Sou a escória do mundo. O perdido sem valor, largado ao tempo em via de degradação. Quando vim ao mundo, escolhi ser vencedor - e o carma foi inverso. Sinto o sabor da derrota no fel amargo que escorre. Os atos passados, de diversas vidas, foram julgados e carrego a cruz penosamente... lento e perseverante.... olho a ladeira, a montanha, o espaço que nos separa.
Quase todos os dias, perco. As horas e os minutos apressados vão - na "certeza" da esperança. O choro é contido, a raiva neutralizada e a fome dissipada, mas o tempo passa e o futuro não chega. Sou limítrofe ou o mundo alça compreensões e vivência intangíveis ao cérebro indulgente. Não sou humilde, não nego. Reconheço os erros e pecados, mas nada... nada alivia a minha dor. Estou só, por isso reclamo. Situação não plantada e colhida - conseqüência do mal que nos impõe o soberano, o que é mais humano, nada divino, nos sonhos doloridos carregados pelo destino.
Sou pobre pois não enxergo alternativas. E metódico nas regras, me despeço. Mudo de vida para que ela me mude.... se deixar de ser cruel, serei capaz. E antes essas palavras fossem crise de adolescência, reflexões incertas, hormônios presentes... essa luz que não enxergo é mais clara que os sentimentos livres, ainda que presos - na cega obscuridade enferma. A esperança é um brado forte, um grito de dor, uma lágrima escorrendo, pois só existe esperança onde há vida....
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
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