quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Além da incerteza

Preso. Andava impacientemente pelo espaço - finito, mas disponível. Sentia as mãos atadas, acorrentadas. O cérebro turvo não sabia mais direcionar as ações.... ações, estas mesmas transformaram-lhe em um ser frágil - buscou sair do ostracismo que lhe parecia aplicável. Quanto mais agia, mais preso se sentia, ou melhor, menos livre realmente era. Estava preso, não mais em convicções, sua vida era a incerteza.

Qual será a prisão maior do que esta!!! A incerteza é a poda a árvore saudável. É a retirada do que teríamos pela incapacidade de nos livrarmos das amarras. Mas, que amarras!!! A psicológica, a física, a vida - o complô que teimamos em ver dentro e fora de nós. O mundo age contra; as pessoas se afastam, o emprego não chega, o amor não vinga, e só lhe resta o quarto.

Neste pequeno recinto, com portas, janelas e possibilidades - não teve a força para abrir a janela. Teve olhos, e não soube ver. Pernas, e não soube buscar. Coração, sem amar. E mente, que na tola racionalidade, não enxergou outras formas de se encontrar. A janela aberta oferecia a possibilidade de se "inventar" as asas. A porta, sendo aberta, deixava todos os caminhos do mundo - direções, coordenadas, mapas, ruas - livres.

De toda a pequenez humana, errava. Não por lutar na inerente convicção. Ou pela "verdade". Mas, pela falta de coragem que o mantinha cego, surdo, mudo... para o mundo, para todos, para ele. Sua voz calava quando devia gritar... e chorava quando devia ser forte. Ter a força de escolher um caminho e segui-lo. Parece fácil. Mas é quase impossível.

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