terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Corpus et anima

Extremos paraísos. Sobre a terra as relações simbióticas da vida - a combustão e sua reversão - o gás voltando a ser oxigênio, duplo, porém único e essencialmente inalado (poucos se preocupam com o nitrogênio), o mérito da insanidade está poluido.

Sob a terra, vitaminas, fantasias, reinos.... a lagoa azul reflete o céu, e os corpos em putrefação refletem a nossa futura realidade - comida para vermes, a nossa vaidade. Todos enxergam isso, enxergam as básicas verdades - irrestritas as possibilidades - e impossibilitados estamos na pressa.

Qual será o santo remédio da alma!!! O corpo segue sua herança. Patologias exclusivas, terapia absoluta, diagnóstico resoluto... sem salvação. No inferno de Dante, divina comédia, nos perdemos em opções - primárias decisões, insignificantes resultados - novamente imobilizados.

Imobilizados na crença coletiva. Sem existir acima da magia, fantasia... já robotizados na generalização massacrante da sociedade ultra-moderna. A vida planejada para ser igual. E a coerção do fracasso àqueles que pensem o contrário - o vencedor é "são", é igual, e é superior - estranhamente superior aos que não "são" tão "iguais" a ele.

Quais são os pecados dos diferentes!!! Acreditar ou deixar de ser. Vencer as forças ou ser consumido. Se tornar igual para poder viver e não, ser um ermitão pelas sombras que o desprezo e "inveja oculta" causam - e as lágrimas de pólos opostos de uma mesma realidade, ocidentalizada por algumas teorias de verdades manipuladas absolutas.

Guerra fria. Essa é a mais efetiva. Frieza de olhos reprovadores que congelam a alma - ilha isolada aos sentimentos "humanos" - o mundo existe mas a solidão não o confirma. Diferenças nos referenciais. E a não aceitação de que a verdade não é una, o composto resultante é o que nos mostra a vida em cada uma das épocas, eras.

Sou ignorante. Sou nulo nas capacidades. Mas possuo uma das únicas possibilidades restritas - a liberdade parcial. Sou ser, e não vivo. Sou humano, e não sinto - mas minto para poder ser aceito, e nesta falsidade que até um ignorante vê errada, encontro uma das minhas poucas verdades - a de não ser livre aos olhos alheios. Que o mundo nos mude, assim seja.

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