Noite estrelada
E no vento ecoava a canção
“América, América, América...”
Deixava sozinha a Itália; sonhando
E buscava trabalho às mãos.
Oh.... Velha Bota
O que fizeste com os seus filhos!!!
Que hoje partem com fome
E somente carregam a coragem
De nova paragem encontrar.
Do vapor, via a terra distante
Adeus Gênova, adeus Itália
Deixei as lágrimas em suas águas
E o desconhecido, breve medo
Tomava na mente o lugar.
O vapor parte, e meus pensamentos ficam
Família e pátria amada
Das glórias das lutas de Petrarca
Ao inferno que Dante veio mostrar
Tudo isto pude presenciar.
E o trabalho, que não era pleno
E as barrigas, vázias
Esperanças despedaçadas
Fartura em mente, em fértil semente
Depositar.
Assim cada um encarava
Sonhava com o novo destino
Fortuna tão almejada
De terras outrora perdidas
Na América renascia.
Itália
Sua imagem permanece
Além-mar, eterna recordação
De onde não mais pousariam os sonos
Para acordar em nova nação.
Enfrentamos a morte, a peste
Uns encontraram a riqueza perdida
Outros pereceram dementes e incrédulos
Esse é o custo do desafio
Quando a vida resolvemos arriscar.
Minhas mãos, muito semearam
Também trabalhei nas Indústrias Matarazzo
Encontrei o lodo, o barro
Suplantei grandes adversidades
E venci na grande cidade.
Encontrei nesta América um novo lar
E aqui tive meus filhos, netos
Orgulhoso do passado
Agradeço o futuro presenteadoE a coragem da minha saudosa Itália.... deixar.
quarta-feira, 19 de março de 2008
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