinha uma pena em movimento sobre uma diferente espécie de folha - não sabíamos de que árvore vinha - onde a pena deixava estranhas marcas.
Não compreendíamos o que falavam, a língua dos deuses era tão diferente, complicada, mas não deixava de ser bela. Ofereceram-nos presentes, alguns destes eram mágicos, as nossas mulheres adoraram.... era uma madeira com a capacidade que só os lagos possuíam, mostravam exatamente como cada um de nós éramos. Certamente eram deuses, só estes poderiam ter tal poder.
Ficaram conosco por alguns dias, pude observá-los e por meio de sinais até nos entendemos. Construíram uma espécie de totem em nossa ilha, e os ajudamos no que foi preciso.... em pouco tempo foram embora; o encontro com os deuses foi a situação mais emocionante que vivi até aquele momento.... vimos sua gigante canoa ir tão longe.... longe..... e, de repente, sumiu nas águas.
Muitas vezes desafiamos as águas do grande lago. Tentamos com nossas canoas chegar a outra margem, mas a água sempre nos empurrava de volta para a areia. Quando isso não acontecia, nossos homens não conseguiam alcançar a outra margem.... muitos não voltavam.... o que nos confirmava que eram de fato deuses.
A vida continuou.... sempre continua. E para nós, não era mais a mesma, afinal havíamos presenciado um fato raro, os deuses vieram em nosso auxílio, e conosco dançaram, comemorando a nossa colheita, a nossa atitude. Voltamos para as atividades com mais afinco - caça, pesca, plantio - cuidando bem da nossa terra, esperávamos poder repetir uma colheita tão boa e ter novamente a companhia dos deuses. Mas uma grande surpresa estava reservada a nós.
Sem esperar, antes de qualquer colheita - não foram necessárias muitas luas - eles voltaram. Como no primeiro dia fomos ao mesmo local recebê-los, estávamos ansiosos para entender o que estava acontecendo. Porque novamente se transformaram em humanos e vieram a nós. Mas.... não eram as mesmas pessoas, somente algumas faces foram reconhecidas, e pensei: "Existem mais deuses do que imaginava".
Vieram muitos e muitos outros, porém desta vez foi diferente. Começaram a nos pegar pelos braços, todos ..... alguns começaram correr atrás de nossas mulheres.... tentávamos defendê-las, e um outro aparelho mágico, muito mais poderoso do que nossas flechas, impedia os que tentavam.... caiam mortos no chão. Mas, porque tal castigo.... o que havíamos feito em tão pouco tempo para sermos machucados e violentados pela irá dos deuses!!! Nossas filhas, mulheres.... nossas crianças, sendo tão maltratadas.... nem a seca mais poderosa, ou a enchente mais devastadora tinha sido capaz de nos ferir tanto. Não tinham razão para isto.
Em pouco tempo começamos a descobrir o que estava acontecendo. Os deuses que eram homens, na verdade não eram deuses. Não sabíamos bem quem eram, não eram índios de tribos conhecidas. Mas eram índios.... brancos. A grande canoa deles ia para outras terras, e sempre voltava.... cada vez com mais pessoas que aqui ficavam, construíam ocas diferentes, feitas de barro e madeira.... alguns eram bons, queriam nos ensinar a cultura e a língua deles, outros nos castigavam e faziam que o nosso e outros povos fizessem coisas para eles, e o açoite era o prêmio para o cansaço.
Em poucas luas, comecei a compreender melhor as coisas. Os "jesuítas" nos ensinavam a língua deles. E nos diziam o que era "a verdade". Falavam que estávamos vivendo em pecado, pela nossa inocência, por desconhecermos o "Deus" deles. Único. Mas que este não jogaria mais pestes se mudássemos nossa atitude.
Mostraram o objeto mais precioso para eles: ouro. Uma pedra brilhante que, para mim, parecia não servir para nada. Nos machucaram muito para falar aonde havia, mas nunca tínhamos visto tal pedra; além do mais, já possuíamos tudo o que preciso.... mandioca, banana, água, animais que eram caçados em nossas terras ou pescados em abundantes rios.... para que mais!!! Mas esta nova tribo era muito estranha... sempre queriam mais e mais, e obrigavam nossos homens a fazer todo o serviço.
A terra que durante muitas luas, ou como diziam, "anos" fora nossa não era mais. Diziam que eram deles. A vinda dos homens que deveriam ser nossos deuses não foi pacífica.... índios brancos nos mataram, nos obrigaram a fazer o que queriam.... e a nossa tristeza foi muito grande. Tivemos que fugir da terra em que vivíamos, deixando os espíritos de nossos antepassados, para nos esconder do poder destruidor deles. Para tentar voltar a nossa antiga vida.
Depois de todo sacrifício começaram a trazer outros índios, de pele escura, negra. E sofreram por nós. Diziam que a nossa tribo não prestava para o trabalho. Nos maltrataram impondo uma vontade que não era nossa e nos chamam de vagabundos. Os presentes preciosos.... quinquilharias.... não pagaram o alto preço da nossa liberdade. O preço que julgaram ser justo pela nossa terra, agora deles; no futuro certamente irão comemorar esta invasão.
E nós, índios, vamos ficar em silêncio.... em sinal de luto. Pois a vossa "descoberta" significou a nossa desgraça. E de muitos outros. Éramos uma terra de deuses, onde entre nós havia respeito e uma verdadeira vida, que o canibalismo dos brancos destruiu em poucos dias.
E foi assim que tudo começou..... e qual será o destino dessa grande ilha, dessa terra.... que hoje se chama Brasil......
Os deuses da natureza nos presentearam de forma jamais vista - o sol forte e vigoroso, sem perder a suavidade, atingia a todos com uma energia uniforme, gerando vida; a chuva se intercalou propiciando a água tão necessária, o nosso maior tesouro, para a saciedade de nossa gente, de nossa terra, plantação e, especialmente, para os espíritos de nossos antepassados. Não tivemos os castigos na forma de secas, geadas ou inundações, que tanto nos afligiram em outras ocasiões.
Nessa noite, nos reunimos para agradecer - o espírito da natureza, os nossos antepassados, o Sol, a chuva - toda prosperidade e segurança que nos foram oferecidos pelos os alimentos que não iriam faltar aos nossos filhos e aos ritos de troca com as tribos vizinhas, o que poderia ocasionar uma situação de guerra entre nossos povos. Agradecer sempre fez parte de nossa cultura, seja em épocas férteis ou nas quais os alimentos não nos vinham em abundância.
No meio da aldeia, o fogo consumia a madeira. Ao redor, nas ocas que compunham a nossa tribo, víamos as mulheres pintando os seus homens e sendo pintadas. Elas passaram o dia inteiro fazendo ornamentos de penas de aves, preparando as tintas e os cestos de palha entrelaçada nos quais iriam os alimentos que representavam a colheita. Os homens costumavam ser os caçadores e ajudavam as mulheres no plantio e nas árduas tarefas do campo. Preparavam as ferramentas, a terra.
Em algumas ocas, as crianças ficavam a espreita tentando observar a preparação do ritual. O ritual da colheita era exclusivo aos adultos. E como não podiam participar ficavam curiosos. Todos os adultos sabiam que eles não conseguiriam ficar dormindo.... já fomos pequenos. Os mais velhos, cujo ingresso na vida adulta estava próxima, ficavam isolados em uma oca afastada, se preparando para as tarefas do ritual da maioridade que estavam por vir. Tudo tem a sua época.
Após o dia de sol claro, os deuses trouxeram uma bela lua.... redonda. Nessa época em que o tempo é mais frio, as folhas caem dos galhos das árvores para que se nasçam belas flores.... as abelhas certamente agradecem essa época. Observava ao mesmo tempo o Sol, a Lua.... sempre estiveram distantes.... lá no céu; deuses que nunca tiveram tempo de descer a terra para comemorar conosco. Mas, sabíamos que o grande dia estava próximo.
Muitas luas atrás, durante um ritual de maioridade dos guará-mirim - antiga tribo de nossos antepassados - o cacique Piroembu recebeu a voz do "espírito da natureza"; este contou ao nosso povo sobre a futura visita dos deuses à nossa terra. Os deuses iriam se transformar em seres, como nós, para poder festejar o dia da grande colheita. Muitos esperaram.... esperaram.... e voltaram para a natureza sem presenciar.
Essa história se manteve conosco por muitas e muitas luas. Aquela tribo cresceu, e nasceram três tribos de descendentes daquela tradição, que proporcionam novos filhos para ambos. Os mais velhos se reuniam com os mais novos, contavam a história e, desta forma, imortalizaram o passado para nós.... continuamos fazendo o mesmo para com nossos filhos.
Passamos a noite inteira dançando. Agradecemos cada um desses filhos que vieram para dar continuidade a nossa família, e que recebiam as lições dos que estavam com muitas luas, cabelos grisalhos, próximos da hora de voltar à natureza. As festividades se estenderam até a fogueira apagar.....
Com os primeiros pássaros, a tribo amanhecia.... estava deitado na rede, e observava a fumaça que ainda saía da fogueira.... as crianças correndo pela aldeia, até que sumiram em direção ao lago de areia. Na oca vizinha a minha, o cacique se encontrava fraco.... estava doente.... e algumas mulheres estavam cuidando de sua saúde. Eu, ainda cansado, resolvi dormir mais um pouco.....
De repente, acordo assustado.... as crianças vieram correndo, ofegantes, e gritando: "Os deuses.... os deuses....". Era o mais velho da tribo e na ausência do cacique, pela sua debilitação, vieram me procurar.... e disseram: "Horoé venha até o grande lago.... os deuses estão chegando". Os outros adultos da tribo se reuniram, todos tínhamos a esperança de que estivesse sendo realizada a profecia, e partimos com os pequenos para o local no qual haviam visto os deuses.
E, seguindo as marcas que os pequenos deixaram na areia, chegamos ao grande lago.... todos ficamos surpresos com o que vimos.... sobre a água, uma canoa gigante trazia muitos deuses.... suas peles eram mais claras do que as nossas, e possuíam algo estranho que lhes cobriam o corpo. Estava tão quente, o dia claro e não haviam nuvens no céu...... mas, eram deuses.
Alguns deles desceram para uma canoa menor, e vieram a nós. Próximo a eles, vimos que até os pés estavam cobertos... achamos muitíssimo estranho. Um sujeito com imponente barba se aproximou. Outro, um pouco atrás, mantinha uma pena em movimento sobre uma diferente espécie de folha - não sabíamos de que árvore vinha - onde a pena deixava estranhas marcas.
Não compreendíamos o que falavam, a língua dos deuses era tão diferente, complicada, mas não deixava de ser bela. Ofereceram-nos presentes, alguns destes eram mágicos, as nossas mulheres adoraram.... era uma madeira com a capacidade que só os lagos possuíam, mostravam exatamente como cada um de nós éramos. Certamente eram deuses, só estes poderiam ter tal poder.
Ficaram conosco por alguns dias, pude observá-los e por meio de sinais até nos entendemos. Construíram uma espécie de totem em nossa ilha, e os ajudamos no que foi preciso.... em pouco tempo foram embora; o encontro com os deuses foi a situação mais emocionante que vivi até aquele momento.... vimos sua gigante canoa ir tão longe.... longe..... e, de repente, sumiu nas águas.
Muitas vezes desafiamos as águas do grande lago. Tentamos com nossas canoas chegar a outra margem, mas a água sempre nos empurrava de volta para a areia. Quando isso não acontecia, nossos homens não conseguiam alcançar a outra margem.... muitos não voltavam.... o que nos confirmava que eram de fato deuses.
A vida continuou.... sempre continua. E para nós, não era mais a mesma, afinal havíamos presenciado um fato raro, os deuses vieram em nosso auxílio, e conosco dançaram, comemorando a nossa colheita, a nossa atitude. Voltamos para as atividades com mais afinco - caça, pesca, plantio - cuidando bem da nossa terra, esperávamos poder repetir uma colheita tão boa e ter novamente a companhia dos deuses. Mas uma grande surpresa estava reservada a nós.
Sem esperar, antes de qualquer colheita - não foram necessárias muitas luas - eles voltaram. Como no primeiro dia fomos ao mesmo local recebê-los, estávamos ansiosos para entender o que estava acontecendo. Porque novamente se transformaram em humanos e vieram a nós. Mas.... não eram as mesmas pessoas, somente algumas faces foram reconhecidas, e pensei: "Existem mais deuses do que imaginava".
Vieram muitos e muitos outros, porém desta vez foi diferente. Começaram a nos pegar pelos braços, todos ..... alguns começaram correr atrás de nossas mulheres.... tentávamos defendê-las, e um outro aparelho mágico, muito mais poderoso do que nossas flechas, impedia os que tentavam.... caiam mortos no chão. Mas, porque tal castigo.... o que havíamos feito em tão pouco tempo para sermos machucados e violentados pela irá dos deuses!!! Nossas filhas, mulheres.... nossas crianças, sendo tão maltratadas.... nem a seca mais poderosa, ou a enchente mais devastadora tinha sido capaz de nos ferir tanto. Não tinham razão para isto.
Em pouco tempo começamos a descobrir o que estava acontecendo. Os deuses que eram homens, na verdade não eram deuses. Não sabíamos bem quem eram, não eram índios de tribos conhecidas. Mas eram índios.... brancos. A grande canoa deles ia para outras terras, e sempre voltava.... cada vez com mais pessoas que aqui ficavam, construíam ocas diferentes, feitas de barro e madeira.... alguns eram bons, queriam nos ensinar a cultura e a língua deles, outros nos castigavam e faziam que o nosso e outros povos fizessem coisas para eles, e o açoite era o prêmio para o cansaço.
Em poucas luas, comecei a compreender melhor as coisas. Os "jesuítas" nos ensinavam a língua deles. E nos diziam o que era "a verdade". Falavam que estávamos vivendo em pecado, pela nossa inocência, por desconhecermos o "Deus" deles. Único. Mas que este não jogaria mais pestes se mudássemos nossa atitude.
Mostraram o objeto mais precioso para eles: ouro. Uma pedra brilhante que, para mim, parecia não servir para nada. Nos machucaram muito para falar aonde havia, mas nunca tínhamos visto tal pedra; além do mais, já possuíamos tudo o que preciso.... mandioca, banana, água, animais que eram caçados em nossas terras ou pescados em abundantes rios.... para que mais!!! Mas esta nova tribo era muito estranha... sempre queriam mais e mais, e obrigavam nossos homens a fazer todo o serviço.
A terra que durante muitas luas, ou como diziam, "anos" fora nossa não era mais. Diziam que eram deles. A vinda dos homens que deveriam ser nossos deuses não foi pacífica.... índios brancos nos mataram, nos obrigaram a fazer o que queriam.... e a nossa tristeza foi muito grande. Tivemos que fugir da terra em que vivíamos, deixando os espíritos de nossos antepassados, para nos esconder do poder destruidor deles. Para tentar voltar a nossa antiga vida.
Depois de todo sacrifício começaram a trazer outros índios, de pele escura, negra. E sofreram por nós. Diziam que a nossa tribo não prestava para o trabalho. Nos maltrataram impondo uma vontade que não era nossa e nos chamam de vagabundos. Os presentes preciosos.... quinquilharias.... não pagaram o alto preço da nossa liberdade. O preço que julgaram ser justo pela nossa terra, agora deles; no futuro certamente irão comemorar esta invasão.
E nós, índios, vamos ficar em silêncio.... em sinal de luto. Pois a vossa "descoberta" significou a nossa desgraça. E de muitos outros. Éramos uma terra de deuses, onde entre nós havia respeito e uma verdadeira vida, que o canibalismo dos brancos destruiu em poucos dias.
E foi assim que tudo começou..... e qual será o destino dessa grande ilha, dessa terra.... que hoje se chama Brasil......
domingo, 13 de abril de 2008
Efeito oásis
Povo brasileiro. Perdoem a minha ironia, estou revoltado com o progresso do mundo. Explico: Antigamente, a ilusão de óptica era restrita aos deuses. A física não existia. E com ela não haviam explicações para os fenômenos que hipnotizavam os homens, ingênuos na sua constatação; verdadeiros por serem visíveis.
Mudam-se os tempos, e com eles as "ilusões". Há quase um século, Einstein abalava os alicerces do mundo conhecido com a Teoria da Relatividade. Mas, mesmo ele, se pudesse prever o futuro, não poderia dizer o quão relativo este iria se tornar. Pobres homens.
A palavra mais exata para definir as novas ilusões: Enganação. Hoje, os corpos apolíneos são delineados pelo bisturi do cirurgião "plástico"... colocam plástico ali, tiram banha daqui. Peitos e bundas, quando são belos, não o são por natureza. Lei da sobrevivência.
Fora os meninos, anabolizados, com peito de pombo, que só faltam ciscar o chão para demonstrar a sua imbecilidade. Como se não soubessem que uma bexiga de gás hélio fica murcha em poucas horas. O efeito é o mesmo, e depois ficam deprimidos pelo que foram e que nunca voltarão a ser. A menos que busquem a beleza a qualquer custo e a morte venha como conseqüência.
Todos querem ser belos. E o momento é já, agora!!! Ninguém quer esperar muito tempo. Esforço.... humm!!! Mesmo as pessoas que se prezam, não conquistam a beleza através deste. A lei do esforço parece ser para os ingênuos dos nossos tempos. Imbecis são aqueles que procuram conquistas no sacrifício. Bem-vindo ao mundo dos "Gersons".
E assim como o oásis some nas tempestades do deserto, com suas ambicionadas águas construídas pela imaginação, tais pessoas, são tão reais como estes. Mas uma só é a verdade: "Não podemos confiar em nossos olhos". E tal constatação, apesar de óbvia, demorou a me atingir. Dentro de casa, o mundo real é mais imaginário do que todas as imaginações possíveis.
Foi somente numa dessas noites, na boêmia proporcionada por São Paulo e desconhecida para mim, que a inspiração deste texto surgiu. Alguns amigos me arrastaram para fora do meu "recanto". E, apesar da minha indisposição, não me arrependi; o bar era agradável e as mulheres, muito bonitas. Comentei a beleza de uma mulher que passava a um amigo e ele me disse:
- "Essa é pré-fabricada".
- "O que!?! Pré-fabricada, o que é isso?!" - respondi ingenuamente.
- "Mulher pré-fabricada, é aquela que só é bela após uma super produção" - respondeu-me pacientemente. E me ensinou os mandamentos da vida noturna, complementos da teoria do efeito oásis.
- "Amigo, o ditado que ouviu toda a vida é verdadeiro - na noite todos os gatos, gatas são pardos. A mais terrível mocréia pode se tornar na mais bela princesa" - afirmou numa obviedade que me fez parecer estúpido. E continuou:
- "É claro que um ambiente escuro, uma super produção, e a ajuda do amigo rei das ilusões, álcool, ajudam a mudar toda e qualquer perspectiva. Principalmente para as mais pobres que não tem condições de ser transformarem pela cirurgia". E confessou:
- "O efeito oásis já se manifestou comigo. Estava alcoolizado e fiquei com uma garota supostamente linda. Até me gabei para os amigos. E quando a encontrei, meu Deus do céu... o filhote do satanás seria mais belo".
Passamos a noite inteira no debate fervoroso sobre a aparência, e muitos foram os causos. E também as descobertas dos truques de beleza. Coisa boiola, né? Mas essenciais para não sermos enganados. Afinal, a tecnologia aliada com a criatividade pode transformar tudo. Bundas que são de espuma, vestida em calcinhas, ou mesmo os sutiãs com enchimento, o famoso "wonder bra" - sutiã maravilha - que transformam o que não existe em fantasia. Cremes especiais que escondem as marcas de espinha; enfim, uma infinidade de recursos. Difícil de escapar.
Mas pior é a maneira como nos empurram tais conceitos. Meios de comunicação. Todos os artistas promovem tal perfeição. A exigência de sermos belos. E acabamos sendo jogados em duas categorias - frustrados e não frustrados. Aqueles que aceitam as suas imperfeições (adoro as minhas gordurinhas) e os que se sentem incomodados pelo fato de serem iguais aos outros, mas ainda não terem usado tais recursos.
Já vejo o futuro. Notícias nos jornais: "Extra, extra.... artista "X" afirma que o seu seio é de verdade". Todos irão duvidar. Sou mais um seio de verdade na mão do que um de plástico recauchutado. É triste ver que nessa nova lei da natureza para se perpetuar a espécie, vale absolutamente tudo. Que vivam as suas ilusões de "serem", continuarei no meu mundinho.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
O grande artista
Ao entardecer
Deus sai de sua toca
Em suas mãos - palhetas, tintas, pincéis
Em sua mente - inspiração
Inicia sua arte, e o céu azul
Começa a se transformar
As nuvens, antes brancas, pela mágica
Se tornam laranja, rosa.
No limiar terra e céu, o negro poder
A força dos deuses da mãe África
O sol cai, se esconde
Do outro lado, surge a lua
Trazendo a escuridão, e com sua beleza
Soberana fortalece nossos sonhos
Neste momento, resquícios de luz e vida
Poeticidade em tinta
Aguardando outro luar.
Deus sai de sua toca
Em suas mãos - palhetas, tintas, pincéis
Em sua mente - inspiração
Inicia sua arte, e o céu azul
Começa a se transformar
As nuvens, antes brancas, pela mágica
Se tornam laranja, rosa.
No limiar terra e céu, o negro poder
A força dos deuses da mãe África
O sol cai, se esconde
Do outro lado, surge a lua
Trazendo a escuridão, e com sua beleza
Soberana fortalece nossos sonhos
Neste momento, resquícios de luz e vida
Poeticidade em tinta
Aguardando outro luar.
terça-feira, 1 de abril de 2008
A boneca de uma vida inteira
As velhas paredes acusavam sinais de outras épocas. Naquele edifício, de aspecto colonial, muitas histórias se escondiam. Eram os olhos dos amantes ou a tristeza do pedreiro com a terra prometida: "Será que havia mérito em ter abandonado a santa terra pelo ouro paulista?". Até aquele momento, não.
Sensações confusas... prazer e ódio.... imagens do passado. Corpos nus dos que desafiavam a época, dos que se entregavam ao amor quando tais pecados eram realmente mortais. Quando a honra era defendida com sangue e o corpo inerte do pecador. A dignidade prevalecia na aparência - sórdidas eram as verdades na essência. Mas, quem poderia contestar?
Das imagens guardadas nesse prédio, pude rever diversos operários estrangeiros que vieram construir a nossa cidade - hoje, insuportável. Essa pensão, onde muitos viviam de forma subumana, estava ao redor da velha fábrica têxtil onde muitos de nossos antepassados trabalharam. Sim... a vida era muito difícil. E o futuro agradece àqueles que possilitaram a mudança, o progresso. Particularmente, agradeço as imagens do meu bisavô sofrendo pela educação e comida. Afinal, somos a resultante da somatória do passado de muitos... e estamos vivos. Essa é a maior das graças. O que mais me marcou foi a história de um daqueles pobres funcionários, um espanhol que guardou em sua memória uma promessa que nunca iria esquecer, e que agora vou lhes contar.
Era uma quarta-feira de um mês de novembro de 1939. Toda vez que José passava em frente a uma loja de brinquedos na rua Frei Caneca, sua filhinha, Inês, pedia-lhe aquela boneca que tanto encantava. Era uma boneca cara, de porcelana, com ornamentos em fios de ouro, que enfeitiçava a menina. Todas as manhãs, no trajeto ao colégio, seus olhos suplicavam por aquela que não seria apenas mais uma boneca, mas uma filha.
O exausto pai colecionava calos, cansaço e dores.. e a boneca não lhe era possível naquele momento. A vida demandava as necessidades primárias. Sonhos, desejos e outras imaginações não eram possíveis.
-"Minha filhinha, o papai promete que, um dia, lhe presenteará com tudo o que você merece". A tristeza nos olhos da menina só não era maior do que a dele. A vida era dura na Espanha, mas podia se dar a alguns luxos que não encontrava no Brasil.
Os dias passaram. Continuou na labuta pelo alimento. A filha foi crescendo. Estudou... trabalhou.... casou, e constituiu a sua família. Intimamente sabia ter sido uma vencedora, e o pouco que possuía era muito mais do que todos os sonhos do pai durante a sua vida. E a ele dedicava tudo o que tinha, que a vida pode proporcionar.
Na sua festa de aniversário, cerca de trinta anos após o evento, um episódio dos mais felizes, e ao mesmo tempo, tristes aconteceu.
- "Filha....um dia lhe fiz uma promessa e hoje vou cumpri-la".
Inês não entendia do que falava. Foram muitos anos... fatos e eventos.... para se lembrar da palavra do pai.
- "Promessa, pai??? Que promessa... não me lembro!!!".
Seu José estendeu-lhe um pacote belamente embrulhado. Inês estranhou a atitude do pai. O que haveria de especial naquele pacote!!! O que teria a ver com a promessa? Abriu-no com dificuldade devido a ansiedade. E, quando viu o presente, colocou-se em prantos... chorando compulsivamente.
- "Filhinha.... me desculpe por um arranhão ou outro... comprei essa boneca, mandei reformar para ficar igualzinha como era no passado". Respirou profundamente, faltava-lhe o ar com tamanha emoção.
- "Hoje sinto-me realizado... feliz... consegui cumprir com a minha palavra... fazer aquilo que a tanto tempo queria e não tinha como". E continuou:
- "Não tive uma vida próspera como esperava, não alcancei muito dos meus objetivos. E uma boneca, que procurei por mais de 20 anos... me trouxe essa felicidade. Me perdoe por ter demorando tanto, Inês".
Inês deu-me um abraço como nunca havia dado. Sabia que seu pai era uma pessoa tímida, que se constrangia com essas demonstrações de afeto. E foi correndo para a cozinha mostrar para sua mãe o presente que havia ganhado. Sua família, suas filhas e marido, ficaram reunidos ao redor do fogão conhecendo a verdadeira história daquela boneca. Na sala, o velho José sentou na sua poltrona e lá ficou.
Pouco mais tarde, descobriram ele ascendeu ao céu. Nos olhos dos familiares, as lágrimas escorriam diante da certeza de que ele havia se mantido vivo para ver sua promessa realizada, e a triste felicidade de saber que o pai, avô... havia morrido em paz.
Sensações confusas... prazer e ódio.... imagens do passado. Corpos nus dos que desafiavam a época, dos que se entregavam ao amor quando tais pecados eram realmente mortais. Quando a honra era defendida com sangue e o corpo inerte do pecador. A dignidade prevalecia na aparência - sórdidas eram as verdades na essência. Mas, quem poderia contestar?
Das imagens guardadas nesse prédio, pude rever diversos operários estrangeiros que vieram construir a nossa cidade - hoje, insuportável. Essa pensão, onde muitos viviam de forma subumana, estava ao redor da velha fábrica têxtil onde muitos de nossos antepassados trabalharam. Sim... a vida era muito difícil. E o futuro agradece àqueles que possilitaram a mudança, o progresso. Particularmente, agradeço as imagens do meu bisavô sofrendo pela educação e comida. Afinal, somos a resultante da somatória do passado de muitos... e estamos vivos. Essa é a maior das graças. O que mais me marcou foi a história de um daqueles pobres funcionários, um espanhol que guardou em sua memória uma promessa que nunca iria esquecer, e que agora vou lhes contar.
Era uma quarta-feira de um mês de novembro de 1939. Toda vez que José passava em frente a uma loja de brinquedos na rua Frei Caneca, sua filhinha, Inês, pedia-lhe aquela boneca que tanto encantava. Era uma boneca cara, de porcelana, com ornamentos em fios de ouro, que enfeitiçava a menina. Todas as manhãs, no trajeto ao colégio, seus olhos suplicavam por aquela que não seria apenas mais uma boneca, mas uma filha.
O exausto pai colecionava calos, cansaço e dores.. e a boneca não lhe era possível naquele momento. A vida demandava as necessidades primárias. Sonhos, desejos e outras imaginações não eram possíveis.
-"Minha filhinha, o papai promete que, um dia, lhe presenteará com tudo o que você merece". A tristeza nos olhos da menina só não era maior do que a dele. A vida era dura na Espanha, mas podia se dar a alguns luxos que não encontrava no Brasil.
Os dias passaram. Continuou na labuta pelo alimento. A filha foi crescendo. Estudou... trabalhou.... casou, e constituiu a sua família. Intimamente sabia ter sido uma vencedora, e o pouco que possuía era muito mais do que todos os sonhos do pai durante a sua vida. E a ele dedicava tudo o que tinha, que a vida pode proporcionar.
Na sua festa de aniversário, cerca de trinta anos após o evento, um episódio dos mais felizes, e ao mesmo tempo, tristes aconteceu.
- "Filha....um dia lhe fiz uma promessa e hoje vou cumpri-la".
Inês não entendia do que falava. Foram muitos anos... fatos e eventos.... para se lembrar da palavra do pai.
- "Promessa, pai??? Que promessa... não me lembro!!!".
Seu José estendeu-lhe um pacote belamente embrulhado. Inês estranhou a atitude do pai. O que haveria de especial naquele pacote!!! O que teria a ver com a promessa? Abriu-no com dificuldade devido a ansiedade. E, quando viu o presente, colocou-se em prantos... chorando compulsivamente.
- "Filhinha.... me desculpe por um arranhão ou outro... comprei essa boneca, mandei reformar para ficar igualzinha como era no passado". Respirou profundamente, faltava-lhe o ar com tamanha emoção.
- "Hoje sinto-me realizado... feliz... consegui cumprir com a minha palavra... fazer aquilo que a tanto tempo queria e não tinha como". E continuou:
- "Não tive uma vida próspera como esperava, não alcancei muito dos meus objetivos. E uma boneca, que procurei por mais de 20 anos... me trouxe essa felicidade. Me perdoe por ter demorando tanto, Inês".
Inês deu-me um abraço como nunca havia dado. Sabia que seu pai era uma pessoa tímida, que se constrangia com essas demonstrações de afeto. E foi correndo para a cozinha mostrar para sua mãe o presente que havia ganhado. Sua família, suas filhas e marido, ficaram reunidos ao redor do fogão conhecendo a verdadeira história daquela boneca. Na sala, o velho José sentou na sua poltrona e lá ficou.
Pouco mais tarde, descobriram ele ascendeu ao céu. Nos olhos dos familiares, as lágrimas escorriam diante da certeza de que ele havia se mantido vivo para ver sua promessa realizada, e a triste felicidade de saber que o pai, avô... havia morrido em paz.
segunda-feira, 31 de março de 2008
Tristezza
Chi vuole tacere l´anima
Che piange nella presenza
Poverà "ninna" carina, a farmi ricordare
Il dolce sapore del nostro passato
La voce amorevole e sincera
L´amore che abbraciato sentiva
L´ora che mai passava
Senza la tua faccia
Chi vuole soffrire così
Ricordare gli sbagli accaduti
Non sono oltremodo felice
Per la vita che ha diventato
Oggi sono maggiorenne
E sei nella mia memoria
Penna che le cose non sono
Più le stesse
Che piange nella presenza
Poverà "ninna" carina, a farmi ricordare
Il dolce sapore del nostro passato
La voce amorevole e sincera
L´amore che abbraciato sentiva
L´ora che mai passava
Senza la tua faccia
Chi vuole soffrire così
Ricordare gli sbagli accaduti
Non sono oltremodo felice
Per la vita che ha diventato
Oggi sono maggiorenne
E sei nella mia memoria
Penna che le cose non sono
Più le stesse
domingo, 30 de março de 2008
Raças
Garotas lindas
No Brasil existem mil
E dentre mil és gloriosa
Sedutora e maldosa
Castigando-me a toda hora
No desejo, forte e viril
E não choras na multidão
Sendo loira, morena ou mulata
Que meus olhos sempre maltrata
E na junção inesperada
Alimentada pelo seu jeito infantil
E malícia que só existe no Brasil
Obrigado, nação
Para onde vieram italianas, japonesas
Tantas raças e tantas belezas
De culturas sem mazelas,
Mistura de almas gêmeas
Na liberdade de ser igual
Garota linda
Procuro suas mãos, nas dunas nordestinas
Seus olhos na Lagoa Azul
Seu corpo na Foz do Iguaçu, sinuosa
E alma verdadeira de mulher brasileira
Perto do babaçu, cultura índia
"Sincretismo que te criou"
No Brasil existem mil
E dentre mil és gloriosa
Sedutora e maldosa
Castigando-me a toda hora
No desejo, forte e viril
E não choras na multidão
Sendo loira, morena ou mulata
Que meus olhos sempre maltrata
E na junção inesperada
Alimentada pelo seu jeito infantil
E malícia que só existe no Brasil
Obrigado, nação
Para onde vieram italianas, japonesas
Tantas raças e tantas belezas
De culturas sem mazelas,
Mistura de almas gêmeas
Na liberdade de ser igual
Garota linda
Procuro suas mãos, nas dunas nordestinas
Seus olhos na Lagoa Azul
Seu corpo na Foz do Iguaçu, sinuosa
E alma verdadeira de mulher brasileira
Perto do babaçu, cultura índia
"Sincretismo que te criou"
Força
Se cada pequeno provérbio
Carrega pensamentos de vida
Se cada pequeno mistério
Oculta e transforma o dia
Se cada toque sincero
Acaricia os fracos e queridos
Sábios e humildes
Encontraremos na realidade,
e na porta dos místicos - mais que palavras
A construção de elementos
Na força construtiva de nos fazer melhor
Deixando nos livres de nossas ambições
Carrega pensamentos de vida
Se cada pequeno mistério
Oculta e transforma o dia
Se cada toque sincero
Acaricia os fracos e queridos
Sábios e humildes
Encontraremos na realidade,
e na porta dos místicos - mais que palavras
A construção de elementos
Na força construtiva de nos fazer melhor
Deixando nos livres de nossas ambições
sábado, 29 de março de 2008
Caramujo
Bocejo
Sem olhos para o mundo
E sigo minha parte
Conferida num passado
De sorriso propagado
Vento, sangue
Triste
Imanente
Que sente a falta
Da propagada alegria
Apagada dos dias
Caminho de solidão
Feliz
Olho o vento, as palavras
Novas perspectivas virão
Confiar, aguardar
O luar não tarda a chegar
Sem olhos para o mundo
E sigo minha parte
Conferida num passado
De sorriso propagado
Vento, sangue
Triste
Imanente
Que sente a falta
Da propagada alegria
Apagada dos dias
Caminho de solidão
Feliz
Olho o vento, as palavras
Novas perspectivas virão
Confiar, aguardar
O luar não tarda a chegar
quinta-feira, 27 de março de 2008
Agradecimento
Sabe aqueles dias em que apenas
queremos agradecer
A luz que nos bate suavemente a face
o brilho que conosco nasce
e nos faz viver
Aqueles dias mais azuis
em céus e terras, glórias e feras
domadas horas nos fazem donos
do destino perdido, comedido
das boas novas, enternecer
Todos os instantes mágicos
a lágrimas na face, a gota de chuva
o rio corrente - ribeirão livre
o pólen sútil que navega o ar
e o sabor do beijo que nos faz amar
É nessas horas que me vejo vivo
mais vivo
e ainda arranjo tempo para as palavras
eterna prece em pensamentos,
que nesses momentos... me faz renascer.
queremos agradecer
A luz que nos bate suavemente a face
o brilho que conosco nasce
e nos faz viver
Aqueles dias mais azuis
em céus e terras, glórias e feras
domadas horas nos fazem donos
do destino perdido, comedido
das boas novas, enternecer
Todos os instantes mágicos
a lágrimas na face, a gota de chuva
o rio corrente - ribeirão livre
o pólen sútil que navega o ar
e o sabor do beijo que nos faz amar
É nessas horas que me vejo vivo
mais vivo
e ainda arranjo tempo para as palavras
eterna prece em pensamentos,
que nesses momentos... me faz renascer.
quarta-feira, 26 de março de 2008
Jesus crucificado
Esperança
Nos olhos, nas favelas
Sobem o morro carioca
Desembocam lixos em mazelas
O destino em uma "oca"
Nas janelas das favelas
Cariocas, com certeza
Existem muita gente boa
Mas também, muita tristeza
Sobem homens e mulheres
Crianças tentam jogar bola
Mas a morte assola, todo dia,
Na favela carioca
Crianças viram aviões
Metamorfose da necessidade
Trabalhador desempregado, em ladrão
Essa é a nossa realidade
Onde se mostra o belo
E vejo a face de Deus
Num triste retrato
De Jesus crucificado
Para modificar o mundo
E agora, quem irá nos salvar!?!
Nos olhos, nas favelas
Sobem o morro carioca
Desembocam lixos em mazelas
O destino em uma "oca"
Nas janelas das favelas
Cariocas, com certeza
Existem muita gente boa
Mas também, muita tristeza
Sobem homens e mulheres
Crianças tentam jogar bola
Mas a morte assola, todo dia,
Na favela carioca
Crianças viram aviões
Metamorfose da necessidade
Trabalhador desempregado, em ladrão
Essa é a nossa realidade
Onde se mostra o belo
E vejo a face de Deus
Num triste retrato
De Jesus crucificado
Para modificar o mundo
E agora, quem irá nos salvar!?!
Cabral e suas naus
No olhar,
Deuses do Mar
Cabral e suas naus
Em Santa Cruz
Aportar
De ilha à terra
De terra à Brasil
Na rota da descoberta
Índios e florestas
Em novo mundo, encontrar
Da popa, esperanças
E a vista de Portugal
D. Manoel, o venturoso
Em sonhos de Isabel de Castela
Conseguiu nobres ares, desvendar
Muitas lutas e adversidades
Com persistência e coragem
Deixaram corpos enterrados em mares
Sem contemplar o desejo
De ver a amizade, aflorar
A história caminhou
Houveram brigas e afagos
Como a mãe que repreende
Para ver o filho crescer
O Brasil pode viver e, amar
Hoje, honramos a memória
No sangue de cada brasileiro
Descendentes de Cabral
E da amada Portugal
Que aqui encontraram o seu lar
500 anos se passaram
O que fora mãe, irmã é de fato
Na cultura, língua e vida,
Tudo o que Camões representa na Ilíada
Que veio nos colonizar
O tempo é imortal
O "uno" hoje é patria
Distantes pelo oceano
Perto pelo sentimento
Na amizade eterna, continuar.
"Que assim seja"
Deuses do Mar
Cabral e suas naus
Em Santa Cruz
Aportar
De ilha à terra
De terra à Brasil
Na rota da descoberta
Índios e florestas
Em novo mundo, encontrar
Da popa, esperanças
E a vista de Portugal
D. Manoel, o venturoso
Em sonhos de Isabel de Castela
Conseguiu nobres ares, desvendar
Muitas lutas e adversidades
Com persistência e coragem
Deixaram corpos enterrados em mares
Sem contemplar o desejo
De ver a amizade, aflorar
A história caminhou
Houveram brigas e afagos
Como a mãe que repreende
Para ver o filho crescer
O Brasil pode viver e, amar
Hoje, honramos a memória
No sangue de cada brasileiro
Descendentes de Cabral
E da amada Portugal
Que aqui encontraram o seu lar
500 anos se passaram
O que fora mãe, irmã é de fato
Na cultura, língua e vida,
Tudo o que Camões representa na Ilíada
Que veio nos colonizar
O tempo é imortal
O "uno" hoje é patria
Distantes pelo oceano
Perto pelo sentimento
Na amizade eterna, continuar.
"Que assim seja"
domingo, 23 de março de 2008
Nos porões do baú memória
O quarto proibido. Após a morte da minha esposa - 60 anos de casamento - uma mescla de tristeza e de ausência me dominou. Vivíamos na cumplicidade e na "amizade" que somente o convívio pôde nos proporcionar, e a paciência, é óbvio. Logo após a sua morte, procurava-a em todos lugares, em cada imagem... e podia vê-la, sorrindo para mim. Costumávamos acordar cedo, ler o jornal e assistir a TV. Depois do almoço sempre jogávamos carta. Era o nosso habito, o nosso vício.... passatempo.... e senti a ida dela sem ao menos uma despedida. Sem....
Preocupados por não ser mais jovem - 82 anos bem vividos - os meus filhos e netos resolveram retirar todos os objetos que pudessem me trazer a sua imagem, e não precipitar uma possível esclerose que acreditavam estar me dominando: "Esclerose, eu.... "maledetti"". Não os poupava das injustiças que estavam me fazendo, falavam para mim: "Tá certo... o senhor está certo". Mas não me davam razão e, por vezes, me chamavam de velho ranzinza. Não adiantava tentar.
Uma vez tentei arrombar a porta do quarto, e descobri que não tinha o mesmo vigor da juventude. Antigamente pulava muros, roubava mangas e fugia dos tiros de espingarda de sal do Seu Saul... velho muquirana. Era divertido. Muitas dessas e outras lembranças estavam presas naquele quarto. As fotos que tirava com os meus amigos... numa São Paulo que não era só concreto, e num rio Tietê que não era apenas poluição... nadávamos, pulávamos dos trampolins que existiam nas margens, e a farra ficava grafada nessas estimadas fotografias. Devia fazer uns 40 anos que não as via... ou mais. Esta frase me denuncia.
Aproveitando que a minha filha mais velha estava dormindo - foi para cama mais cedo por estar gripada - e o meu neto foi viajar com os amigos, resolvi fazer uma última tentativa. Passaram 5 meses me impedindo de entrar lá. Invadi o quarto da Nanda e peguei a chave que estava junto ao molho dela, na cabeceira. Ela se mexeu, virou de lado e continuou a dormir profundamente. Que susto!!!. Saí do quarto tentando fazer o mínimo de barulho possível, mas as juntas rangiam mais do que a velha porta.
Consegui!!!. Enfim entre nós, somente chaves e a porta, que foi facilmente suplantada. Logo estava aos pés do velho baú - quantas vezes coloquei as coisas lá e as esqueci. A lembrança dos meus antigos amigos, estejam onde estiverem, me reavivou a vontade de rever as memórias perdidas. Abri o baú, pronto para me encontrar com o meu passado, e qual não foi a minha surpresa.
As traças e o tempo, sem a devida limpeza, estragaram a maioria das fotos... pouco se podia reconhecer, e se aproveitar. A tristeza foi completa. Consegui ver os meus amigos... quase sumindo... sumindo... em outras fotos, os meus filhos praticamente amputados para o almoço das laboriosas traças.
O pouco das memórias que ainda existem vão morrer comigo, em mim. Só sobrou uma única foto, inteira e sem nenhum arranhão, a da falecida, e estava sorrindo. Parecia provocação. Uma súbita RAIVA me atingiu e comecei a gritar: "Maledetta, MALLLLEEEEDETTTA".
Minha filha acordou e veio ver o que estava acontecendo. E disse exatamente assim: "Pai, eu sei como devem existir memórias dolorosas, a saudade, o fato dela ter te abandonado para ir para a outra vida". Interrompi abruptamente a frase, e olhei bem para ela mostrando a foto. E expliquei que não se tratava de saudades ou esclerose.
Olhava foto... o rosto dela, o sorriso irônico da velha... que foi embora sem uma despedida, um aviso... e principalmente, sem pagar o dinheiro que me devia dos mais de 2.000 jogos perdidos ou 40 anos de biribá que jogamos. Cujo último desejo foi "doar" - vocês leram exatamente isso - doar esse "meu" dinheiro, ganho honestamente, a sua poupança para o vagabundo do sobrinho dela dar um jeito na vida. Não preciso nem dizer, parece mesquinho, mas era o meu dinheiro. E bem que a velha dizia que uma dia iria virar o jogo. "Vecchia Maledetta!!!"
Preocupados por não ser mais jovem - 82 anos bem vividos - os meus filhos e netos resolveram retirar todos os objetos que pudessem me trazer a sua imagem, e não precipitar uma possível esclerose que acreditavam estar me dominando: "Esclerose, eu.... "maledetti"". Não os poupava das injustiças que estavam me fazendo, falavam para mim: "Tá certo... o senhor está certo". Mas não me davam razão e, por vezes, me chamavam de velho ranzinza. Não adiantava tentar.
Uma vez tentei arrombar a porta do quarto, e descobri que não tinha o mesmo vigor da juventude. Antigamente pulava muros, roubava mangas e fugia dos tiros de espingarda de sal do Seu Saul... velho muquirana. Era divertido. Muitas dessas e outras lembranças estavam presas naquele quarto. As fotos que tirava com os meus amigos... numa São Paulo que não era só concreto, e num rio Tietê que não era apenas poluição... nadávamos, pulávamos dos trampolins que existiam nas margens, e a farra ficava grafada nessas estimadas fotografias. Devia fazer uns 40 anos que não as via... ou mais. Esta frase me denuncia.
Aproveitando que a minha filha mais velha estava dormindo - foi para cama mais cedo por estar gripada - e o meu neto foi viajar com os amigos, resolvi fazer uma última tentativa. Passaram 5 meses me impedindo de entrar lá. Invadi o quarto da Nanda e peguei a chave que estava junto ao molho dela, na cabeceira. Ela se mexeu, virou de lado e continuou a dormir profundamente. Que susto!!!. Saí do quarto tentando fazer o mínimo de barulho possível, mas as juntas rangiam mais do que a velha porta.
Consegui!!!. Enfim entre nós, somente chaves e a porta, que foi facilmente suplantada. Logo estava aos pés do velho baú - quantas vezes coloquei as coisas lá e as esqueci. A lembrança dos meus antigos amigos, estejam onde estiverem, me reavivou a vontade de rever as memórias perdidas. Abri o baú, pronto para me encontrar com o meu passado, e qual não foi a minha surpresa.
As traças e o tempo, sem a devida limpeza, estragaram a maioria das fotos... pouco se podia reconhecer, e se aproveitar. A tristeza foi completa. Consegui ver os meus amigos... quase sumindo... sumindo... em outras fotos, os meus filhos praticamente amputados para o almoço das laboriosas traças.
O pouco das memórias que ainda existem vão morrer comigo, em mim. Só sobrou uma única foto, inteira e sem nenhum arranhão, a da falecida, e estava sorrindo. Parecia provocação. Uma súbita RAIVA me atingiu e comecei a gritar: "Maledetta, MALLLLEEEEDETTTA".
Minha filha acordou e veio ver o que estava acontecendo. E disse exatamente assim: "Pai, eu sei como devem existir memórias dolorosas, a saudade, o fato dela ter te abandonado para ir para a outra vida". Interrompi abruptamente a frase, e olhei bem para ela mostrando a foto. E expliquei que não se tratava de saudades ou esclerose.
Olhava foto... o rosto dela, o sorriso irônico da velha... que foi embora sem uma despedida, um aviso... e principalmente, sem pagar o dinheiro que me devia dos mais de 2.000 jogos perdidos ou 40 anos de biribá que jogamos. Cujo último desejo foi "doar" - vocês leram exatamente isso - doar esse "meu" dinheiro, ganho honestamente, a sua poupança para o vagabundo do sobrinho dela dar um jeito na vida. Não preciso nem dizer, parece mesquinho, mas era o meu dinheiro. E bem que a velha dizia que uma dia iria virar o jogo. "Vecchia Maledetta!!!"
sábado, 22 de março de 2008
Tique
Tique-Taque
No ponteiro difuso, me sinto
Muito confuso, não minto
E o relógio me chama as horas
Tique
Desastres, mortes e agora
Me sinto mais confuso
Taque
Nos preciosos minutos me perco
Nos infinitos segundos te acho
Sempre presente no retrato
Da memória
No ponteiro difuso, me sinto
Muito confuso, não minto
E o relógio me chama as horas
Tique
Desastres, mortes e agora
Me sinto mais confuso
Taque
Nos preciosos minutos me perco
Nos infinitos segundos te acho
Sempre presente no retrato
Da memória
Canzone al passato
Lasciami qui solo
Ed avrà voluto vivere
Un attimo, un attimo
Che solo te... può darmi
Una presenza cattiva
Un fiore amaro
Un ricordo legato
Dei tempi veri con te
Ancora mi sembra un sogno
Che ho vissuto svegliato
E quel che fu diventato
Non sono, non sono.... più io
Perchè aveva coraggio
Perchè aveva un´amore
Perchè vedeva legame
Ed oggi non vivo in te
C´è un altro in tuoi pensieri
Una vita che adesso non ho
E le lacrime che se ne vanno
Rappresentano un addio!!!
FL - 06/09/99
Ed avrà voluto vivere
Un attimo, un attimo
Che solo te... può darmi
Una presenza cattiva
Un fiore amaro
Un ricordo legato
Dei tempi veri con te
Ancora mi sembra un sogno
Che ho vissuto svegliato
E quel che fu diventato
Non sono, non sono.... più io
Perchè aveva coraggio
Perchè aveva un´amore
Perchè vedeva legame
Ed oggi non vivo in te
C´è un altro in tuoi pensieri
Una vita che adesso non ho
E le lacrime che se ne vanno
Rappresentano un addio!!!
FL - 06/09/99
sexta-feira, 21 de março de 2008
Desejo
Se eu
Pudesse fazer tudo
Para conseguir o mundo
Através do seu olhar
Rastejaria na lama
Andaria sobre o fogo
Agiria como um louco
Para tudo conquistar
Teus olhos, teus tormentos
O tudo e aos poucos
Em ti, naufragar
Derramar meu suor
Entregar minhas lágrimas
Seria mais do que amada
Exultaria no êxtase
Jogaria de corpo e alma
O que tenho a você
"Como o louco mais insano
Sofreria com a benção do martírio
Entregaria a minha vida, por você"
Pudesse fazer tudo
Para conseguir o mundo
Através do seu olhar
Rastejaria na lama
Andaria sobre o fogo
Agiria como um louco
Para tudo conquistar
Teus olhos, teus tormentos
O tudo e aos poucos
Em ti, naufragar
Derramar meu suor
Entregar minhas lágrimas
Seria mais do que amada
Exultaria no êxtase
Jogaria de corpo e alma
O que tenho a você
"Como o louco mais insano
Sofreria com a benção do martírio
Entregaria a minha vida, por você"
Poveri
Povera vita
Nata dentro le stesse cose
Senza cibi e speranza
Senza fragole in abbastanza
Senza possibilità del bel piacere
L´acqua nuova, terra vecchia
Le ciliege non rifioriranno
E così, siamo le stesse
Persone.... poveri.... poveri
Nella difficoltà raccolta
D`altra alba, altro posto
D´un altro dimenticato
Italia carina
Dove sarà quella vita!!
Dove è il mio amore!!
Che non trovo più
Dentro me
Nata dentro le stesse cose
Senza cibi e speranza
Senza fragole in abbastanza
Senza possibilità del bel piacere
L´acqua nuova, terra vecchia
Le ciliege non rifioriranno
E così, siamo le stesse
Persone.... poveri.... poveri
Nella difficoltà raccolta
D`altra alba, altro posto
D´un altro dimenticato
Italia carina
Dove sarà quella vita!!
Dove è il mio amore!!
Che non trovo più
Dentro me
Sonhos ocultos
Nas asas da melancolia
Desagrados em vivas memórias
Não fizera da vida, história
Retrocedendo aos sonhos ocultos
E perturbado, não voa
É levado
Pelo tempo corrente que grifa
Muitas e muitas horas
Da mais ardente agonia
A tristeza e o remorso
Se encontram e complementam
Enquanto não se livrar do segundo
Cometerá os mesmos erros
"Deprimido e recorrente serão
Sonhos terríveis ocultos
Verdadeiros no pesadelo da vida"
Desagrados em vivas memórias
Não fizera da vida, história
Retrocedendo aos sonhos ocultos
E perturbado, não voa
É levado
Pelo tempo corrente que grifa
Muitas e muitas horas
Da mais ardente agonia
A tristeza e o remorso
Se encontram e complementam
Enquanto não se livrar do segundo
Cometerá os mesmos erros
"Deprimido e recorrente serão
Sonhos terríveis ocultos
Verdadeiros no pesadelo da vida"
quarta-feira, 19 de março de 2008
Fazer a América (Dolce sogno)
Noite estrelada
E no vento ecoava a canção
“América, América, América...”
Deixava sozinha a Itália; sonhando
E buscava trabalho às mãos.
Oh.... Velha Bota
O que fizeste com os seus filhos!!!
Que hoje partem com fome
E somente carregam a coragem
De nova paragem encontrar.
Do vapor, via a terra distante
Adeus Gênova, adeus Itália
Deixei as lágrimas em suas águas
E o desconhecido, breve medo
Tomava na mente o lugar.
O vapor parte, e meus pensamentos ficam
Família e pátria amada
Das glórias das lutas de Petrarca
Ao inferno que Dante veio mostrar
Tudo isto pude presenciar.
E o trabalho, que não era pleno
E as barrigas, vázias
Esperanças despedaçadas
Fartura em mente, em fértil semente
Depositar.
Assim cada um encarava
Sonhava com o novo destino
Fortuna tão almejada
De terras outrora perdidas
Na América renascia.
Itália
Sua imagem permanece
Além-mar, eterna recordação
De onde não mais pousariam os sonos
Para acordar em nova nação.
Enfrentamos a morte, a peste
Uns encontraram a riqueza perdida
Outros pereceram dementes e incrédulos
Esse é o custo do desafio
Quando a vida resolvemos arriscar.
Minhas mãos, muito semearam
Também trabalhei nas Indústrias Matarazzo
Encontrei o lodo, o barro
Suplantei grandes adversidades
E venci na grande cidade.
Encontrei nesta América um novo lar
E aqui tive meus filhos, netos
Orgulhoso do passado
Agradeço o futuro presenteadoE a coragem da minha saudosa Itália.... deixar.
E no vento ecoava a canção
“América, América, América...”
Deixava sozinha a Itália; sonhando
E buscava trabalho às mãos.
Oh.... Velha Bota
O que fizeste com os seus filhos!!!
Que hoje partem com fome
E somente carregam a coragem
De nova paragem encontrar.
Do vapor, via a terra distante
Adeus Gênova, adeus Itália
Deixei as lágrimas em suas águas
E o desconhecido, breve medo
Tomava na mente o lugar.
O vapor parte, e meus pensamentos ficam
Família e pátria amada
Das glórias das lutas de Petrarca
Ao inferno que Dante veio mostrar
Tudo isto pude presenciar.
E o trabalho, que não era pleno
E as barrigas, vázias
Esperanças despedaçadas
Fartura em mente, em fértil semente
Depositar.
Assim cada um encarava
Sonhava com o novo destino
Fortuna tão almejada
De terras outrora perdidas
Na América renascia.
Itália
Sua imagem permanece
Além-mar, eterna recordação
De onde não mais pousariam os sonos
Para acordar em nova nação.
Enfrentamos a morte, a peste
Uns encontraram a riqueza perdida
Outros pereceram dementes e incrédulos
Esse é o custo do desafio
Quando a vida resolvemos arriscar.
Minhas mãos, muito semearam
Também trabalhei nas Indústrias Matarazzo
Encontrei o lodo, o barro
Suplantei grandes adversidades
E venci na grande cidade.
Encontrei nesta América um novo lar
E aqui tive meus filhos, netos
Orgulhoso do passado
Agradeço o futuro presenteadoE a coragem da minha saudosa Itália.... deixar.
terça-feira, 18 de março de 2008
Duas pedras
Duas pedras, suas faces
Ora o anjo que encanta
Ora o demônio que tenta
Em forma de escultura bruta
Ou lapidada, na mão lenta
E se mantêm distante
Fria e inalcançavel
Ou aquece o sentimento
Com o sorriso imortalizado
Nascendo em si novos laços
Mas são só pedras
Tens o coração petrificado
Nada é bastante forte, poderoso
Para trazer a vida, ser alienado
Insensível aos nossos encantos
a nossa vida, que foi bela
e está partida
como efeito na pedra
fria
Ora o anjo que encanta
Ora o demônio que tenta
Em forma de escultura bruta
Ou lapidada, na mão lenta
E se mantêm distante
Fria e inalcançavel
Ou aquece o sentimento
Com o sorriso imortalizado
Nascendo em si novos laços
Mas são só pedras
Tens o coração petrificado
Nada é bastante forte, poderoso
Para trazer a vida, ser alienado
Insensível aos nossos encantos
a nossa vida, que foi bela
e está partida
como efeito na pedra
fria
Profundo
Gota d´água
do marasmo
Correntes na ilíada compartida
Desilução de amadas, mães e filhas
Dos homens em alto mar
Terra pequena
Ambições desmedidas
Um passo
Dois passos
Maiores que a terra
Funda, profunda nação
Cheira amonia e derivados
Chora glórias e conquistas
Guarda corpos e memórias
E vê, o concreto
E tem, o cimento
Retrata o universo
É tudo, é água
E destes retornaremos
Momentos
do marasmo
Correntes na ilíada compartida
Desilução de amadas, mães e filhas
Dos homens em alto mar
Terra pequena
Ambições desmedidas
Um passo
Dois passos
Maiores que a terra
Funda, profunda nação
Cheira amonia e derivados
Chora glórias e conquistas
Guarda corpos e memórias
E vê, o concreto
E tem, o cimento
Retrata o universo
É tudo, é água
E destes retornaremos
Momentos
Adeus
Uns exaltam São Paulo
Eu, a desprezo
Cidade ingrata, maltrata os filhos
Aceita estranhos, engana destinos
E o esperançoso nordestino
Já houve época: nem paz tem os filhos da terra
Desemprego, violência
Matam e rebaixam
Os que já não tem estima
Os que desejavam mais da vida
Apenas, viver
beijos, Adeus
São Paulo
Eu, a desprezo
Cidade ingrata, maltrata os filhos
Aceita estranhos, engana destinos
E o esperançoso nordestino
Já houve época: nem paz tem os filhos da terra
Desemprego, violência
Matam e rebaixam
Os que já não tem estima
Os que desejavam mais da vida
Apenas, viver
beijos, Adeus
São Paulo
segunda-feira, 17 de março de 2008
Luz e sombra
Nas fúrias em forma de fogo
Afogado pelos ventos, castigado
Incontive-me dos ódios gerados
No passar dos anos e retratos
Foste bela e agora queima
Na labareda eterna do passado
Destruiu todos os sonhos, reinados
Na desilução de tê-la ao lado
O rico ouro não tem mais valor
Preciosas pedras se transformam em lágrimas
Foi a amada e abandonou
A plenitude que a vida presenteou
Trocou o inferno pelo inferno
Não se defendeu das torturas mais íntimas
Esqueceu que ainda havia vida
Buscando o reino das cinzas
Nobre, rei, excelentíssimo
De que valem as palavras e as pompas
Viver sobre todas as honras
Sem a sua luz, sem a sua sombra
Afogado pelos ventos, castigado
Incontive-me dos ódios gerados
No passar dos anos e retratos
Foste bela e agora queima
Na labareda eterna do passado
Destruiu todos os sonhos, reinados
Na desilução de tê-la ao lado
O rico ouro não tem mais valor
Preciosas pedras se transformam em lágrimas
Foi a amada e abandonou
A plenitude que a vida presenteou
Trocou o inferno pelo inferno
Não se defendeu das torturas mais íntimas
Esqueceu que ainda havia vida
Buscando o reino das cinzas
Nobre, rei, excelentíssimo
De que valem as palavras e as pompas
Viver sobre todas as honras
Sem a sua luz, sem a sua sombra
Será?
Será que penso logo existo?
Muitas vezes existimos sem pensar
Parede, pedra, teto inerte
Onde meu olhar se perde
Põem em terra meu lugar
Se penso logo existo
Como existo sem pensar?
Muitas vezes existimos sem pensar
Parede, pedra, teto inerte
Onde meu olhar se perde
Põem em terra meu lugar
Se penso logo existo
Como existo sem pensar?
Outro lado
No choro que liberta
Caudaloso rio transformei
Pequenas lágrimas, grande magia
Sincretismo, poesia
Eternidade que sempre almejei
Leve, dentre nuvens
Novos mundos conheci
Sorrindo em um mísero segundo
Tive Deus ao lado, e tudo vi
Difíceis jornadas enfrentei
Dores, tristezas encontrei
Enquanto matéria, tive outra vida
E senti cada lança que me fora destinado
E hoje, deste lado
Chagas, cicatrizes, machucados
São marcas, lições de aprendizados
Do que passei e venci
Feliz vejo o passado, agradeço o suportado
Pois tenho-no agora ao meu lado
Caudaloso rio transformei
Pequenas lágrimas, grande magia
Sincretismo, poesia
Eternidade que sempre almejei
Leve, dentre nuvens
Novos mundos conheci
Sorrindo em um mísero segundo
Tive Deus ao lado, e tudo vi
Difíceis jornadas enfrentei
Dores, tristezas encontrei
Enquanto matéria, tive outra vida
E senti cada lança que me fora destinado
E hoje, deste lado
Chagas, cicatrizes, machucados
São marcas, lições de aprendizados
Do que passei e venci
Feliz vejo o passado, agradeço o suportado
Pois tenho-no agora ao meu lado
domingo, 16 de março de 2008
Oitavo pecado
Falsas tu
Que como Brutus renegaste um coração
Solvendo dentre límpidos líquidos
Aos sujos fluidos que alcançarem-lhe as mãos
Dementes palavras direcionadas
Figuras que se vão
Tórrido romance, vida, brilho
Em segundos, nada de são
Loucuras na verdade, com intensidade
Vividas no passado
Eu, o renegado, perdido ao laço
Mar de marasmo ao seu lado
Fora deusa em Olimpus
Conquistaste o mundo sorrindo
E tolo fui na ingenuidade que
Pudesse, ao menos, ter sua amizade
Que como Brutus renegaste um coração
Solvendo dentre límpidos líquidos
Aos sujos fluidos que alcançarem-lhe as mãos
Dementes palavras direcionadas
Figuras que se vão
Tórrido romance, vida, brilho
Em segundos, nada de são
Loucuras na verdade, com intensidade
Vividas no passado
Eu, o renegado, perdido ao laço
Mar de marasmo ao seu lado
Fora deusa em Olimpus
Conquistaste o mundo sorrindo
E tolo fui na ingenuidade que
Pudesse, ao menos, ter sua amizade
Fogo dos deuses
Diga-me que não é o fim dos tempos
E porque estou aqui neste momento
A ver "evolução", morte e desgraças
Assolando todas as irmãs raças
Fogo aos céus, queda na morte de crianças
Vêem os pássaros metálicos dizimando esperanças
Do domínio das forças do mundo
Ao homem inescrupuloso, ser imundo
Subjugara Deus a outra esfera
Denegriu sua imagem tenra e bela
Bestializado na fome insaciável das feras
Amarga, discípulos mesquinhos, sóis de novas eras
Inoculado no mundo peçonhento
Transforma-se em lágrima em pleno tormento
Rescindindo as nobres virtudes do são
Volta os olhos distantes a tentação
De quem, um dia humildade sinônimo
Da viva morte em vida
Dormindo nas luzes mais claras
Despindo-se dos trajes mais lindos
Consagrando, vira sorrindo,
O fim de novos dias
E porque estou aqui neste momento
A ver "evolução", morte e desgraças
Assolando todas as irmãs raças
Fogo aos céus, queda na morte de crianças
Vêem os pássaros metálicos dizimando esperanças
Do domínio das forças do mundo
Ao homem inescrupuloso, ser imundo
Subjugara Deus a outra esfera
Denegriu sua imagem tenra e bela
Bestializado na fome insaciável das feras
Amarga, discípulos mesquinhos, sóis de novas eras
Inoculado no mundo peçonhento
Transforma-se em lágrima em pleno tormento
Rescindindo as nobres virtudes do são
Volta os olhos distantes a tentação
De quem, um dia humildade sinônimo
Da viva morte em vida
Dormindo nas luzes mais claras
Despindo-se dos trajes mais lindos
Consagrando, vira sorrindo,
O fim de novos dias
Recado aos meus filhos
Filho, espero que ouça minha voz... se puder
Nunca se sabe o futuro
Mas nesta carta te mando um recado:
Aproveite a vida,
Sempre estarei ao seu lado
Quero te afagar
Mas sem te sufocar
Quero que aprendas a andar sozinho
Até que corras
Mas minhas mãos, sempre estarão
Por perto para ajudá-lo
Se liberte, seja livre
Com paz de espírito no coração
Lute para fazer o que gosta,
E nem pense em me agradar
Deste jeito não conseguirá
Em certas coisas do espírito,
Não "ajude" um ou outro
E nem pense no dinheiro
Ele é consequência e não causa.
Mas nos causa muito se pensado assim
Filho, só quero que seja muito feliz
Viva intensamente cada um dos seus desejos
E me perdoe se errei, perseguindo os meus
Sei que devemos objetivar
Acima da vida, a felicidade
Me perdoe, sucesso não é tudo
E caso não o tenha, não me acuse
A felicidade é muito maior, quando fazemos o que gostamos
Fui muito medroso, sou ainda
Poderia e posso ter mais
Coragem
Não é fútil lutar por um ideal
Principalmente quando é o seu de vida.
Viva, respire tranquilo
Carregue a paz no coração
Como flor que brota na primavera
Lute para que possa florescer
e irradiar feliz.
Busque isto, somente isto
Pois lá em cima é o que vale
Não que não haja preocupações, sempre haverá.
Mas lute para dar o melhor para si.
Assim serei feliz, por ver você feliz.
Nunca se sabe o futuro
Mas nesta carta te mando um recado:
Aproveite a vida,
Sempre estarei ao seu lado
Quero te afagar
Mas sem te sufocar
Quero que aprendas a andar sozinho
Até que corras
Mas minhas mãos, sempre estarão
Por perto para ajudá-lo
Se liberte, seja livre
Com paz de espírito no coração
Lute para fazer o que gosta,
E nem pense em me agradar
Deste jeito não conseguirá
Em certas coisas do espírito,
Não "ajude" um ou outro
E nem pense no dinheiro
Ele é consequência e não causa.
Mas nos causa muito se pensado assim
Filho, só quero que seja muito feliz
Viva intensamente cada um dos seus desejos
E me perdoe se errei, perseguindo os meus
Sei que devemos objetivar
Acima da vida, a felicidade
Me perdoe, sucesso não é tudo
E caso não o tenha, não me acuse
A felicidade é muito maior, quando fazemos o que gostamos
Fui muito medroso, sou ainda
Poderia e posso ter mais
Coragem
Não é fútil lutar por um ideal
Principalmente quando é o seu de vida.
Viva, respire tranquilo
Carregue a paz no coração
Como flor que brota na primavera
Lute para que possa florescer
e irradiar feliz.
Busque isto, somente isto
Pois lá em cima é o que vale
Não que não haja preocupações, sempre haverá.
Mas lute para dar o melhor para si.
Assim serei feliz, por ver você feliz.
Dia de chuva
Naquele semaforo verde
Todos os sinais de avante
Sob a chuva de alegria
Efeitos da primazia
Compondo os acordes do olhar
Parando, andando
Correndo e sonhando
Ligeiros toques na via
Imperceptível sensação do olhar
Atravessando a cidade para te alcançar
Estivemos tão perto, e sem coragem
Tão terno, sem vaidade
Que acabamos obstruídos
Pelas advertências do caminho
Sinais, placas, informação
Cintilou no ser sem razão
A estética de outro lugar
Não mais sobre terras ou pedras
Longe dos deuses e esferas
Dentro do seu olhar
Todos os sinais de avante
Sob a chuva de alegria
Efeitos da primazia
Compondo os acordes do olhar
Parando, andando
Correndo e sonhando
Ligeiros toques na via
Imperceptível sensação do olhar
Atravessando a cidade para te alcançar
Estivemos tão perto, e sem coragem
Tão terno, sem vaidade
Que acabamos obstruídos
Pelas advertências do caminho
Sinais, placas, informação
Cintilou no ser sem razão
A estética de outro lugar
Não mais sobre terras ou pedras
Longe dos deuses e esferas
Dentro do seu olhar
Rumos
A deriva
Naufrago de destinos
Sou algo obscuro em mim
Trevas em pleno jardim
Vidas abrem fronteiras
Nos abrem ladeiras
Ao nosso andar
Esculpido em mármore
Lapidado em ânima
Recluso, sem destino
Neste meu caminhar
Naufrago de destinos
Sou algo obscuro em mim
Trevas em pleno jardim
Vidas abrem fronteiras
Nos abrem ladeiras
Ao nosso andar
Esculpido em mármore
Lapidado em ânima
Recluso, sem destino
Neste meu caminhar
Como era bom sofrer de amor
Como era bom sofrer de amor
Encontrar em outros olhos um sentido
Mantendo cada vez mais vivo
Na vontade de viver
Como era bom sofrer de amor
Ter perspectivas de outros lábios
Poder sentir por outra alma
Mesmo sendo desprezado
Como era bom sofrer de amor
Poder dormir pensando, acordar sonhando
Que as lágrimas não eram reais
E estava a me completar
Como era bom sofrer de amor
Quando sabia que existia
E, hoje, distante estrela
Contemplo seu brilho de outro lugar
"Diferente forma de amar"
Deixando nesta estrada
Caminho na solidão que não contempla
E me lembro de uma época
Que gostava de sofrer por você.
Encontrar em outros olhos um sentido
Mantendo cada vez mais vivo
Na vontade de viver
Como era bom sofrer de amor
Ter perspectivas de outros lábios
Poder sentir por outra alma
Mesmo sendo desprezado
Como era bom sofrer de amor
Poder dormir pensando, acordar sonhando
Que as lágrimas não eram reais
E estava a me completar
Como era bom sofrer de amor
Quando sabia que existia
E, hoje, distante estrela
Contemplo seu brilho de outro lugar
"Diferente forma de amar"
Deixando nesta estrada
Caminho na solidão que não contempla
E me lembro de uma época
Que gostava de sofrer por você.
Dias de reflexão
Longe do âmago divino
Um menino solícito
Cujo olhar - desejos, pedidos imbuídos.
Noutr´ora o que é pequeno foste grande
Da força, dominou a fragilidade
E o que era estava perdido
Mudanças, destino, caminhos
Ciente, não as compreende
Razões de estar longe do que era.
Nestes dias, não mais depende dos pés
Suas mãos lhe são emprestadas
E preso à cadeira de ferro
O que foi abusivo, estava inutilizado
Da potência, força e imposição
Uma grande submissão
Onde lhe resta a reflexão
Com a beleza do luar.
Respirar, viver......sem nada mover
Na dependência de tudo e todos
Novo caminho a presenciar
Sentido difícil de amar
Um menino solícito
Cujo olhar - desejos, pedidos imbuídos.
Noutr´ora o que é pequeno foste grande
Da força, dominou a fragilidade
E o que era estava perdido
Mudanças, destino, caminhos
Ciente, não as compreende
Razões de estar longe do que era.
Nestes dias, não mais depende dos pés
Suas mãos lhe são emprestadas
E preso à cadeira de ferro
O que foi abusivo, estava inutilizado
Da potência, força e imposição
Uma grande submissão
Onde lhe resta a reflexão
Com a beleza do luar.
Respirar, viver......sem nada mover
Na dependência de tudo e todos
Novo caminho a presenciar
Sentido difícil de amar
sábado, 1 de março de 2008
Retorno imaginário à infância
A poeticidade nas folhas de outono foi morrendo aos poucos. Em cada uma das folhas, anos, um pouco das novas ciências e percepções - ocultando cada detalhe de beleza num céu cada vez mais cinza, e vistas obstruídas pela crescente quantidade de prédios.
Recordo-me da infância perdida numa cidade de São Paulo inexistente. Na distância de uma década, o que era periferia se tornou centro. Os terrenos baldios, que hoje vejo tomado por construções frias, eram espaço de sociabilidade, apenas ponto de encontro dos amigos. Brincávamos de bolinha de gude, empinávamos pipas, competíamos em nossas bicicletas nas improvisadas pistas de cross criadas.
Houve uma época em que quase toda rua era o terreno baldio, poucas eram as casas. Hoje uma casa fria deixa enterrada na imaginação dos que viveram tais cenas o nosso último reduto. Ninguém após nós saberá aonde está os tesouros que enterrávamos, criando mapas e pistas para serem descobertos pelos grupos rivais - a rua de baixo. Saudade.
Nessa época, transformávamos os restos de obras em nosso quartel-general. Portas antigas, ferros de grades, papelão... constituíam nossa fortaleza; muitas vezes derrubadas apenas pela força do vento. Com a imaginação podíamos tudo e fazíamos tudo. Mostrávamos nossas habilidades com o novo ioio, pião ou jogávamos bafo, conquistando as figurinhas de colar que faltavam aos nossos álbuns.
Até caçar um "popótamo" fomos quando criança. Eu, meu irmão e meus primos. Num sáfari na cidade. Numa cidade muito diferente. Quando atravessávamos a rua, encontrávamos a nossa selva, onde tudo era possível.
Fomos crescendo e numa proporção diretamente proporcional, os espaços vazios foram diminuindo. Novas casas, e novos amigos... a cidade chegou à periferia. Mas ainda tenho as lembranças.
Nas épocas de festa junina, pegávamos as madeiras nos terrenos e construções vizinhas. Passávamos de casa em casa convidando os vizinhos para a festa, que vinham e ficavam conversando num clima agradável. E traziam o essencial: comida. Fazíamos mesas com compensados que encontrávamos e alguns blocos.... e ficávamos ao redor da fogueira. Mais saudades.
Quando o vento ou a chuva impossibilitavam as nossas brincadeiras no "morro", ficávamos na garagem de algum de nossos colegas de infância. Num rodízio de brincadeiras e de casas - para as mães não se cansarem com tanto barulho. Uma época saudável.
Houveram várias modas. Lembro-me que colecionávamos tampinhas de Coca-Cola para trocar por garrafinhas miniaturas ou por ioios. Era uma festa. Simples mas que deixava a todos felizes. E apesar dos problemas, que todas as famílias tem, vivi plenamente a minha infância.
Naquela época surgiu uma "nova moda" que iria se perpetuar e modificar a infância de milhões de crianças: o videogame. No final da década de 70, joguei o telejogo - primeiro videogame - que apesar de machucar muito o dedo, era ambicionado por todas as crianças. Em 84, ganhamos um Odissey (segunda geração) que rivalizava com o Atari na condição de melhor videogame - já com outra resolução e qualidade. Mas nunca deixamos de lado os amigos, ele era apenas mais instrumento para as brincadeiras da turma.
Jogávamos futebol na rua, ou no campinho da rua de baixo. Muitas vezes os nossos pais jogavam conosco, mas na maioria das vezes ficavam conversando sobre política. Tirávamos o sarro da cara deles. Papo de adulto. Muito longe da nossa realidade, e que tão rapidamente se tornou a nossa conversa.
Chatices!!! Convenções!!! A vida adulta nos transforma e nos distancia, assim como São Paulo, que muda a cada dia. Um bairro que era deserto, está lotado de casas e prédios, que surgiram num tempo realmente curto. E os "amigos" já não são mais os mesmos.
À medida que um se mudava, parte do passado morria. Começava uma nova fase, época. E a vida é cheia desses recomeços. A cada terreno que sumia, novas casas, e com elas as pessoas se tornavam mais estranhas. Hoje os vizinhos são apenas desconhecidos, só e nada mais.
Quando crescemos esquecemos as coisas boas que nos aconteceram; e as sensações que tínhamos quando éramos crianças. O adulto começa a matar os bons sentimentos... a amizade, companheirismo, ou mesmo a companhia para passar o tempo e jogar conversa fora. Era criança, fui criança um dia... e em São Paulo!!! E triste, penso: "Haverá para os nossos filhos, a mesma oportunidade de terem uma vida saudável...agradável... nesta terra?".
Recordo-me da infância perdida numa cidade de São Paulo inexistente. Na distância de uma década, o que era periferia se tornou centro. Os terrenos baldios, que hoje vejo tomado por construções frias, eram espaço de sociabilidade, apenas ponto de encontro dos amigos. Brincávamos de bolinha de gude, empinávamos pipas, competíamos em nossas bicicletas nas improvisadas pistas de cross criadas.
Houve uma época em que quase toda rua era o terreno baldio, poucas eram as casas. Hoje uma casa fria deixa enterrada na imaginação dos que viveram tais cenas o nosso último reduto. Ninguém após nós saberá aonde está os tesouros que enterrávamos, criando mapas e pistas para serem descobertos pelos grupos rivais - a rua de baixo. Saudade.
Nessa época, transformávamos os restos de obras em nosso quartel-general. Portas antigas, ferros de grades, papelão... constituíam nossa fortaleza; muitas vezes derrubadas apenas pela força do vento. Com a imaginação podíamos tudo e fazíamos tudo. Mostrávamos nossas habilidades com o novo ioio, pião ou jogávamos bafo, conquistando as figurinhas de colar que faltavam aos nossos álbuns.
Até caçar um "popótamo" fomos quando criança. Eu, meu irmão e meus primos. Num sáfari na cidade. Numa cidade muito diferente. Quando atravessávamos a rua, encontrávamos a nossa selva, onde tudo era possível.
Fomos crescendo e numa proporção diretamente proporcional, os espaços vazios foram diminuindo. Novas casas, e novos amigos... a cidade chegou à periferia. Mas ainda tenho as lembranças.
Nas épocas de festa junina, pegávamos as madeiras nos terrenos e construções vizinhas. Passávamos de casa em casa convidando os vizinhos para a festa, que vinham e ficavam conversando num clima agradável. E traziam o essencial: comida. Fazíamos mesas com compensados que encontrávamos e alguns blocos.... e ficávamos ao redor da fogueira. Mais saudades.
Quando o vento ou a chuva impossibilitavam as nossas brincadeiras no "morro", ficávamos na garagem de algum de nossos colegas de infância. Num rodízio de brincadeiras e de casas - para as mães não se cansarem com tanto barulho. Uma época saudável.
Houveram várias modas. Lembro-me que colecionávamos tampinhas de Coca-Cola para trocar por garrafinhas miniaturas ou por ioios. Era uma festa. Simples mas que deixava a todos felizes. E apesar dos problemas, que todas as famílias tem, vivi plenamente a minha infância.
Naquela época surgiu uma "nova moda" que iria se perpetuar e modificar a infância de milhões de crianças: o videogame. No final da década de 70, joguei o telejogo - primeiro videogame - que apesar de machucar muito o dedo, era ambicionado por todas as crianças. Em 84, ganhamos um Odissey (segunda geração) que rivalizava com o Atari na condição de melhor videogame - já com outra resolução e qualidade. Mas nunca deixamos de lado os amigos, ele era apenas mais instrumento para as brincadeiras da turma.
Jogávamos futebol na rua, ou no campinho da rua de baixo. Muitas vezes os nossos pais jogavam conosco, mas na maioria das vezes ficavam conversando sobre política. Tirávamos o sarro da cara deles. Papo de adulto. Muito longe da nossa realidade, e que tão rapidamente se tornou a nossa conversa.
Chatices!!! Convenções!!! A vida adulta nos transforma e nos distancia, assim como São Paulo, que muda a cada dia. Um bairro que era deserto, está lotado de casas e prédios, que surgiram num tempo realmente curto. E os "amigos" já não são mais os mesmos.
À medida que um se mudava, parte do passado morria. Começava uma nova fase, época. E a vida é cheia desses recomeços. A cada terreno que sumia, novas casas, e com elas as pessoas se tornavam mais estranhas. Hoje os vizinhos são apenas desconhecidos, só e nada mais.
Quando crescemos esquecemos as coisas boas que nos aconteceram; e as sensações que tínhamos quando éramos crianças. O adulto começa a matar os bons sentimentos... a amizade, companheirismo, ou mesmo a companhia para passar o tempo e jogar conversa fora. Era criança, fui criança um dia... e em São Paulo!!! E triste, penso: "Haverá para os nossos filhos, a mesma oportunidade de terem uma vida saudável...agradável... nesta terra?".
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Jogo dos egos
Na espreita desejas faces
ocultas vontades destróem
muros de lamentos, obtusos detritos
na ironia de quem vê confuso
E loucura corrói a mente
em ceticismos não obstante discretos
atiradas pedras, verdades inertes
criança feita em liso concreto
E ainda procura outras faces
brinquedo igual em cada lamento
fora aurélio, insano descrente
da conversão demente de gente temente
Agora, desejas calado no olfato
a distância permitida aos cegos
novos sensores substituem a carne largada
decompondo o ser no jogo dos egos
ocultas vontades destróem
muros de lamentos, obtusos detritos
na ironia de quem vê confuso
E loucura corrói a mente
em ceticismos não obstante discretos
atiradas pedras, verdades inertes
criança feita em liso concreto
E ainda procura outras faces
brinquedo igual em cada lamento
fora aurélio, insano descrente
da conversão demente de gente temente
Agora, desejas calado no olfato
a distância permitida aos cegos
novos sensores substituem a carne largada
decompondo o ser no jogo dos egos
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Amanhã....
Em névoas brancas irrompe o fulgor do sol. As gélidas faces soturnas se esvanecem na obscuridão - tornam da boêmia, retornam para a cama - e sem o calor alcoólico se refugiam nos tecidos isolantes, retendo-se no próprio calor.
Outros, dormiam, e vem para a lida. O corpo esquenta no trabalho, se mantém acesso na labuta matutina e se torna diária, infinita - a produzir o pão, plantar a roça, fazer palhoça e viver nos filhos brotando. A água deita sob o verde, orvalho diamante, riqueza à vida orgânica - energia ao sedento homem, pobre em metais, rico em esperança.... no olhar de uma criança com a capacidade de sonhar.
As lágrimas marcam o mesmo destino. Sólido que ao líquido torna. Fora hora de dores discretas, fogem ininterruptas no desabafo ocasional. O corpo cansa, a alma descansa - enquanto o ébrio volta ao milésimo sono. As mãos do homem do campo produzem, e o outro vive em sonhos - da vida fácil e fútil, de gotas quentes e desabafos. Mesmo o vagabundo sofre, troca a vida do dia, ao luar da morte, destinado aos que amam sob a lua... e desaparecem nesse amor.
O dia chega ao término. Os ponteiros mantêm-se em movimento. O calor foge e uma súbita escuridão vem trazer a noção. Tanto ao sol ou a lua, chuvas e fulguras, a humanidade se encerra nos sentidos, é a dor e o amor, finge que diz não sentir - resiste sem mais insistir, e se deixa levar.... no direito das conseqüências dos sentimentos que confundem a alma, turvas no dual amor.
Outros, dormiam, e vem para a lida. O corpo esquenta no trabalho, se mantém acesso na labuta matutina e se torna diária, infinita - a produzir o pão, plantar a roça, fazer palhoça e viver nos filhos brotando. A água deita sob o verde, orvalho diamante, riqueza à vida orgânica - energia ao sedento homem, pobre em metais, rico em esperança.... no olhar de uma criança com a capacidade de sonhar.
As lágrimas marcam o mesmo destino. Sólido que ao líquido torna. Fora hora de dores discretas, fogem ininterruptas no desabafo ocasional. O corpo cansa, a alma descansa - enquanto o ébrio volta ao milésimo sono. As mãos do homem do campo produzem, e o outro vive em sonhos - da vida fácil e fútil, de gotas quentes e desabafos. Mesmo o vagabundo sofre, troca a vida do dia, ao luar da morte, destinado aos que amam sob a lua... e desaparecem nesse amor.
O dia chega ao término. Os ponteiros mantêm-se em movimento. O calor foge e uma súbita escuridão vem trazer a noção. Tanto ao sol ou a lua, chuvas e fulguras, a humanidade se encerra nos sentidos, é a dor e o amor, finge que diz não sentir - resiste sem mais insistir, e se deixa levar.... no direito das conseqüências dos sentimentos que confundem a alma, turvas no dual amor.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Imposição ao homem-morto
Obrigação. O bem-estar verso os deveres impostos. A cada dia, uma tortura é praticada - atos contrários às nossas vontades. Sinto uma dor enorme antes de começar toda e qualquer coisa, e depois a êxtase de ter começado. Outras vezes começo com pressa e mal vejo a hora de terminar, e depois que termino, volto ao amplo templo de ócio - a ficar olhando, esperando ansioso, o que nunca chegará.
Não existe inspiração ou fortuna. Existe sim uma dor profunda, explode a mente, devasta as esperanças, e não é mas do que uma lembrança que me faz chorar. Nesta imaginação me criei, e não sou ilusão nesta dor... real, fisica, visível e nunca compartilhavel que habita os meus neurônios e maltrata somente este corpo. E como um pesadelo acordado, sem sombras ao lado, libertando-me de ser escravo: onde somente a minha mão tem poder, mas me impede.
Serei sempre uma alma torturada ou terei cura. Às vezes me sinto feliz e parece pecado, busco as coisas e torno ao marasmo, procuro pessoas e me encontro solitário - e como todos os esquecidos, me deixo envolver pelas palavras para sanar a amargura, talvez seja esta a partida para a cura - se possível for. Achar nos outros atos, os pecados que sou. Os grilhões de dor paralisante com a oportunidade do mundo.
Ser quem não sou, mas quem sou!!!. Duvido que saiba quem és. Já que vivemos do que não acreditamos, sem esperança de paraíso. Prefiro ser o louco que carrega a paz à ser o lider que carrega as algemas. Escravo perdido se desviando das chibatadas.
Não existe inspiração ou fortuna. Existe sim uma dor profunda, explode a mente, devasta as esperanças, e não é mas do que uma lembrança que me faz chorar. Nesta imaginação me criei, e não sou ilusão nesta dor... real, fisica, visível e nunca compartilhavel que habita os meus neurônios e maltrata somente este corpo. E como um pesadelo acordado, sem sombras ao lado, libertando-me de ser escravo: onde somente a minha mão tem poder, mas me impede.
Serei sempre uma alma torturada ou terei cura. Às vezes me sinto feliz e parece pecado, busco as coisas e torno ao marasmo, procuro pessoas e me encontro solitário - e como todos os esquecidos, me deixo envolver pelas palavras para sanar a amargura, talvez seja esta a partida para a cura - se possível for. Achar nos outros atos, os pecados que sou. Os grilhões de dor paralisante com a oportunidade do mundo.
Ser quem não sou, mas quem sou!!!. Duvido que saiba quem és. Já que vivemos do que não acreditamos, sem esperança de paraíso. Prefiro ser o louco que carrega a paz à ser o lider que carrega as algemas. Escravo perdido se desviando das chibatadas.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
O espírito do Carnaval
Maldita solidão. Mais uma noite de Carnaval. Observo ao meu redor o despertar dos mais diferentes sentimentos - uns, se perdem na esbórnia sazonal, outros, antigos pecadores, se isolam em retiros espirituais tentando fugir das tentações do mundo.
Sou invisível. Seria diferente se não fosse assim. Um anjo não se pode apresentar ao mundo, deve permanecer recluso e atento às necessidades das pessoas. Estou sempre em alerta. No Carnaval existe o risco das pessoas se transformarem mais do que seria permitido. Não há nada de mal em deixar a liberdade trazer a alegria... nessa época, executivos, juízes, professores, se transformam em seres que a liberdade constrói. Se divertir não é pecado, pecado é deixar de viver.
O juiz "marajá" é o diabo condenatório cuja sentença pode martirizar o mundo, e o tridente espeta a bunda dos foliões. Os pobres costumam ser as vítimas nos outros dias. Porém, sorri com o bolso gordo pelas suas conquistas. A desigualdade que nos faz brasileiros.
Os pobres também tem a sua chance. A riqueza, o deslumbre das fantasias tornam-no especial, mesmo que seja apenas por um dia. No sambódromo, o mundo pode vê-lo. E após o desfile volta ao anonimato de sempre, esperando o outro Carnaval para poder ser "rei".
Distante da sensação de me julgar uma divindade benigna ou maligna - não sou superior a ninguém. Que me perdoem os céus. Sinto a solidão das pessoas, mesmo num grande salão de festa... numa grande cidade... rodeado de pessoas. Um vazio me completa. Algo tão efêmero não pode perdurar mais de alguns segundos, e isso é triste. O significado se perde, os instintos aparecem.
Ao redor, mulheres nuas sendo assediadas pelos tarados de ocasião. O meu olho observava cada detalhe. Uma lágrima misturada com suor escorria a face da namorada de um briguento. Ela carregava decepção e vergonha. O Carnaval estava morto. Muito diferente da alegria que sentira no ano anterior, na Bahia, seguindo o trio-elétrico com as amigas. Onde os beijos rolavam soltos. E eram outros os sentimentos desses mesmos olhos; a sensação imortalizava o amor pelo Carnaval, nossa festa popular, mais popular do que todas as outras. Onde todos, irrestritamente se envolvem... pelo menos uma vez na vida.
No camarote dessa mesma casa noturna, prostitutas de ocasião. Umas contratadas para exibir os corpos e atrair os homens. Isso justificava o alto preço da entrada, e a quantidade excessiva de homens. Algumas mulheres eram assediadas como se fossem uma "dessas" mulheres. E as cameras de televisão passavam pelas suas faces, envergonhadas, exibindo outra das falsidades ideológicas que podem existir no Carnaval.
Uma dessas prostitutas, podia ler em seus olhos, dançava sensualmente mas estava extremamente triste. Apesar de ninguém saber, era a primeira vez que fazia aquilo. Em casa, o pai doente era a sua única preocupação. No camarote fingia ser uma das iguais - com o mesmo despudor - porém, sua alma dizia a quem podia enxergar. Essa era a única alternativa.
Em cada um dos lugares que viajei, sendo o anjo que acompanha as pessoas, tentei ajudá-las a se descobrirem. Presenciei os vôos aos sentimentos de atração, carinho e amor. Também senti suas tristezas e decepções. Todos esses sentimentos existem nos céus e infernos que se criam nos carnavais. Seja nos tempos passados ou futuros, eles foram e se repetirão. E eu, na solidão invisível de ser um anjo, estou presente nas festas profanas, pois na reunião de duas ou mais almas, sempre lá devemos estar.
Quarta-feira de cinzas. Nas suas diferenças semelhantes, se alternam os personagens e histórias, e o Carnaval se despede. No próximo ano tem mais. Sempre haverá. Nos encontramos no próximo, até mais.
Sou invisível. Seria diferente se não fosse assim. Um anjo não se pode apresentar ao mundo, deve permanecer recluso e atento às necessidades das pessoas. Estou sempre em alerta. No Carnaval existe o risco das pessoas se transformarem mais do que seria permitido. Não há nada de mal em deixar a liberdade trazer a alegria... nessa época, executivos, juízes, professores, se transformam em seres que a liberdade constrói. Se divertir não é pecado, pecado é deixar de viver.
O juiz "marajá" é o diabo condenatório cuja sentença pode martirizar o mundo, e o tridente espeta a bunda dos foliões. Os pobres costumam ser as vítimas nos outros dias. Porém, sorri com o bolso gordo pelas suas conquistas. A desigualdade que nos faz brasileiros.
Os pobres também tem a sua chance. A riqueza, o deslumbre das fantasias tornam-no especial, mesmo que seja apenas por um dia. No sambódromo, o mundo pode vê-lo. E após o desfile volta ao anonimato de sempre, esperando o outro Carnaval para poder ser "rei".
Distante da sensação de me julgar uma divindade benigna ou maligna - não sou superior a ninguém. Que me perdoem os céus. Sinto a solidão das pessoas, mesmo num grande salão de festa... numa grande cidade... rodeado de pessoas. Um vazio me completa. Algo tão efêmero não pode perdurar mais de alguns segundos, e isso é triste. O significado se perde, os instintos aparecem.
Ao redor, mulheres nuas sendo assediadas pelos tarados de ocasião. O meu olho observava cada detalhe. Uma lágrima misturada com suor escorria a face da namorada de um briguento. Ela carregava decepção e vergonha. O Carnaval estava morto. Muito diferente da alegria que sentira no ano anterior, na Bahia, seguindo o trio-elétrico com as amigas. Onde os beijos rolavam soltos. E eram outros os sentimentos desses mesmos olhos; a sensação imortalizava o amor pelo Carnaval, nossa festa popular, mais popular do que todas as outras. Onde todos, irrestritamente se envolvem... pelo menos uma vez na vida.
No camarote dessa mesma casa noturna, prostitutas de ocasião. Umas contratadas para exibir os corpos e atrair os homens. Isso justificava o alto preço da entrada, e a quantidade excessiva de homens. Algumas mulheres eram assediadas como se fossem uma "dessas" mulheres. E as cameras de televisão passavam pelas suas faces, envergonhadas, exibindo outra das falsidades ideológicas que podem existir no Carnaval.
Uma dessas prostitutas, podia ler em seus olhos, dançava sensualmente mas estava extremamente triste. Apesar de ninguém saber, era a primeira vez que fazia aquilo. Em casa, o pai doente era a sua única preocupação. No camarote fingia ser uma das iguais - com o mesmo despudor - porém, sua alma dizia a quem podia enxergar. Essa era a única alternativa.
Em cada um dos lugares que viajei, sendo o anjo que acompanha as pessoas, tentei ajudá-las a se descobrirem. Presenciei os vôos aos sentimentos de atração, carinho e amor. Também senti suas tristezas e decepções. Todos esses sentimentos existem nos céus e infernos que se criam nos carnavais. Seja nos tempos passados ou futuros, eles foram e se repetirão. E eu, na solidão invisível de ser um anjo, estou presente nas festas profanas, pois na reunião de duas ou mais almas, sempre lá devemos estar.
Quarta-feira de cinzas. Nas suas diferenças semelhantes, se alternam os personagens e histórias, e o Carnaval se despede. No próximo ano tem mais. Sempre haverá. Nos encontramos no próximo, até mais.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Últimas luas
O grisalho senil
na morada "via feliz" do triste fim
filósofo do passado presente
reminiscências do ser nunca ausente
o passado é a única vida que resta
e o resto, é solidão
O homem, rascunho de seus momentos vigorosos
é apenas uma das fotos que carrega nos braços
uma luz, uma imagem - mudanças em sua "paisagem"
Levando-o da mesma vida para outra realidade
Senil na soma das idades
deixa na fila de espera, os que ainda estão nessa terra
heróis da resistência ante a força da demência
na morada "via feliz" do triste fim
filósofo do passado presente
reminiscências do ser nunca ausente
o passado é a única vida que resta
e o resto, é solidão
O homem, rascunho de seus momentos vigorosos
é apenas uma das fotos que carrega nos braços
uma luz, uma imagem - mudanças em sua "paisagem"
Levando-o da mesma vida para outra realidade
Senil na soma das idades
deixa na fila de espera, os que ainda estão nessa terra
heróis da resistência ante a força da demência
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Filhos da servidão
Onde passam as agulhas
estreitam passos decididos
espreitam os caminhos do mundo
retiram a esperança dos filhos
Migrantes nordestinos em jumentos
Imigrantes do Brasil embora vão
Os ricos não terão mais aqueles
Filhos da servidão
Todos os que buscaram fortuna
Tiraram sangue de pedra,
deixaram morrendo suores, lágrimas
escravos da vida que resta
Como a fome é possível diante de tanta fartura
Os grãos divididos, pais sentindo amargura
Tristeza inconsolável em ver o corpo definhar
E o alimento morrer no campo, sem ao menos poder tocar
As injustiças da desigualdade pouco importam
Situações que ocorrem ao lado,
O egoísmo é o mal do século, riqueza é o objeto
E a mesquinharia será o pó no jazigo eterno
e todos serão iguais
corroídos pelos mesmos
vermes
estreitam passos decididos
espreitam os caminhos do mundo
retiram a esperança dos filhos
Migrantes nordestinos em jumentos
Imigrantes do Brasil embora vão
Os ricos não terão mais aqueles
Filhos da servidão
Todos os que buscaram fortuna
Tiraram sangue de pedra,
deixaram morrendo suores, lágrimas
escravos da vida que resta
Como a fome é possível diante de tanta fartura
Os grãos divididos, pais sentindo amargura
Tristeza inconsolável em ver o corpo definhar
E o alimento morrer no campo, sem ao menos poder tocar
As injustiças da desigualdade pouco importam
Situações que ocorrem ao lado,
O egoísmo é o mal do século, riqueza é o objeto
E a mesquinharia será o pó no jazigo eterno
e todos serão iguais
corroídos pelos mesmos
vermes
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
A marca da estação
A marca do cansaço é escura,
o sol castiga na labuta, pele alva,
que persegue sonhos infantis
crente na natureza, da escolha pela destreza
A pele queima, transforma e reage,
maltrata crianças em tenra idade
judia do velho avô - maldade
entregue aleatoriamente aos seres
Hoje, o retrato da beleza são as marcas
Cada dia, uma nova batalha perdida
e esta gente sofrida, deságua
As lágrimas e o suor cristal - a flor
Assim, seguem-se primaveras
O verão persegue com o fogo
E cada estação produz o engano,
Crer no eventual, essencial - servos
Agora, todos estão deitados solitariamente
Conjugam estrelas dispostas tementes
E o astro-rei aborda novamente
É dia, venha trabalhar - seus filhos precisa alimentar
o sol castiga na labuta, pele alva,
que persegue sonhos infantis
crente na natureza, da escolha pela destreza
A pele queima, transforma e reage,
maltrata crianças em tenra idade
judia do velho avô - maldade
entregue aleatoriamente aos seres
Hoje, o retrato da beleza são as marcas
Cada dia, uma nova batalha perdida
e esta gente sofrida, deságua
As lágrimas e o suor cristal - a flor
Assim, seguem-se primaveras
O verão persegue com o fogo
E cada estação produz o engano,
Crer no eventual, essencial - servos
Agora, todos estão deitados solitariamente
Conjugam estrelas dispostas tementes
E o astro-rei aborda novamente
É dia, venha trabalhar - seus filhos precisa alimentar
domingo, 27 de janeiro de 2008
Construção
Alicerce vêem os olhos
Longe forma de futuro
Blocos, paredes erguidas
Onde havia o submundo
Pessoas bestializadas
Não compreendem o momento
Lágrimas vertidas em sal
No sol do céu em tormento
Fulguraste a chama intensa
Agruras do movimento
Em cima, tocando as nuvens
O louco perderá a razão....
deixando-a ao esquecimento
Forte sopro do céu
Perdera o que não queria
Na construção, inerte
Esquecera que, no alicerce metafórico,
Fora a alma de vida
Relevando aos deuses, sua mísera existência
A uma mera passagem de dia
"Não ganhando o que buscara
Enterrado foi no lamento
Triste para os que ficaram
Sentindo o seu sofrimento"
Longe forma de futuro
Blocos, paredes erguidas
Onde havia o submundo
Pessoas bestializadas
Não compreendem o momento
Lágrimas vertidas em sal
No sol do céu em tormento
Fulguraste a chama intensa
Agruras do movimento
Em cima, tocando as nuvens
O louco perderá a razão....
deixando-a ao esquecimento
Forte sopro do céu
Perdera o que não queria
Na construção, inerte
Esquecera que, no alicerce metafórico,
Fora a alma de vida
Relevando aos deuses, sua mísera existência
A uma mera passagem de dia
"Não ganhando o que buscara
Enterrado foi no lamento
Triste para os que ficaram
Sentindo o seu sofrimento"
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Além da incerteza
Preso. Andava impacientemente pelo espaço - finito, mas disponível. Sentia as mãos atadas, acorrentadas. O cérebro turvo não sabia mais direcionar as ações.... ações, estas mesmas transformaram-lhe em um ser frágil - buscou sair do ostracismo que lhe parecia aplicável. Quanto mais agia, mais preso se sentia, ou melhor, menos livre realmente era. Estava preso, não mais em convicções, sua vida era a incerteza.
Qual será a prisão maior do que esta!!! A incerteza é a poda a árvore saudável. É a retirada do que teríamos pela incapacidade de nos livrarmos das amarras. Mas, que amarras!!! A psicológica, a física, a vida - o complô que teimamos em ver dentro e fora de nós. O mundo age contra; as pessoas se afastam, o emprego não chega, o amor não vinga, e só lhe resta o quarto.
Neste pequeno recinto, com portas, janelas e possibilidades - não teve a força para abrir a janela. Teve olhos, e não soube ver. Pernas, e não soube buscar. Coração, sem amar. E mente, que na tola racionalidade, não enxergou outras formas de se encontrar. A janela aberta oferecia a possibilidade de se "inventar" as asas. A porta, sendo aberta, deixava todos os caminhos do mundo - direções, coordenadas, mapas, ruas - livres.
De toda a pequenez humana, errava. Não por lutar na inerente convicção. Ou pela "verdade". Mas, pela falta de coragem que o mantinha cego, surdo, mudo... para o mundo, para todos, para ele. Sua voz calava quando devia gritar... e chorava quando devia ser forte. Ter a força de escolher um caminho e segui-lo. Parece fácil. Mas é quase impossível.
Qual será a prisão maior do que esta!!! A incerteza é a poda a árvore saudável. É a retirada do que teríamos pela incapacidade de nos livrarmos das amarras. Mas, que amarras!!! A psicológica, a física, a vida - o complô que teimamos em ver dentro e fora de nós. O mundo age contra; as pessoas se afastam, o emprego não chega, o amor não vinga, e só lhe resta o quarto.
Neste pequeno recinto, com portas, janelas e possibilidades - não teve a força para abrir a janela. Teve olhos, e não soube ver. Pernas, e não soube buscar. Coração, sem amar. E mente, que na tola racionalidade, não enxergou outras formas de se encontrar. A janela aberta oferecia a possibilidade de se "inventar" as asas. A porta, sendo aberta, deixava todos os caminhos do mundo - direções, coordenadas, mapas, ruas - livres.
De toda a pequenez humana, errava. Não por lutar na inerente convicção. Ou pela "verdade". Mas, pela falta de coragem que o mantinha cego, surdo, mudo... para o mundo, para todos, para ele. Sua voz calava quando devia gritar... e chorava quando devia ser forte. Ter a força de escolher um caminho e segui-lo. Parece fácil. Mas é quase impossível.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Corpus et anima
Extremos paraísos. Sobre a terra as relações simbióticas da vida - a combustão e sua reversão - o gás voltando a ser oxigênio, duplo, porém único e essencialmente inalado (poucos se preocupam com o nitrogênio), o mérito da insanidade está poluido.
Sob a terra, vitaminas, fantasias, reinos.... a lagoa azul reflete o céu, e os corpos em putrefação refletem a nossa futura realidade - comida para vermes, a nossa vaidade. Todos enxergam isso, enxergam as básicas verdades - irrestritas as possibilidades - e impossibilitados estamos na pressa.
Qual será o santo remédio da alma!!! O corpo segue sua herança. Patologias exclusivas, terapia absoluta, diagnóstico resoluto... sem salvação. No inferno de Dante, divina comédia, nos perdemos em opções - primárias decisões, insignificantes resultados - novamente imobilizados.
Imobilizados na crença coletiva. Sem existir acima da magia, fantasia... já robotizados na generalização massacrante da sociedade ultra-moderna. A vida planejada para ser igual. E a coerção do fracasso àqueles que pensem o contrário - o vencedor é "são", é igual, e é superior - estranhamente superior aos que não "são" tão "iguais" a ele.
Quais são os pecados dos diferentes!!! Acreditar ou deixar de ser. Vencer as forças ou ser consumido. Se tornar igual para poder viver e não, ser um ermitão pelas sombras que o desprezo e "inveja oculta" causam - e as lágrimas de pólos opostos de uma mesma realidade, ocidentalizada por algumas teorias de verdades manipuladas absolutas.
Guerra fria. Essa é a mais efetiva. Frieza de olhos reprovadores que congelam a alma - ilha isolada aos sentimentos "humanos" - o mundo existe mas a solidão não o confirma. Diferenças nos referenciais. E a não aceitação de que a verdade não é una, o composto resultante é o que nos mostra a vida em cada uma das épocas, eras.
Sou ignorante. Sou nulo nas capacidades. Mas possuo uma das únicas possibilidades restritas - a liberdade parcial. Sou ser, e não vivo. Sou humano, e não sinto - mas minto para poder ser aceito, e nesta falsidade que até um ignorante vê errada, encontro uma das minhas poucas verdades - a de não ser livre aos olhos alheios. Que o mundo nos mude, assim seja.
Sob a terra, vitaminas, fantasias, reinos.... a lagoa azul reflete o céu, e os corpos em putrefação refletem a nossa futura realidade - comida para vermes, a nossa vaidade. Todos enxergam isso, enxergam as básicas verdades - irrestritas as possibilidades - e impossibilitados estamos na pressa.
Qual será o santo remédio da alma!!! O corpo segue sua herança. Patologias exclusivas, terapia absoluta, diagnóstico resoluto... sem salvação. No inferno de Dante, divina comédia, nos perdemos em opções - primárias decisões, insignificantes resultados - novamente imobilizados.
Imobilizados na crença coletiva. Sem existir acima da magia, fantasia... já robotizados na generalização massacrante da sociedade ultra-moderna. A vida planejada para ser igual. E a coerção do fracasso àqueles que pensem o contrário - o vencedor é "são", é igual, e é superior - estranhamente superior aos que não "são" tão "iguais" a ele.
Quais são os pecados dos diferentes!!! Acreditar ou deixar de ser. Vencer as forças ou ser consumido. Se tornar igual para poder viver e não, ser um ermitão pelas sombras que o desprezo e "inveja oculta" causam - e as lágrimas de pólos opostos de uma mesma realidade, ocidentalizada por algumas teorias de verdades manipuladas absolutas.
Guerra fria. Essa é a mais efetiva. Frieza de olhos reprovadores que congelam a alma - ilha isolada aos sentimentos "humanos" - o mundo existe mas a solidão não o confirma. Diferenças nos referenciais. E a não aceitação de que a verdade não é una, o composto resultante é o que nos mostra a vida em cada uma das épocas, eras.
Sou ignorante. Sou nulo nas capacidades. Mas possuo uma das únicas possibilidades restritas - a liberdade parcial. Sou ser, e não vivo. Sou humano, e não sinto - mas minto para poder ser aceito, e nesta falsidade que até um ignorante vê errada, encontro uma das minhas poucas verdades - a de não ser livre aos olhos alheios. Que o mundo nos mude, assim seja.
sábado, 19 de janeiro de 2008
Tempos modernos, meu inferno (texto)
Acordo pela manhã. Quer dizer, o relógio-despertador faz este trabalho contra a lei da "minha" natureza. Maldita invenção que não respeita. Grita no meu ouvido, feliz: "Acorda, é hora da sua tortura!!!". De forma sonora, até melodiosa....para ele!!!. Uma verdadeira orquestra de.....BIP, TRIM. Seja qual for o barulho. Levanto da cama.
Ainda contra a lei da "natureza", me preparo para o ritual da vida moderna. Terno, gravata,.....blá, blá, blá..... e pior, o dia promete ser um calor de derreter o cérebro!!! Mas tenho que usar, como o figurino manda...... mais tortura. Tudo isso, 3 horas antes do trabalho começar...... penso no trânsito, em trabalhar no extremo oposto da cidade.... Modernidade.
Começo o dia refletindo sobre o poder do relógio. Hoje, em especial, estou inspirado. Afinal, o relógio me controla o dia inteiro. Acorde. É hora do almoço (sempre cronometradas 1 hora). Retorne ao trabalho. É hora de ir embora.....A cada hora do dia em que tenho o desprazer de encontrá-lo nunca me diz as horas, sempre diz: "Ainda falta muito tempo". Com ele nunca ganho, estou sempre perdendo. Seja o sono, ou o descanso. Como na hora de ir para casa...... Deveria ser uma hora feliz, mas não é!!!. A única em que o relógio poderia me favorecer, porém nunca sabemos a que hora iremos chegar em casa. Mais trânsito, congestionamento. Pessoas reclamando, buzinando. Nervosismo.
Já não bastava iniciar o dia e também tenho que terminá-lo desta forma. Neste momento me lembrei de Charles Darwin. Da teoria da evolução. E cheguei a conclusão de que existem uns macacos que ainda não evoluíram dirigindo pela cidade de São Paulo. E ainda foi um bom dia, pelo menos não fui assaltado. Assalto: não é uma criação moderna, mas também está na moda. O assaltante chega e fala: Passa tudo!!!. Rápido!!!. Ao redor, as pessoas fingem que não vêem. E nestes segundos, apressados, tirando o relógio e entregando-lhe a carteira, ainda tenho que ouvir: "Dr. não sou vagabundo não, estou desempregado". Quase um pedido de desculpa. Tudo bem!!! Mas, por que não vai roubar um rico. Porque sempre o mais pobre se ferra. Vai roubar o prefeito!!!.
Há quem diga que a nossa "salvação", a santa Televisão, aumente a onda de violência, propagando o consumismo indiscriminadamente, criando desejos nem sempre realizáveis.....concordo plenamente!!. A nossa televisão. Quem diria!!! Parecia tão inofensiva.....fonte de lazer. Mas, no mundo da propaganda ou do Ibope, a sociedade vem em último lugar......dinheiro, dinheiro, dinheiro...HA, HA, HA!!!
Para tentar descansar, ligo a televisão: Mortes nos filmes, mortes nos telejornais, mortes nas novelas. Saco, não quero ver isto!!! Será isto lazer.....Meu Deus!!! E eu com isso!!! Mas, ao contrário de meus pais, nasci com uma televisão na cara......Como seria o mundo sem ela!!! Mudo de canal... Igreja.....Igreja.... Novelas.... Programa culinário....Até canal mostrando peixe. Odeio peixe. Que m........!!!! Trabalhei o dia inteiro para ter que ver isto no final. Fora as Igrejas high-tech....tecnologia ano 2000, em busca de dominação. Manipulação. Que passam a ser tão normal.....sem consciência. Cujo slogan deveria ser: "Reflexão induzida sem sair de casa".
Tudo pelo sagrado direito do lazer. "LAZER!!!" Busquei mais uma resposta no velho dicionário: sm. Tempo disponível; descanso, folga. Está anacrônico. Já para o lixo!!!. Descansar, relaxar....humm!!!. O único tempo livre que temos e que poderíamos aproveitar fazendo atividades prazeirosas. Mas, sempre muitas pessoas, muitas. Fila para o cinema, para o teatro, para comer. Pagamos para pegar fila. O resto é tão rápido!!!.
Sossego, meu desejo.......barulho, a realidade. Os nervos a flor da pele. E mais uma criação do mundo moderno......Stress!!! Ou melhor estresse. Palavra estrangeira, chique....para definir uma sensação tão mundial. Globalizada. Quase impossível ficar longe dela. O meu estresse é o meu melhor amigo. Sempre está comigo. Até já se naturalizou.
Ainda tentando usufruir os sagrados segundos de descanso. Resolvo ficar em casa. Tomo meu banho......frio!!! A resistência queimou. Mas, tudo bem, quem sabe não tinha uma "razão de ser". Ponho uma roupa confortável, e tento ser simpático às novas tecnologias. Não sou resistente. Presenteio meu computador com chips, aumento sua memória......mas, na hora em que mais preciso, o ingrato me deixa na mão. Mas até tento curtir o tempo livre com ele. Numa viagem ao mundo virtual. Clico o ícone da Internet. Tento conexão uma, duas, três vezes....em poucos minutos já estou esmurrando o computador. Fico uma hora tentando acessar a Internet. Consigo entrar......ufa!!! Após uma hora de "lazer", finalmente consegui. Vou começar a navegar, já feliz e.... cai a linha!!! Nem preciso dizer que baixei o nível. Neste instante, o telefone toca, provavelmente o culpado pela minha "queda" e...... não é para mim. Nunca é. Era minha "duplamente" maldita sogra.
Resolvo ler uma revista, é mais fácil. O único esforço é virar as páginas. Tento me acalmar. Neste instante, um verdadeiro complô tecnológico me ataca: a máquina de lavar roupa, louça, aspirador de pó, avião..... se associam, e, todos ao mesmo tempo, resolvem me deixar louco. Não consigo ouvir nem o meu pensamento. Até que tento. Droga......além de tudo, moro perto de um aeroporto!!!. Seja por terra ou ar, sempre há barulho. Não me acostumei ainda. E nem posso me queixar com a "dona-da-casa", é o único momento livre dela e ainda o despende pondo ordem nas coisas. Não é o que possamos dizer de atividade prazeirosa. Mas, tô explodindo!!!
Nestes momentos, de absoluta fúria, se manifestam meus mecanismos de auto-defesa. Contra infarto, derrame, nervosismo: Minhas amadas manias!!!. Como a mente humana é poderosa, criativa, cheia de dualidades e incompreensões!!!. E para extravasar o meu ódio, nada melhor do que homenagear os "culpados". Assim, toda as vezes que meu carro quebra, maldito Otto Benz, Ford....mesmo sendo da GM. Quando falta a luz bem na hora da fórmula 1....maldito Thomas Edison!!!. Ou quando meu celular não funciona....maldito Graham Bell!!!. Encho a boca e, MAAALDITO!!!! Ai, ai......que relaxante!!!
Invenções. Poderiam ser uma benção para a sociedade. Trazem praticidade, encurtam as distâncias, buscam alternativas para proporcionar um mundo mais confortável. Mas, quantos lados da moeda afinal existem??? Maldita impessoalidade e solidão. Maldito manual de instrução. Sociedade individualista. Me sinto tão preso, separado, solitário. Na grande metrópole, não encontro espaço. Tantos carros. Tantas pessoas. E uma distância infinita entre nós. Como isto pode ser possível??? Não sei explicar.
Também era tão bom quando não se criavam as necessidades mercadológicas. Que não tem nada de lógicas. Colecionei durante 30 anos, com um cuidado extremo, meus inestimáveis discos de vinil. Mas, cadê a antiga vitrola!!!. Não existem mais. Não tenho como ouvi-los. Hoje, meus filhos brincam de "disquinho".... jogando prá lá.... e prá cá. Buaaaá!!! Coleção estimada. Obsoleta. E até meu novo computador que comprei há somente 3 anos não presta para nada. Morte precoce.
Antes fosse somente as máquinas a se tornarem obsoletas. Nós, seres humanos, também estamos neste processo. Tudo tão rápido. Com tanta pressa. Num ritmo exagerado!!!. "Deus, pare o mundo que quero descer". As pessoas estudam, estudam, estudam...sabem, sabem...... mesmo sem funcionalidade empresarial. E não conseguem emprego. Este é o progresso, que nos obriga a saber cada vez mais, e que nos "utiliza" cada vez menos.....Desemprego. Para quê!!! Em breve, porteiro terá pós-graduação. Somente para apertar um portão. Se não extinguirem mais está profissão.
Deito a cabeça no travesseiro. Acabou o meu dia. Mais uma segunda-feira vencida. Ou será que fui vencido??? Sei lá. Neste meu dia-a-dia, contei a minha história. Inalterável até a sexta.....só variando os problemas, que ajudam a quebrar a monotonia. Monotonia do escritório. Telefone. Barulho. Reuniões estéreis. Burocracia. Que nem mesmo Weber iria imaginar. Monotonia da vida. Até que......fim-de-semana.
O homem selvagem volta a floresta. Enfim, vou a chácara. Mas, seguindo as leis do "progresso". Estrada lotada. Pessoas nervosas carregadas pela famosa palavra internacional criada pelo conforto moderno. Com a pressa de poderem ser "animais".
Perto da natureza, também me sinto mais primitivo, e não sinto falta do que deixei na modernidade. Nostálgico, vivo o passado. E aproveito a sensação que perdurou por milhares de anos e morreu nestes últimos. Me encontro com meu deus, com o espaço, e com a calma que antes existia. Aproveito cada segundo.
Revigorado volto para casa no domingo a tarde. Aproveito o restante do meu domingo para narrar meus pensamentos, tento, novamente, me tornar amigo do computador, chego.....ligo-o carinhosamente.....deixo a inspiração se aproximar......começo digitá-las......a história flui....... e a máquina. Pau outra vez!!!
Ainda contra a lei da "natureza", me preparo para o ritual da vida moderna. Terno, gravata,.....blá, blá, blá..... e pior, o dia promete ser um calor de derreter o cérebro!!! Mas tenho que usar, como o figurino manda...... mais tortura. Tudo isso, 3 horas antes do trabalho começar...... penso no trânsito, em trabalhar no extremo oposto da cidade.... Modernidade.
Começo o dia refletindo sobre o poder do relógio. Hoje, em especial, estou inspirado. Afinal, o relógio me controla o dia inteiro. Acorde. É hora do almoço (sempre cronometradas 1 hora). Retorne ao trabalho. É hora de ir embora.....A cada hora do dia em que tenho o desprazer de encontrá-lo nunca me diz as horas, sempre diz: "Ainda falta muito tempo". Com ele nunca ganho, estou sempre perdendo. Seja o sono, ou o descanso. Como na hora de ir para casa...... Deveria ser uma hora feliz, mas não é!!!. A única em que o relógio poderia me favorecer, porém nunca sabemos a que hora iremos chegar em casa. Mais trânsito, congestionamento. Pessoas reclamando, buzinando. Nervosismo.
Já não bastava iniciar o dia e também tenho que terminá-lo desta forma. Neste momento me lembrei de Charles Darwin. Da teoria da evolução. E cheguei a conclusão de que existem uns macacos que ainda não evoluíram dirigindo pela cidade de São Paulo. E ainda foi um bom dia, pelo menos não fui assaltado. Assalto: não é uma criação moderna, mas também está na moda. O assaltante chega e fala: Passa tudo!!!. Rápido!!!. Ao redor, as pessoas fingem que não vêem. E nestes segundos, apressados, tirando o relógio e entregando-lhe a carteira, ainda tenho que ouvir: "Dr. não sou vagabundo não, estou desempregado". Quase um pedido de desculpa. Tudo bem!!! Mas, por que não vai roubar um rico. Porque sempre o mais pobre se ferra. Vai roubar o prefeito!!!.
Há quem diga que a nossa "salvação", a santa Televisão, aumente a onda de violência, propagando o consumismo indiscriminadamente, criando desejos nem sempre realizáveis.....concordo plenamente!!. A nossa televisão. Quem diria!!! Parecia tão inofensiva.....fonte de lazer. Mas, no mundo da propaganda ou do Ibope, a sociedade vem em último lugar......dinheiro, dinheiro, dinheiro...HA, HA, HA!!!
Para tentar descansar, ligo a televisão: Mortes nos filmes, mortes nos telejornais, mortes nas novelas. Saco, não quero ver isto!!! Será isto lazer.....Meu Deus!!! E eu com isso!!! Mas, ao contrário de meus pais, nasci com uma televisão na cara......Como seria o mundo sem ela!!! Mudo de canal... Igreja.....Igreja.... Novelas.... Programa culinário....Até canal mostrando peixe. Odeio peixe. Que m........!!!! Trabalhei o dia inteiro para ter que ver isto no final. Fora as Igrejas high-tech....tecnologia ano 2000, em busca de dominação. Manipulação. Que passam a ser tão normal.....sem consciência. Cujo slogan deveria ser: "Reflexão induzida sem sair de casa".
Tudo pelo sagrado direito do lazer. "LAZER!!!" Busquei mais uma resposta no velho dicionário: sm. Tempo disponível; descanso, folga. Está anacrônico. Já para o lixo!!!. Descansar, relaxar....humm!!!. O único tempo livre que temos e que poderíamos aproveitar fazendo atividades prazeirosas. Mas, sempre muitas pessoas, muitas. Fila para o cinema, para o teatro, para comer. Pagamos para pegar fila. O resto é tão rápido!!!.
Sossego, meu desejo.......barulho, a realidade. Os nervos a flor da pele. E mais uma criação do mundo moderno......Stress!!! Ou melhor estresse. Palavra estrangeira, chique....para definir uma sensação tão mundial. Globalizada. Quase impossível ficar longe dela. O meu estresse é o meu melhor amigo. Sempre está comigo. Até já se naturalizou.
Ainda tentando usufruir os sagrados segundos de descanso. Resolvo ficar em casa. Tomo meu banho......frio!!! A resistência queimou. Mas, tudo bem, quem sabe não tinha uma "razão de ser". Ponho uma roupa confortável, e tento ser simpático às novas tecnologias. Não sou resistente. Presenteio meu computador com chips, aumento sua memória......mas, na hora em que mais preciso, o ingrato me deixa na mão. Mas até tento curtir o tempo livre com ele. Numa viagem ao mundo virtual. Clico o ícone da Internet. Tento conexão uma, duas, três vezes....em poucos minutos já estou esmurrando o computador. Fico uma hora tentando acessar a Internet. Consigo entrar......ufa!!! Após uma hora de "lazer", finalmente consegui. Vou começar a navegar, já feliz e.... cai a linha!!! Nem preciso dizer que baixei o nível. Neste instante, o telefone toca, provavelmente o culpado pela minha "queda" e...... não é para mim. Nunca é. Era minha "duplamente" maldita sogra.
Resolvo ler uma revista, é mais fácil. O único esforço é virar as páginas. Tento me acalmar. Neste instante, um verdadeiro complô tecnológico me ataca: a máquina de lavar roupa, louça, aspirador de pó, avião..... se associam, e, todos ao mesmo tempo, resolvem me deixar louco. Não consigo ouvir nem o meu pensamento. Até que tento. Droga......além de tudo, moro perto de um aeroporto!!!. Seja por terra ou ar, sempre há barulho. Não me acostumei ainda. E nem posso me queixar com a "dona-da-casa", é o único momento livre dela e ainda o despende pondo ordem nas coisas. Não é o que possamos dizer de atividade prazeirosa. Mas, tô explodindo!!!
Nestes momentos, de absoluta fúria, se manifestam meus mecanismos de auto-defesa. Contra infarto, derrame, nervosismo: Minhas amadas manias!!!. Como a mente humana é poderosa, criativa, cheia de dualidades e incompreensões!!!. E para extravasar o meu ódio, nada melhor do que homenagear os "culpados". Assim, toda as vezes que meu carro quebra, maldito Otto Benz, Ford....mesmo sendo da GM. Quando falta a luz bem na hora da fórmula 1....maldito Thomas Edison!!!. Ou quando meu celular não funciona....maldito Graham Bell!!!. Encho a boca e, MAAALDITO!!!! Ai, ai......que relaxante!!!
Invenções. Poderiam ser uma benção para a sociedade. Trazem praticidade, encurtam as distâncias, buscam alternativas para proporcionar um mundo mais confortável. Mas, quantos lados da moeda afinal existem??? Maldita impessoalidade e solidão. Maldito manual de instrução. Sociedade individualista. Me sinto tão preso, separado, solitário. Na grande metrópole, não encontro espaço. Tantos carros. Tantas pessoas. E uma distância infinita entre nós. Como isto pode ser possível??? Não sei explicar.
Também era tão bom quando não se criavam as necessidades mercadológicas. Que não tem nada de lógicas. Colecionei durante 30 anos, com um cuidado extremo, meus inestimáveis discos de vinil. Mas, cadê a antiga vitrola!!!. Não existem mais. Não tenho como ouvi-los. Hoje, meus filhos brincam de "disquinho".... jogando prá lá.... e prá cá. Buaaaá!!! Coleção estimada. Obsoleta. E até meu novo computador que comprei há somente 3 anos não presta para nada. Morte precoce.
Antes fosse somente as máquinas a se tornarem obsoletas. Nós, seres humanos, também estamos neste processo. Tudo tão rápido. Com tanta pressa. Num ritmo exagerado!!!. "Deus, pare o mundo que quero descer". As pessoas estudam, estudam, estudam...sabem, sabem...... mesmo sem funcionalidade empresarial. E não conseguem emprego. Este é o progresso, que nos obriga a saber cada vez mais, e que nos "utiliza" cada vez menos.....Desemprego. Para quê!!! Em breve, porteiro terá pós-graduação. Somente para apertar um portão. Se não extinguirem mais está profissão.
Deito a cabeça no travesseiro. Acabou o meu dia. Mais uma segunda-feira vencida. Ou será que fui vencido??? Sei lá. Neste meu dia-a-dia, contei a minha história. Inalterável até a sexta.....só variando os problemas, que ajudam a quebrar a monotonia. Monotonia do escritório. Telefone. Barulho. Reuniões estéreis. Burocracia. Que nem mesmo Weber iria imaginar. Monotonia da vida. Até que......fim-de-semana.
O homem selvagem volta a floresta. Enfim, vou a chácara. Mas, seguindo as leis do "progresso". Estrada lotada. Pessoas nervosas carregadas pela famosa palavra internacional criada pelo conforto moderno. Com a pressa de poderem ser "animais".
Perto da natureza, também me sinto mais primitivo, e não sinto falta do que deixei na modernidade. Nostálgico, vivo o passado. E aproveito a sensação que perdurou por milhares de anos e morreu nestes últimos. Me encontro com meu deus, com o espaço, e com a calma que antes existia. Aproveito cada segundo.
Revigorado volto para casa no domingo a tarde. Aproveito o restante do meu domingo para narrar meus pensamentos, tento, novamente, me tornar amigo do computador, chego.....ligo-o carinhosamente.....deixo a inspiração se aproximar......começo digitá-las......a história flui....... e a máquina. Pau outra vez!!!
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